O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Caixa Econômica Federal anunciaram nesta semana a suspensão da comercialização do seguro prestamista vinculado aos empréstimos consignados direcionados a aposentados e pensionistas. A decisão vem na esteira de inúmeras denúncias sobre cobranças indevidas e falta de consentimento por parte dos beneficiários.
Seguro prestamista ligado ao consignado é suspenso por INSS e Caixa; saiba o que muda
INSS e Caixa suspendem seguro prestamista em consignados para aposentados, evitando cobranças indevidas e garantindo restituição.
A medida representa um avanço na proteção de consumidores vulneráveis, frequentemente expostos a práticas abusivas em produtos financeiros, e busca corrigir falhas recorrentes nos contratos de crédito consignado.
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O que é o seguro prestamista e por que ele foi suspenso
O seguro prestamista é um tipo de cobertura embutida nos contratos de crédito. Ele tem por objetivo quitar total ou parcialmente a dívida do contratante em casos de morte, invalidez ou outras situações previstas na apólice. Na teoria, oferece proteção tanto ao segurado quanto à instituição financeira.
No entanto, a prática mostrou-se problemática. Muitas instituições passaram a incluir automaticamente esse seguro em operações de consignado, sem a devida transparência ou autorização clara do beneficiário. O resultado foi uma enxurrada de queixas sobre descontos indevidos e valores que sequer haviam sido informados previamente.
O termo de compromisso firmado entre INSS e Caixa estabelece que a contratação do seguro prestamista não poderá mais ser uma condição para a liberação do empréstimo consignado. Além disso, os valores cobrados sem o consentimento dos beneficiários terão de ser devolvidos.
Transparência e consentimento passam a ser obrigatórios
O principal objetivo da medida é coibir a prática de inclusão automática do seguro prestamista nos contratos de crédito consignado. Pelo acordo, a Caixa se compromete a:
- Suspender a oferta do seguro prestamista em novas contratações de crédito consignado;
- Não condicionar a liberação do empréstimo à contratação de seguros;
- Restituir valores cobrados indevidamente após conclusão de procedimento administrativo junto ao INSS;
- Corrigir contratos que excederem o limite legal de concessão de crédito.
Essas ações se alinham à política de proteção aos idosos e pessoas com deficiência, principais públicos-alvo do crédito consignado oferecido via INSS.
Limites de crédito devem seguir regra de 1,6 vez a renda mensal
Outro ponto relevante do termo assinado refere-se à adequação do limite de crédito. O Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) estabelece que o valor máximo concedido em operações de crédito não pode ultrapassar 1,6 vez o valor da renda mensal do benefício.
Caso haja falha da Caixa no cumprimento dessa regra, a instituição será obrigada a restituir a diferença ao beneficiário. A medida fortalece o controle sobre o endividamento de aposentados e pensionistas e busca conter práticas que comprometam sua capacidade de pagamento.
Obrigação de informar e documentar todas as devoluções
Para garantir rastreabilidade e fiscalização, o termo também exige que a Caixa:
- Envie ao INSS, a cada 60 dias, um relatório com a lista de beneficiários que receberam devoluções de valores referentes ao seguro prestamista;
- Comprove a comunicação aos clientes sobre a restituição, esclarecendo a origem dos valores reembolsados;
- Regularize a documentação contratual pendente relativa às operações de consignado com seguro embutido.
Esse nível de detalhamento no acompanhamento é uma tentativa de evitar novos abusos e assegurar que os recursos sejam efetivamente restituídos aos segurados prejudicados.
Outras instituições financeiras também estão na mira
A Caixa não é a única instituição que firmou acordo com o INSS sobre o tema. Em 30 de outubro, o Banco BMG também assumiu compromisso de restituir mais de R$ 7 milhões a cerca de 100 mil beneficiários por cobranças indevidas do seguro prestamista.
Além do BMG, o Banco Inter, a Facta Financeira e a Cobuccio SCD também suspenderam a cobrança do seguro atrelado ao consignado. Essas adesões demonstram que a prática era generalizada no setor e revela um problema sistêmico na oferta de crédito consignado.
Casos emblemáticos de abusos e reclamações
Relatos de consumidores indicam que, em muitos casos, os contratos eram assinados com cláusulas pouco claras, que escondiam a cobrança do seguro em letras miúdas. A ausência de informação adequada, somada à vulnerabilidade digital de parte dos beneficiários, agravava o problema.
Com a popularização do crédito consignado por meio digital — especialmente via aplicativos — aumentaram os relatos de inclusão indevida do seguro prestamista, já que o processo de contratação ficou mais ágil, mas menos transparente.
O impacto financeiro do seguro prestamista nos contratos
O valor do seguro prestamista embutido pode comprometer de forma significativa o valor líquido recebido pelo beneficiário. Em muitos casos, o desconto mensal do seguro somado às parcelas do consignado resultava em valores próximos ao teto de comprometimento permitido por lei, hoje fixado em 45% da renda total (35% para empréstimos, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão benefício).
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Isso impedia que o aposentado acessasse novos créditos ou mesmo utilizasse integralmente sua renda mensal, o que gerava endividamento, dificuldades para pagar contas básicas e aumento da vulnerabilidade econômica.
Reações do mercado e dos especialistas
Especialistas em direito do consumidor e em previdência consideram a medida acertada. Segundo entidades como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), a suspensão do seguro prestamista é uma resposta adequada a uma prática comercial considerada abusiva.
Para a advogada previdenciária Adriana Romero, “a decisão é um alívio para os segurados que sofriam com descontos indevidos sem sequer entender a origem da cobrança. A suspensão e a restituição demonstram o papel do INSS na defesa do beneficiário.”
No setor financeiro, algumas instituições já começaram a revisar seus processos internos e reforçar as etapas de consentimento e informação prévia, antecipando-se a novas exigências regulatórias.
Caminho aberto para regulação mais rígida
Com a suspensão da Caixa e os acordos firmados com outras instituições, o movimento tende a se ampliar. O INSS estuda a criação de regras mais claras sobre a oferta de produtos adicionais ao consignado e já sinalizou a intenção de regulamentar, junto à Febraban e ao Banco Central, a transparência nas operações voltadas a aposentados e pensionistas.
O debate sobre a obrigatoriedade de consentimento expresso e claro para qualquer produto vinculado ao crédito deve ganhar força nos próximos meses. Também há pressão de parlamentares para ampliar a fiscalização e tornar as sanções mais severas para casos de reincidência.
O que fazer se você foi cobrado indevidamente
Aposentados e pensionistas que identificarem cobranças indevidas de seguro prestamista devem:
- Verificar o extrato de pagamento do benefício no app ou site Meu INSS;
- Conferir o contrato de empréstimo consignado;
- Registrar uma denúncia pelo telefone 135 ou pela Ouvidoria do INSS;
- Entrar em contato com a instituição financeira para solicitar a restituição;
- Caso não obtenha retorno, buscar auxílio no Procon ou na Defensoria Pública.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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