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INSS pode cobrar de familiares valores recebidos indevidamente após morte do segurado

Saiba o que fazer com valores depositados pelo INSS após o falecimento, quem pode receber resíduos e como solicitar o pagamento legalmente.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··9 min de leitura
INSS

O falecimento de um aposentado ou pensionista pode deixar a família diante de uma situação delicada: o benefício continua aparecendo na conta bancária mesmo depois da morte. Nesses casos, sacar ou movimentar o dinheiro por conta própria pode gerar problemas, principalmente quando o valor foi depositado depois da data do óbito.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) orienta que valores pagos indevidamente após o falecimento não devem ser simplesmente utilizados pelos familiares. A autarquia pode apurar a situação e cobrar a devolução quando houver pagamento indevido.

Ao mesmo tempo, isso não significa que todo dinheiro relacionado ao benefício desapareça. Existem valores que eram devidos ao segurado até a data da morte e que podem ser solicitados pelos dependentes ou, na ausência deles, pelos herdeiros que comprovarem legalmente essa condição.

A diferença entre essas duas situações é fundamental.

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Família não deve sacar benefício após o falecimento

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O pagamento de uma aposentadoria ou pensão é vinculado ao titular do benefício. Com a morte, o benefício não continua normalmente em nome daquela pessoa.

Pode ocorrer, entretanto, de o óbito ainda não ter sido processado pelos sistemas previdenciários e bancários. Nesse intervalo, uma parcela pode ser creditada na conta.

O INSS informa que o recebimento indevido de benefício após o óbito pode resultar em cobrança administrativa, com apuração junto à instituição bancária para verificar a situação.

Por isso, o fato de o dinheiro aparecer na conta não significa que ele esteja automaticamente disponível para saque pela família.

A recomendação mais segura é não movimentar a quantia e comunicar a situação pelos canais oficiais.

E se o dinheiro foi usado para pagar o funeral?

Uma das dúvidas mais comuns é se a família pode utilizar o valor depositado depois da morte para pagar despesas urgentes, como funeral, medicamentos ou contas da residência.

A resposta exige cuidado.

O simples fato de a família ter uma despesa legítima não transforma automaticamente um pagamento indevido do INSS em dinheiro disponível para saque.

Se o valor não era devido ao segurado após a data do óbito, a autarquia poderá exigir a devolução.

Por isso, diante de um depósito posterior ao falecimento, o ideal é procurar orientação do INSS antes de utilizar a quantia.

Existe dinheiro que a família pode receber legalmente

Sim.

O INSS possui um serviço específico para solicitar valores que não foram recebidos pelo beneficiário até a data do óbito.

Esses valores são conhecidos como resíduos ou valores não recebidos até a data da morte.

O serviço oficial permite que o interessado solicite o pagamento dos valores que eram devidos ao titular até o falecimento.

Essa situação é diferente de receber uma parcela que não era mais devida.

Exemplo prático

Imagine que um aposentado faleça no dia 20 de determinado mês.

Se existir valor devido referente ao período anterior ou até a data do falecimento, poderá haver uma quantia residual a ser paga aos beneficiários ou herdeiros, conforme as regras aplicáveis.

Isso não significa, porém, que a família possa simplesmente sacar qualquer valor que apareça na conta.

É necessário solicitar o pagamento pelos procedimentos oficiais.

Quem pode pedir os valores não recebidos?

A forma de recebimento depende da situação familiar.

Quando existem dependentes habilitados à pensão por morte, eles podem ter direito aos valores residuais conforme as regras do INSS.

Já os herdeiros que não recebem pensão por morte precisam apresentar documentação que comprove legalmente a condição de herdeiro.

O próprio governo informa que, nesses casos, é necessário apresentar alvará judicial ou partilha por escritura pública.

Portanto, ser filho, irmão ou outro parente do falecido não significa, por si só, que a pessoa poderá sacar diretamente o dinheiro.

Como solicitar o valor não recebido pelo INSS

O pedido pode ser feito pela internet.

O interessado deve:

  1. Acessar o Meu INSS;
  2. Entrar com CPF e senha da conta gov.br;
  3. Selecionar a opção de solicitar um serviço;
  4. Pesquisar por “Solicitar valor não recebido”;
  5. Escolher o serviço correspondente;
  6. Conferir as orientações;
  7. Anexar a documentação solicitada.

O serviço é disponibilizado de forma digital e, segundo o governo, não exige comparecimento presencial ao INSS. Caso o sistema esteja indisponível, o cidadão pode utilizar a Central 135.

Quais documentos podem ser exigidos?

A documentação varia conforme a situação de quem está solicitando o pagamento.

De maneira geral, podem ser necessários documentos de identificação do titular falecido e do requerente.

O serviço oficial também prevê documentos relacionados à representação legal, quando houver procurador, tutor, curador ou outro representante.

Para herdeiros que não recebem pensão por morte, a documentação sucessória ganha importância.

Podem ser exigidos:

  • alvará judicial;
  • partilha por escritura pública;
  • documentos relacionados ao inventário;
  • documentos de identificação;
  • CPF;
  • comprovantes exigidos pelo INSS para a análise do pedido.

O documento sucessório deve demonstrar quem possui direito ao valor e, quando necessário, a respectiva parcela de cada herdeiro.

Dependentes da pensão por morte têm tratamento diferente

Quando o falecido deixa dependentes que podem receber pensão por morte, o caminho é diferente.

A pensão por morte é destinada aos dependentes do segurado que, na data do falecimento, estava coberto pela Previdência nas condições previstas pela legislação. O INSS inclui entre os possíveis dependentes cônjuge, companheiro, filhos e, em determinadas circunstâncias, pais e irmãos.

Por isso, a família deve separar duas questões:

  • pensão por morte: benefício mensal destinado aos dependentes que atendem aos requisitos;
  • valor não recebido até o óbito: quantia que pertencia ao segurado e ficou pendente de pagamento.

Os dois procedimentos não devem ser confundidos.

O que acontece com um benefício depositado indevidamente?

Quando o INSS identifica que houve pagamento depois do falecimento que não deveria ter ocorrido, pode iniciar procedimento para apurar o caso e buscar a restituição.

A própria autarquia explica que o recebimento indevido pode gerar cobrança administrativa e investigação junto ao banco para determinar a responsabilidade.

Por isso, o familiar não deve considerar o saldo da conta como uma espécie de herança automática.

A origem do dinheiro precisa ser verificada.

O INSS pode recuperar valores pagos depois da morte?

Em situações de pagamento indevido, sim. A autarquia pode adotar procedimentos administrativos para recuperar recursos pagos indevidamente.

É importante, entretanto, diferenciar:

Valor devido até a data do óbito: pode ser objeto de solicitação pelos dependentes ou herdeiros, observadas as regras.

Valor pago indevidamente depois do óbito: pode ser objeto de cobrança e restituição.

Essa distinção evita um dos erros mais comuns cometidos pelas famílias.

Como fica a pensão por morte?

pensão por morte
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A pensão por morte não é simplesmente a continuação da aposentadoria do falecido.

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Ela é um novo benefício destinado aos dependentes que atendem aos requisitos previdenciários.

O cálculo também segue regras próprias. Para óbitos ocorridos a partir de 14 de novembro de 2019, o INSS informa que a renda inicial, em regra, corresponde a uma cota familiar de 50% do valor da aposentadoria recebida pelo segurado ou daquela a que teria direito, acrescida de 10 pontos percentuais por dependente, até o limite de 100%. Existem regras específicas para situações envolvendo dependente inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave.

Portanto, não é correto afirmar que a família simplesmente passa a receber exatamente o mesmo valor que o aposentado recebia.

E os empréstimos consignados?

Outra dúvida recorrente após a morte de um beneficiário envolve os empréstimos consignados.

O consignado é uma operação financeira realizada entre o beneficiário e a instituição bancária, enquanto ao INSS cabe operacionalizar os descontos no benefício.

A existência de uma dívida não deve ser confundida com a pensão por morte.

O familiar que passa a receber uma pensão não assume automaticamente, por esse simples fato, os contratos de empréstimo do falecido.

Questões relacionadas a eventual saldo devedor, patrimônio e responsabilidade sucessória devem ser analisadas de acordo com o contrato e as regras aplicáveis à sucessão.

Por isso, é inadequado afirmar de forma geral que todos os consignados são simplesmente “baixados” após a morte.

Como evitar problemas depois do falecimento

A família pode adotar algumas medidas assim que ocorrer o óbito.

Primeiro, deve comunicar o falecimento quando necessário e verificar se o INSS já processou a informação.

Depois, é importante conferir os extratos bancários para identificar eventuais créditos posteriores.

Se houver depósito, o ideal é não movimentar o dinheiro antes de descobrir sua origem.

Também é recomendável solicitar a pensão por morte, quando houver dependentes habilitados, e verificar a existência de valores residuais.

O próprio INSS disponibiliza serviços para consulta de informações do benefício, inclusive extratos de pagamento e outros dados previdenciários.

Perguntas frequentes

Posso sacar o dinheiro que caiu na conta depois que o aposentado morreu?

Não se deve presumir que o dinheiro esteja disponível para a família. Se o pagamento ocorreu indevidamente após o óbito, o INSS pode cobrar a devolução.

Existe dinheiro que a família pode receber?

Sim. Valores que eram devidos ao segurado até a data do falecimento podem ser solicitados por dependentes ou herdeiros, conforme as regras e a documentação exigida.

Herdeiro sem direito à pensão pode receber o resíduo?

Pode, desde que comprove legalmente sua condição de herdeiro. O INSS informa que, nesses casos, é necessário apresentar alvará judicial ou partilha por escritura pública.

É possível pedir o valor pela internet?

Sim. O serviço “Solicitar valor não recebido até a data do óbito do beneficiário” pode ser solicitado pelo Meu INSS.

O dinheiro depositado depois da morte vira herança?

Não automaticamente. É necessário identificar se o valor era realmente devido ao falecido até a data do óbito ou se foi um pagamento indevido realizado posteriormente.

Conclusão

O falecimento de um aposentado ou pensionista não significa que todo dinheiro relacionado ao benefício ficará automaticamente disponível para os familiares.

Existe uma diferença importante entre pagamentos indevidos após o óbito e valores que já eram devidos ao segurado até a data da morte.

No primeiro caso, movimentar o dinheiro pode resultar em cobrança pelo INSS. No segundo, os dependentes ou herdeiros podem solicitar formalmente o pagamento do chamado resíduo, seguindo as regras e apresentando a documentação necessária.

O caminho mais seguro é não sacar valores cuja origem seja desconhecida. A família deve consultar o Meu INSS, verificar a situação do benefício e utilizar o serviço específico para solicitar valores não recebidos.

Dessa maneira, evita-se transformar uma situação financeira já delicada em um problema administrativo ou judicial.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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