O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou a suspensão imediata da cobrança do seguro prestamista nas operações de crédito consignado realizadas por aposentados e pensionistas. O termo de compromisso foi firmado com o Banco Inter, a Facta Financeira e a Cobuccio Sociedade de Crédito Direto, que agora estão obrigadas a interromper a prática e devolver valores cobrados de forma irregular.
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A decisão marca mais um passo do governo federal na tentativa de coibir abusos cometidos por instituições financeiras contra beneficiários do INSS, um público considerado especialmente vulnerável a ofertas indevidas de crédito.
O que é o seguro prestamista e por que ele foi suspenso

O seguro prestamista, também conhecido como “proteção financeira” ou “seguro de vida prestamista”, é um serviço adicional oferecido junto a contratos de empréstimos. Ele tem a função de quitar a dívida em caso de morte, invalidez ou outras situações previstas na apólice.
No entanto, o INSS identificou que algumas instituições financeiras vinham incluindo o seguro de forma automática, sem autorização expressa do consumidor. Essa prática foi considerada abusiva e, por isso, o instituto decidiu suspender imediatamente as operações que envolviam essa cobrança indevida.
A partir de agora, Banco Inter, Facta Financeira e Cobuccio ficam proibidas de ofertar ou incluir esse tipo de seguro em qualquer contratação ou refinanciamento de crédito consignado que tenha desconto direto no benefício previdenciário.
Como será feita a devolução dos valores cobrados
Segundo o termo de compromisso firmado, as instituições financeiras deverão restituir os valores cobrados indevidamente, caso seja comprovada a irregularidade em processo administrativo. O reembolso será garantido após a análise dos casos, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.
O INSS explicou que a restituição poderá ocorrer por meio de crédito direto na conta do beneficiário ou abatimento em parcelas futuras, dependendo da modalidade contratual. A prioridade será atender aposentados e pensionistas que tiveram descontos recorrentes em seus benefícios sem autorização.
A investigação e a suspensão das operações
Em outubro, o INSS já havia suspendido novas operações de crédito consignado com as três instituições envolvidas. A decisão foi tomada após investigações conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e outros órgãos do governo, que apuraram possíveis irregularidades.
Na ocasião, o INSS afirmou que a medida era necessária “para cessar as irregularidades e salvaguardar o interesse público, até a conclusão definitiva dos processos de apuração”. Agora, com o termo de compromisso, o órgão sinaliza um avanço no diálogo com as financeiras e o início de uma fase de regularização das operações.
O posicionamento das instituições financeiras
O Banco Inter confirmou que assinou o termo de compromisso e que está autorizado a restabelecer a oferta de crédito consignado. Contudo, o banco não informou detalhes sobre a forma de cobrança anterior nem sobre o valor total a ser devolvido.
A Facta Financeira também confirmou o acordo e afirmou que voltará a operar com crédito consignado assim que a autorização for publicada no Diário Oficial da União. Segundo a empresa, suas atividades sempre foram realizadas dentro das normas legais e com transparência.
A Cobuccio Sociedade de Crédito Direto, por outro lado, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso até a última atualização desta reportagem.
A situação do Banco BMG
Além dessas instituições, o Banco BMG também foi alvo de medidas do INSS. O banco assinou um termo de compromisso relacionado às operações de crédito consignado e se comprometeu a devolver mais de R$ 7 milhões a cerca de 100 mil beneficiários da Previdência Social.
A devolução será feita diretamente nas faturas dos clientes, permitindo que os valores sejam identificados de forma transparente. Apesar disso, o banco ainda não está autorizado a realizar novas operações de crédito consignado. Essa liberação só deve ocorrer após a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), prevista para os próximos dias.
O impacto da decisão para os aposentados e pensionistas
A medida do INSS é vista como uma forma de proteção ao consumidor, especialmente para o público idoso, que é o principal alvo das ofertas de crédito consignado. Muitas vezes, os aposentados acabam aceitando contratos sem entender completamente os custos embutidos, o que leva ao endividamento e à perda de parte significativa de sua renda mensal.
Com a suspensão da cobrança de seguros não autorizados, o instituto busca assegurar que o crédito consignado volte a ser uma ferramenta de apoio financeiro e não de exploração econômica.
Regras continuam em análise
Mesmo com os acordos firmados, o INSS ainda mantém a supervisão das operações e reforça que outros bancos estão sendo monitorados. O órgão informou que diversas instituições financeiras estão revendo voluntariamente suas práticas comerciais para evitar futuras sanções.
A expectativa é que, com o fortalecimento das normas de transparência e fiscalização, o número de fraudes e cobranças indevidas reduza significativamente nos próximos meses.
Como os beneficiários podem conferir cobranças indevidas
Os aposentados e pensionistas que suspeitam de descontos irregulares podem verificar seus extratos de pagamento diretamente no aplicativo ou site “Meu INSS”. Na plataforma, é possível visualizar o histórico detalhado dos descontos e identificar cobranças não reconhecidas.
Caso o beneficiário identifique irregularidades, deve registrar uma denúncia na Ouvidoria do INSS ou junto ao Procon. Também é possível solicitar o cancelamento do contrato e o reembolso dos valores cobrados indevidamente.
Passo a passo para denunciar
- Acesse o aplicativo ou site “Meu INSS”.
- Verifique os descontos do benefício na aba “Extrato de pagamento”.
- Anote o nome da instituição e o valor descontado.
- Registre uma reclamação na Ouvidoria do INSS pelo número 135 ou pelo portal do governo federal.
- Guarde o número do protocolo para acompanhar o andamento do processo.
O futuro do crédito consignado no Brasil
Com o aumento das medidas de controle e a exigência de transparência nas operações, o mercado de crédito consignado tende a passar por uma reestruturação. As novas regras buscam garantir que os contratos sejam mais claros, acessíveis e livres de cobranças abusivas.
Especialistas em direito do consumidor apontam que a decisão do INSS deve servir de exemplo para todo o sistema financeiro, reforçando a importância de respeitar a autonomia e o consentimento do cliente.
Além disso, o governo pretende ampliar a educação financeira entre os aposentados, ajudando-os a compreender melhor as condições de crédito e a evitar armadilhas comuns, como seguros desnecessários e refinanciamentos disfarçados.
Proteção e transparência no crédito consignado

A suspensão da cobrança do seguro prestamista pelo INSS representa uma vitória significativa para aposentados e pensionistas de todo o país. A medida fortalece a proteção dos beneficiários, garante mais transparência e reforça o compromisso do governo com o combate a práticas abusivas no sistema financeiro.
Com o acompanhamento contínuo dos órgãos de controle e a colaboração das instituições financeiras, o crédito consignado pode retomar sua função original: oferecer acesso justo e seguro a crédito, sem comprometer a dignidade e a renda dos cidadãos.
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