O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, anunciou nesta segunda-feira (5) que está adotando uma série de ações para resolver definitivamente o problema dos descontos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A medida busca corrigir uma prática ilegal identificada ainda em 2019, que prejudicou milhares de segurados da Previdência Social em todo o país.
INSS: governo implementa mudanças importantes nos descontos, diz Marinho
Governo Lula anuncia plano para devolver valores descontados ilegalmente de aposentados e pensionistas do INSS, com respaldo da CGU e mais!
As declarações foram dadas pelo ministro Luiz Marinho, durante a abertura da Semana do Trabalho, em Brasília, e contam com o respaldo direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou pessoalmente a devolução dos valores aos cidadãos afetados.
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Uma fraude que se arrasta desde 2019
Durante o evento, Marinho destacou que os descontos indevidos referentes a mensalidades de associações e entidades diversas, muitas vezes sem consentimento dos segurados, ocorrem desde 2019. Apesar disso, foi apenas em 2024 que o caso ganhou força institucional, com uma ação coordenada do governo federal para identificar os responsáveis, interromper os repasses irregulares e promover o ressarcimento das vítimas.
“O que importa é que a gente resolva. O ministro Volney Queiroz está com as ferramentas e com o respaldo do governo para tomar as medidas necessárias”, afirmou Marinho.
CGU, AGU e Polícia Federal à frente da investigação
Segundo o governo, a Controladoria-Geral da União (CGU) foi o órgão que iniciou a investigação, apontando indícios de fraudes em descontos realizados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. O trabalho de auditoria evoluiu para uma operação conjunta com a Polícia Federal, que identificou um esquema envolvendo entidades de fachada e associações fantasmas.
O secretário nacional de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho, reforçou que essa é uma ação de fiscalização interna do próprio governo Lula. “É um governo que se autofiscaliza. A denúncia partiu de dentro, da CGU”, frisou.
Ação integrada com devolução garantida
Diante das irregularidades comprovadas, foi criado um Grupo Especial coordenado pela Advocacia-Geral da União (AGU), com suporte técnico da Dataprev e do próprio INSS, para estruturar uma solução prática e legal que permita devolver os valores descontados ilegalmente aos aposentados.
Esse plano recebeu o nome de Plano de Ressarcimento Excepcional, e está em fase avançada de elaboração. Segundo Carvalho, apesar de não haver um prazo imediato para os pagamentos, a orientação do presidente Lula é clara: nenhum aposentado pode ser lesado.
“O aposentado pode ficar tranquilo, ele vai receber de volta. Não dá para ser do dia para a noite, pois há um trâmite legal. Mas a decisão do presidente é de que ninguém saia prejudicado”, garantiu.
Ressarcimento: como será feito?

Ainda não há uma data oficial para o início dos ressarcimentos, mas o governo já sinalizou como o processo deverá funcionar. A seguir, listamos as etapas prováveis:
Identificação dos prejudicados
A Dataprev está realizando o cruzamento de dados entre os registros de benefícios do INSS e os lançamentos de descontos realizados nos últimos anos. A verificação considera:
- Descontos realizados sem autorização expressa;
- Entidades que não possuem registro legal;
- Falta de transparência nas cobranças;
- Relatos de segurados ao INSS e ao Ministério Público.
Cálculo dos valores devidos
Após a identificação, cada beneficiário terá o valor total do prejuízo apurado com base nas folhas de pagamento antigas. O objetivo é realizar o reembolso integral, com eventuais correções monetárias.
Forma de devolução
A expectativa é que os valores sejam depositados diretamente na conta bancária em que o beneficiário recebe sua aposentadoria ou pensão, evitando qualquer necessidade de solicitação manual por parte do cidadão.
Divulgação oficial e suporte
O INSS deverá abrir um canal de atendimento exclusivo para tirar dúvidas sobre o ressarcimento, além de lançar um site para consulta de valores e situação do processo. Também serão divulgadas datas estimadas de pagamento para cada grupo.
Quantos foram afetados?
Ainda não há uma estimativa oficial consolidada do número total de aposentados e pensionistas lesados, mas o Ministério da Previdência estima que milhares de beneficiários possam ter sido impactados por descontos indevidos recorrentes, alguns ultrapassando os R$ 100 mensais.
De acordo com investigações preliminares, mais de R$ 6 bilhões podem ter sido desviados por meio dessas cobranças indevidas entre 2019 e 2024.
Fraude investigada: como funcionava o esquema?
A apuração aponta que entidades fraudulentas conseguiam autorização junto ao INSS para aplicar descontos associativos automáticos nos benefícios de segurados, sem que houvesse real consentimento. Entre os métodos usados, destacam-se:
- Cadastros fraudulentos, utilizando dados falsos ou obtidos indevidamente;
- Assinaturas forjadas ou digitais não reconhecidas;
- Ofertas enganosas por telefone ou WhatsApp prometendo vantagens em troca da filiação;
- Uso de intermediários dentro de instituições para acelerar processos de inclusão dos descontos.
A resposta do governo Lula
Durante pronunciamento em rede nacional, na véspera do Dia do Trabalhador, o presidente Lula mencionou diretamente o escândalo envolvendo os descontos nos benefícios do INSS. Ele reafirmou o compromisso de seu governo com a transparência, justiça social e respeito aos aposentados.
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A iniciativa faz parte de uma agenda mais ampla do governo voltada à proteção dos mais vulneráveis, que inclui ainda o fortalecimento do CadÚnico, reestruturação de políticas de crédito e revisão de contratos bancários com idosos.
O que fazer se você foi vítima?
O beneficiário que identificar algum desconto não autorizado pode seguir os seguintes passos:
Passo 1 – Consultar extratos
Verifique no site ou aplicativo Meu INSS os extratos de pagamento dos últimos meses. Observe se há descontos sob a descrição de “mensalidade associativa” ou nome de entidades desconhecidas.
Passo 2 – Registrar reclamação
Caso encontre alguma irregularidade, registre uma reclamação via:
- Central 135 do INSS;
- Portal Gov.br;
- Presencialmente em uma Agência da Previdência Social.
Passo 3 – Solicitar bloqueio
Peça o bloqueio preventivo de novos descontos não autorizados. Isso pode ser feito direto no aplicativo Meu INSS, na opção “Bloquear desconto de associações”.
Passo 4 – Acompanhar o processo
Fique atento às atualizações sobre o Plano de Ressarcimento Excepcional, que será divulgado no portal oficial do INSS e em comunicados do governo.
Um alerta para o futuro

O caso serve de alerta para que aposentados e pensionistas fiquem atentos a qualquer movimentação anormal nos seus benefícios. Especialistas recomendam:
- Monitoramento mensal dos extratos;
- Desconfiança de ligações oferecendo filiações;
- Recusa de qualquer proposta que envolva o fornecimento do número do benefício (NB) ou senha;
- Uso exclusivo dos canais oficiais para alterar dados ou autorizar descontos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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