O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco BMG firmaram um acordo inédito que marca um novo capítulo na proteção dos aposentados e pensionistas brasileiros. O termo de compromisso prevê a devolução de cerca de R$ 7 milhões cobrados indevidamente de mais de 100 mil beneficiários de empréstimos consignados.
A iniciativa reforça o compromisso do INSS em combater práticas abusivas no setor de crédito consignado, especialmente em meio ao crescente número de denúncias envolvendo cobranças indevidas, venda casada e uso indevido de dados pessoais.
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Restituição será feita diretamente nas faturas dos beneficiários

Segundo o INSS, os valores cobrados de forma irregular serão abatidos diretamente na próxima fatura do cartão do Banco BMG. A devolução representa um passo importante na reparação financeira aos segurados que foram prejudicados por práticas inadequadas.
Além disso, o instituto informou que está em negociação com outras instituições financeiras para firmar acordos semelhantes, com o objetivo de padronizar a restituição de valores e aprimorar a transparência nas operações de crédito consignado.
Ajustes nos novos contratos de empréstimos consignados
O termo de compromisso também inclui mudanças significativas nos procedimentos de contratação de novos empréstimos consignados.
Videochamada obrigatória
Uma das principais novidades é a obrigatoriedade de registrar, por meio de videochamada gravada, o aceite do contratante no momento da contratação. O recurso tem o objetivo de garantir que o beneficiário compreenda todas as condições do contrato e evite fraudes decorrentes de contratações não autorizadas.
Proteção de dados pessoais
Outro ponto essencial do acordo é o compromisso do Banco BMG de não compartilhar dados pessoais de seus clientes com terceiros, como correspondentes bancários, salvo em situações previstas em lei ou mediante autorização expressa do titular. Essa medida busca reduzir os casos de assédio comercial e uso indevido de informações sensíveis de aposentados e pensionistas.
Fim da venda casada
O banco também se comprometeu a encerrar a prática de venda casada de seguros junto aos empréstimos consignados, prática essa considerada ilegal e abusiva segundo o Código de Defesa do Consumidor. A mudança atende a uma antiga demanda dos beneficiários, que reclamavam da imposição de produtos adicionais como condição para aprovação do crédito.
O impacto das cobranças indevidas nos beneficiários
Os empréstimos consignados vinculados a benefícios do INSS são uma das principais formas de acesso ao crédito para aposentados e pensionistas. Contudo, essa modalidade vinha sendo alvo de diversas reclamações devido a cobranças indevidas e contratos firmados sem autorização.
Essas práticas, além de causar prejuízo financeiro direto, colocavam em risco a segurança dos dados e a confiança dos segurados nas instituições financeiras.
De acordo com o INSS, nos últimos meses foram identificados milhares de contratos com indícios de irregularidades, o que levou à adoção de medidas administrativas e à suspensão de parcerias com diversos bancos e financeiras.
INSS suspende contratos com quatro instituições financeiras

Na esteira das medidas de fiscalização, o INSS suspendeu cautelarmente o contrato com quatro instituições financeiras — Banco Inter, Facta Financeira, Cobuccio Sociedade de Crédito e Paraná Banco.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de outubro, proíbe essas instituições de oferecer novos empréstimos consignados a aposentados e pensionistas até que as investigações sejam concluídas.
Medida preventiva e proteção ao interesse público
Segundo o órgão, a suspensão tem caráter preventivo, com o objetivo de interromper práticas irregulares e proteger o interesse público. O INSS também reforçou que as apurações continuam em andamento e que novos bancos poderão ser alvo de bloqueio temporário caso sejam encontradas evidências de má conduta.
No início de outubro, o INSS já havia suspendido o contrato com o Banco Master, e em agosto, a autorização de outras oito instituições financeiras também foi retirada. Essas medidas fazem parte de uma ampla operação de auditoria para assegurar a integridade das operações de crédito consignado.
Respostas dos bancos às suspensões
As instituições afetadas reagiram à decisão do INSS. Banco Master, Banco Inter, Facta Financeira e Paraná Banco afirmaram ter sido surpreendidos pela medida e destacaram que cumpriam todas as normas regulatórias do setor.
Os bancos informaram ainda que estão mantendo diálogo com o INSS para restabelecer as operações o quanto antes e reafirmaram o compromisso com a transparência e o respeito aos aposentados e pensionistas.
Já a Cobuccio Sociedade de Crédito não respondeu aos pedidos de comentário.
Um marco na relação entre o INSS e o sistema financeiro
Especialistas em direito previdenciário e financeiro consideram o acordo entre o INSS e o Banco BMG um marco histórico na defesa do consumidor idoso.
Reforço da fiscalização e transparência
A medida demonstra o fortalecimento da fiscalização sobre o mercado de crédito consignado, que movimenta bilhões de reais por ano e é fundamental para a economia doméstica de milhões de famílias.
Segundo o economista e consultor financeiro Fábio Cavalcante, “essa ação abre precedente para uma nova política de responsabilidade e transparência no setor bancário. A gravação das contratações e o bloqueio de dados pessoais representam avanços significativos.”
Incentivo a boas práticas bancárias
O movimento também incentiva outras instituições a adotarem padrões mais éticos, o que tende a gerar maior confiança do público no sistema financeiro. “Os bancos perceberam que a reputação é um ativo valioso. Cumprir as regras do INSS e devolver valores indevidos é um gesto que fortalece a relação com o cliente”, completa Cavalcante.
O papel do consumidor e o futuro do crédito consignado

O acordo com o Banco BMG e as recentes suspensões indicam que o INSS está intensificando o controle sobre o mercado de crédito consignado.
Maior segurança para o beneficiário
A partir dessas mudanças, os beneficiários passam a contar com maior segurança jurídica e digital ao contratar empréstimos. A exigência de videochamada, a proibição da venda casada e o controle sobre o uso de dados pessoais são mecanismos que podem reduzir drasticamente as fraudes e abusos.
Expansão de acordos com outros bancos
Fontes ligadas ao INSS confirmam que outras instituições financeiras já demonstraram interesse em aderir a termos semelhantes ao firmado com o BMG. O objetivo é ampliar a restituição de valores e criar um protocolo nacional de boas práticas no crédito consignado.
Caminho para uma nova fase de transparência
O setor caminha para uma fase mais transparente e regulada, na qual o respeito ao consumidor e a integridade das operações passam a ser prioridade. Esse processo, embora ainda em construção, sinaliza uma mudança estrutural na forma como o crédito consignado é oferecido e fiscalizado no país.
Conclusão
O acordo entre o INSS e o Banco BMG representa uma vitória importante para os aposentados e pensionistas, que há anos enfrentam problemas com cobranças indevidas e contratações não autorizadas.
Com a devolução de R$ 7 milhões e a implementação de novas regras, o Brasil dá um passo significativo rumo a um sistema de crédito mais justo, ético e transparente.
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