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Como contestar um benefício negado pelo INSS e quais documentos apresentar

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 8 min de leitura
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Receber a notícia de que o pedido de auxílio por incapacidade temporária foi negado pelo INSS é uma situação que preocupa milhares de brasileiros todos os anos. O problema se torna ainda mais grave quando o trabalhador continua sem condições de voltar ao serviço e, ao mesmo tempo, fica sem renda para sustentar a família.

Apesar da frustração, uma negativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não significa que o cidadão perdeu definitivamente o direito ao benefício. Existem diferentes formas de contestar a decisão, apresentar novos documentos ou até buscar a revisão do caso na Justiça.

Neste guia, você entenderá os principais motivos que levam à negativa do benefício, como consultar a justificativa oficial e quais medidas podem aumentar as chances de conseguir a concessão do auxílio.

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O que é o auxílio por incapacidade temporária?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O auxílio por incapacidade temporária é o benefício pago pelo INSS ao segurado que fica impossibilitado de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos em razão de doença ou acidente.

Esse benefício substituiu o antigo auxílio-doença e possui regras previstas na Lei nº 8.213/1991.

Para trabalhadores com carteira assinada, os primeiros 15 dias de afastamento costumam ser pagos pela empresa. A partir do 16º dia, caso sejam preenchidos os requisitos legais, o pagamento passa a ser de responsabilidade do INSS.

Quem pode receber o benefício?

De forma geral, o segurado deve cumprir alguns requisitos fundamentais:

  • possuir qualidade de segurado;
  • comprovar incapacidade temporária para o trabalho;
  • cumprir a carência mínima de 12 contribuições mensais, quando exigida;
  • apresentar documentação médica suficiente para comprovar a incapacidade.

A análise é realizada por meio da perícia médica do INSS.

Por que o INSS pode negar o benefício?

Existem diversas razões para o pedido ser indeferido. A justificativa oficial pode ser consultada no processo administrativo disponível no portal Meu INSS.

Entre os motivos mais frequentes estão:

Falta de comprovação da incapacidade

Este é o motivo mais comum.

Ter uma doença não garante automaticamente o benefício. O que o INSS avalia é se aquela condição realmente impede o trabalhador de exercer sua atividade profissional.

Por exemplo:

  • um motorista profissional com fortes crises de epilepsia pode ficar totalmente incapacitado para trabalhar;
  • já uma pessoa que exerce atividades administrativas poderá ter capacidade laboral preservada dependendo do caso.

Cada profissão exige uma análise individual.

Perda da qualidade de segurado

A Previdência Social protege quem mantém vínculo com o sistema ou ainda está dentro do chamado período de graça.

Quando esse prazo termina sem novas contribuições, o trabalhador pode perder o direito a diversos benefícios previdenciários.

Carência insuficiente

Na maioria dos casos, o auxílio exige pelo menos 12 contribuições mensais.

Se esse requisito não for cumprido, o benefício poderá ser negado, salvo nas hipóteses previstas em lei.

Documentação médica incompleta

Muitos pedidos são recusados porque os documentos apresentados possuem falhas.

Os laudos médicos devem conter:

  • diagnóstico;
  • CID (quando aplicável);
  • assinatura e CRM do médico;
  • data de emissão;
  • descrição da incapacidade;
  • prazo estimado de afastamento.

Documentos antigos ou pouco detalhados podem enfraquecer o pedido.

Existem doenças que dispensam a carência?

Sim.

A legislação prevê situações em que o segurado pode receber o benefício mesmo sem cumprir as 12 contribuições mensais.

Entre elas estão doenças graves previstas em normas do Ministério da Saúde e do Ministério da Previdência Social, como:

  • tuberculose ativa;
  • hanseníase;
  • neoplasia maligna (câncer);
  • esclerose múltipla;
  • doença de Parkinson;
  • cardiopatia grave;
  • síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids);
  • cegueira;
  • paralisia irreversível e incapacitante;
  • nefropatia grave, entre outras previstas na legislação.

Vale lembrar que a simples existência da doença não garante automaticamente o benefício. Ainda é necessário demonstrar a incapacidade para o trabalho.

Como consultar o motivo da negativa?

O trabalhador pode verificar a decisão pelos canais oficiais do INSS.

As principais opções são:

Meu INSS

O portal e aplicativo Meu INSS permitem acessar todo o histórico do pedido, incluindo o motivo do indeferimento.

Central 135

Também é possível obter informações pela Central de Atendimento 135, disponível em dias úteis.

Carta de decisão

Em alguns casos, o INSS envia uma comunicação oficial ao endereço cadastrado pelo segurado.

O que fazer quando o benefício é negado?

Depois de identificar o motivo da negativa, existem diferentes alternativas.

A escolha depende da situação de cada trabalhador.

1. Entrar com recurso administrativo

O segurado pode recorrer da decisão dentro do prazo previsto pelo INSS.

Nesse recurso, é importante apresentar:

  • novos exames;
  • laudos atualizados;
  • documentos que reforcem a incapacidade;
  • argumentos técnicos que contestem a decisão da perícia.

O recurso é analisado por instância administrativa diferente daquela que proferiu a decisão inicial.

Embora seja uma opção gratuita, a análise pode levar meses.

2. Fazer um novo pedido

Em determinadas situações, pode ser mais vantajoso apresentar um novo requerimento.

Isso costuma acontecer quando:

  • surgiram novos exames;
  • houve agravamento da doença;
  • o primeiro pedido apresentou documentação insuficiente.

Antes de fazer isso, porém, é importante avaliar se a estratégia não causará perda de parcelas retroativas.

3. Buscar a Justiça

Quando há fortes indícios de que o INSS errou na avaliação, o trabalhador pode recorrer ao Poder Judiciário.

Na Justiça, normalmente é realizada uma nova perícia médica por profissional nomeado pelo juiz.

Essa avaliação costuma ser mais detalhada e considera:

  • exames médicos;
  • histórico clínico;
  • profissão exercida;
  • limitações reais do segurado.

Caso o direito seja reconhecido, o beneficiário poderá receber também os valores atrasados, observadas as regras legais aplicáveis.

O que fazer se o médico da empresa impedir o retorno ao trabalho?

Uma situação bastante conhecida ocorre quando:

  • o INSS afirma que o trabalhador está apto;
  • a empresa entende que ele ainda não pode retornar.

Esse conflito é conhecido popularmente como limbo previdenciário trabalhista.

Nessa situação, o empregado pode ficar temporariamente sem salário e sem benefício.

Cada caso deve ser analisado individualmente, podendo envolver medidas administrativas, negociação com a empresa ou até ação judicial.

Como aumentar as chances de aprovação?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Algumas atitudes fazem diferença durante o processo.

Mantenha a documentação atualizada

Leve exames recentes.

Quanto mais atualizadas forem as informações médicas, maior será a possibilidade de comprovar a incapacidade.

Apresente laudos completos

O relatório médico deve explicar:

  • diagnóstico;
  • sintomas;
  • limitações funcionais;
  • tratamento realizado;
  • previsão de recuperação;
  • impacto da doença na atividade profissional.

Quanto mais detalhado, melhor.

Organize todo o histórico médico

Receitas, exames, internações, prontuários e atestados ajudam a demonstrar a evolução da doença.

Explique sua atividade profissional

A incapacidade sempre é analisada em relação ao trabalho exercido.

Por isso, é importante deixar claro quais funções são desempenhadas e por que elas não podem ser realizadas naquele momento.

Vale a pena contratar um advogado?

A contratação de advogado não é obrigatória para apresentar recurso administrativo ao INSS.

Entretanto, quando há negativa por incapacidade, especialmente em casos complexos ou quando o segurado pretende ingressar na Justiça, a orientação de um profissional especializado em Direito Previdenciário pode ajudar na organização das provas e na definição da estratégia mais adequada.

Perguntas frequentes

O INSS pode negar o benefício mesmo com atestado médico?

Sim. O atestado é um elemento importante, mas a decisão considera o conjunto das provas e a conclusão da perícia médica do INSS.

Posso trabalhar enquanto recorro da decisão?

Depende da situação clínica e das regras aplicáveis ao caso. Se o trabalhador estiver realmente incapacitado, retornar ao serviço pode agravar seu estado de saúde e gerar outros problemas trabalhistas.

Quanto tempo tenho para recorrer?

O prazo do recurso administrativo é definido pelo INSS e deve ser observado a partir da ciência da decisão. Por isso, é importante consultar rapidamente o resultado no Meu INSS.

É possível receber os valores retroativos?

Sim. Se o benefício for concedido posteriormente, inclusive por decisão judicial, podem existir parcelas retroativas, conforme a data de entrada do requerimento e as regras aplicáveis ao caso.

Conclusão

Ter o auxílio por incapacidade temporária negado pelo INSS não significa, necessariamente, que o trabalhador perdeu seu direito. Em muitos casos, a decisão pode ser revertida com documentação médica mais completa, recurso administrativo ou ação judicial.

O mais importante é identificar exatamente o motivo da negativa, reunir provas atualizadas e escolher a estratégia mais adequada para o caso concreto. Agir rapidamente e utilizar os canais oficiais do INSS pode evitar atrasos e aumentar as chances de obter o benefício durante o período de recuperação.

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