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Institucionais mantêm aposta no Ethereum apesar de desempenho inferior ao Bitcoin

Apesar do desempenho inferior ao Bitcoin, investidores institucionais mantêm alocação em Ethereum via ETFs. Análise mostra perfil diversificado.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Ethereum

A ascensão dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos impulsionou fortemente o preço da maior criptomoeda do mercado, mas o mesmo não pode ser dito sobre o Ethereum. Desde a estreia dos ETFs baseados em Ether (ETH), o ativo tem enfrentado uma trajetória de desvalorização.

Apesar disso, análises recentes mostram que os investidores institucionais ainda não abandonaram o segundo maior criptoativo do mundo em termos de capitalização de mercado.

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ETFs de Ethereum: uma estreia aquém das expectativas

Desde que os ETFs de Ethereum começaram a ser negociados nos Estados Unidos, os números revelam um cenário de modesto entusiasmo. De acordo com dados atualizados do CoinMarketCap, os produtos financeiros lastreados em Ether somam US$ 8,67 bilhões em ativos sob gestão. Em comparação, os ETFs de Bitcoin acumulam um volume muito superior, de US$ 113,95 bilhões.

Essa discrepância representa uma diferença significativa em termos percentuais: os ETFs de Ethereum respondem por apenas 7,6% do total investido nesses instrumentos, enquanto o Bitcoin domina com larga vantagem.

Essa proporção é compatível com a fatia de mercado do Ether dentro do universo cripto, mas ficou bem abaixo das expectativas iniciais dos analistas, que projetavam uma participação de no mínimo 10% a 15%.

Impacto no preço do ETH

O desempenho do preço do Ether após o lançamento dos ETFs nos EUA foi, para dizer o mínimo, decepcionante. Em 23 de julho — data da estreia — a criptomoeda fechou cotada a US$ 3.482. Desde então, sofreu uma retração acumulada de cerca de 44%.

No mesmo período, o Bitcoin teve um desempenho radicalmente diferente: o preço do BTC mais do que dobrou, impulsionado principalmente pela demanda institucional via ETFs, pelo halving e pelo ambiente macroeconômico favorável às teses de reserva de valor.

Institucionais não abandonam o Ethereum

Ethereum 2.0
Imagem: AlekseyIvanov / Shutterstock.com

Mesmo com a performance aquém do esperado, o Ethereum segue atraindo alocadores institucionais. Um estudo assinado por Gino Matos, analista da Modular Crypto, mostra que a tese de investimento em ETH ainda encontra respaldo em grupos sofisticados do mercado financeiro.

A pesquisa indica que há uma gama significativa de investidores institucionais que mantêm posições em ETFs de Ethereum, embora em volumes menores do que os aportes observados nos fundos de Bitcoin. A diferença está no perfil e na estratégia de alocação desses investidores.

Family offices: maior apetite por risco

Entre os grupos com maior exposição proporcional ao Ethereum estão os family offices — empresas que administram o patrimônio de famílias ricas, com maior flexibilidade para operar em nichos de alto risco e retorno.

Os dados mostram que essas estruturas alocam 0,62% de seu total de ativos sob gestão em ETFs de Ethereum, o que representa cerca de 25% do portfólio de criptoativos dessas entidades.

Em comparação, a alocação em Bitcoin é relativamente menor. Isso sugere que os family offices estão mais dispostos a apostar em ativos como o ETH, que oferecem potencial de valorização mais agressiva, ainda que com maior volatilidade.

Fundos de hedge e RIAs: exposição mais cautelosa

Por outro lado, fundos de hedge e gestores de investimentos registrados (RIAs, na sigla em inglês) também demonstram interesse pelo Ethereum, mas de forma mais contida. Esses fundos detêm, respectivamente, US$ 1,74 bilhão e US$ 2 bilhões em produtos vinculados ao ETH.

Contudo, em termos proporcionais, essas posições representam apenas entre 4,5% e 5,8% do total de seus investimentos em criptomoedas — uma fatia consideravelmente menor do que a dedicada ao Bitcoin.

A escolha reflete uma abordagem mais conservadora desses gestores institucionais, que priorizam ativos mais consolidados e líquidos como o BTC.

Ethereum atrai perfis institucionais distintos

Apesar de a participação em ETFs de Ethereum ainda ser modesta, nomes de peso no setor financeiro tradicional também integram a lista de investidores expostos ao ativo. Instituições como Goldman Sachs e Jane Street aparecem entre os participantes que detêm posições relevantes tanto em ETFs de Bitcoin quanto de Ethereum.

Esses gigantes de Wall Street enxergam potencial estratégico no ETH, especialmente diante de seu papel central em setores inovadores como contratos inteligentes, tokenização de ativos do mundo real (Real World Assets – RWA) e finanças descentralizadas (DeFi).

Investidores exclusivos em Ethereum

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Curiosamente, o levantamento da Modular Crypto mostra que há investidores institucionais com foco exclusivo nos ETFs de Ethereum, sem exposição equivalente aos produtos de Bitcoin.

É o caso das firmas Elequin, HBK Investments e Almitas Capital, que figuram entre os maiores detentores de instrumentos financeiros ligados ao ETH.

Essa especificidade sinaliza um perfil de investidor menos concentrado, mais voltado para diversificação e para apostas em setores tecnológicos emergentes. Em contraste, os ETFs de Bitcoin atraem gestores com perfil mais tradicional, como Millennium Management e Brevan Howard.

Desempenho ainda é obstáculo para consolidação

A principal incerteza no radar dos investidores institucionais em Ethereum diz respeito à valorização do ativo. Mesmo com as promessas tecnológicas e a liderança em segmentos como RWA e stablecoins, o Ether ainda não reagiu positivamente aos movimentos institucionais.

A análise da Modular Crypto alerta que, caso o preço continue pressionado, parte desses investidores poderá desistir da tese. Isso porque a performance negativa do ativo reduz o atrativo de longo prazo e pode comprometer estratégias de diversificação de risco e retorno.

ETH/BTC aponta possível reversão

Apesar do cenário desafiador, há indícios técnicos de que o momento de reversão pode estar próximo. Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o par ETH/BTC — que mede a força relativa entre Ether e Bitcoin — aproxima-se de um nível chave que, historicamente, antecedeu movimentos explosivos de alta no ETH.

A última vez em que o par ETH/BTC tocou essa região técnica, o Ether valorizou-se em cerca de 450%. Embora o passado não garanta resultados futuros, esse padrão tem chamado a atenção de analistas técnicos e traders experientes.

Outro fator que pode beneficiar o Ethereum no curto prazo é o alívio nas pressões macroeconômicas, como juros mais baixos e menor aversão ao risco no cenário internacional. A melhoria nas condições de liquidez tende a favorecer ativos com fundamentos sólidos e maior beta, como o ETH.

Conclusão: Ethereum ainda tem espaço no portfólio institucional

Ethereum
Imagem: Freepik

Mesmo sem repetir o sucesso estrondoso dos ETFs de Bitcoin, o Ethereum segue como uma peça relevante na estratégia de investidores institucionais. Seu ecossistema robusto, sua utilidade em múltiplos setores da economia digital e o potencial de valorização diante de eventos técnicos sugerem que o ETH ainda pode surpreender.

O desempenho decepcionante até aqui é um alerta, mas não uma sentença definitiva. Os dados revelam que há uma base diversificada de investidores apostando no ativo — e, caso a recuperação de preço se concretize, o Ethereum poderá retomar seu papel de protagonista nos portfólios institucionais.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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