A Intel anunciou na quarta-feira (24) uma nova rodada de cortes em sua força de trabalho global, com a demissão de cerca de 15 mil funcionários até o fim de 2025. A medida faz parte de um processo de reestruturação comandado pelo novo CEO, Lip-Bu Tan, que assumiu o posto após a aposentadoria forçada de Pat Gelsinger. O objetivo, segundo a companhia, é tornar a estrutura mais ágil, horizontal e alinhada aos novos desafios do mercado de semicondutores.
Intel vai demitir mais 15 mil funcionários; entenda a situação
Intel anuncia demissão de 15 mil funcionários em 2025. Reestruturação atinge especialmente a divisão Foundry em disputa com AMD.
Com os cortes recentes e os já realizados nos últimos trimestres, a empresa terá reduzido em 25% o seu quadro funcional apenas em 2025, restando aproximadamente 75 mil colaboradores ativos no encerramento do ano.
Leia Mais:
Moeda de 1 real pode te render R$ 1.000; confira se você tem alguma!
Foco em agilidade e disciplina financeira

Mudança de estratégia sob nova liderança
Lip-Bu Tan, veterano da indústria e ex-CEO da Cadence Design Systems, assumiu o comando da Intel com a missão de restaurar a relevância da companhia em um mercado que vem sendo cada vez mais dominado por rivais como a AMD e a NVIDIA. Em sua primeira reunião fiscal à frente da Intel, Tan destacou que a empresa busca fortalecer o portfólio principal e acelerar iniciativas em inteligência artificial (IA).
“Acreditamos que essas mudanças são necessárias para criarmos uma organização mais disciplinada financeiramente e responsiva às demandas dos nossos clientes”, declarou Tan aos acionistas.
Intel Foundry na mira dos cortes
Embora a empresa não tenha detalhado quais setores serão mais impactados pelas demissões, fontes internas indicam que a Intel Foundry Services (IFS), braço responsável pela fabricação de chips para terceiros, será uma das áreas mais afetadas.
Nos últimos anos, a Intel apostou fortemente no modelo de fundição para competir com líderes do setor como a TSMC e a Samsung. No entanto, o ritmo de adoção e os altos investimentos exigidos não retornaram os lucros esperados até o momento, o que coloca pressão sobre o setor em meio à reestruturação.
Cenário de recuperação financeira e desafios tecnológicos
Receita supera expectativas, mas margens ainda preocupam
Apesar do anúncio das demissões, a Intel divulgou resultados financeiros que superaram as previsões do mercado no segundo trimestre de 2025. A receita chegou a US$ 12,9 bilhões, ligeiramente acima da meta interna de US$ 12,4 bilhões. No entanto, os analistas apontam que o crescimento modesto ainda não é suficiente para sustentar uma recuperação robusta da companhia diante da pressão dos concorrentes.
“A Intel mostra sinais de estabilidade, mas enfrenta uma batalha complexa para retomar o protagonismo perdido nos últimos anos”, avalia o analista sênior de tecnologia, Marcos Bernardes, da consultoria americana InsightTech.
AMD e a ascensão dos chips Ryzen e EPYC
Enquanto a Intel enfrenta uma reorganização interna, a rival AMD continua ganhando terreno, especialmente nas linhas de produtos para desktops e data centers. Com a crescente aceitação dos chips Ryzen, voltados ao consumidor final, e dos processadores EPYC, utilizados em servidores e soluções corporativas, a AMD ampliou sua fatia de mercado em segmentos historicamente dominados pela Intel.
Segundo dados da Mercury Research, a AMD atingiu cerca de 38% de participação no mercado de CPUs x86 no primeiro semestre de 2025, um salto significativo frente aos 27% registrados no mesmo período de 2023. A Intel, por sua vez, perdeu espaço mesmo em categorias onde historicamente era líder incontestável.
Impacto das demissões no setor e nos profissionais

Incertezas para trabalhadores e mercado de semicondutores
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O corte de 15 mil postos de trabalho levanta preocupações não apenas sobre a saúde interna da Intel, mas também sobre o futuro da indústria de semicondutores nos Estados Unidos. Com operações em diversos países e centros de produção localizados principalmente nos EUA, Israel e Irlanda, a Intel não especificou quais regiões serão mais impactadas.
Sindicatos e associações do setor já demonstraram preocupação com o efeito das demissões sobre a economia local e sobre a retenção de talentos em áreas estratégicas, como design de chips e pesquisa em IA. “Há risco de fuga de cérebros para concorrentes ou para startups mais ágeis”, alerta o economista industrial Fabrício Esteves.
Próximos passos: Intel mira IA e parcerias estratégicas
IA como motor de crescimento futuro
Durante a apresentação fiscal, Lip-Bu Tan reforçou que a inteligência artificial será o centro da estratégia futura da Intel. A empresa deve anunciar em breve novos processadores dedicados a IA e parcerias com grandes players do setor de tecnologia e nuvem, como Google, Microsoft e Amazon Web Services (AWS).
“Estamos comprometidos com a inovação. Sabemos que o mercado exige soluções mais rápidas, eficientes e sustentáveis”, pontuou Tan.
Considerações finais
A reestruturação em curso na Intel representa mais do que uma simples reorganização de pessoal. Trata-se de uma tentativa de reposicionar a empresa em um mercado altamente competitivo, que exige constante inovação e agilidade para responder às rápidas transformações tecnológicas.
As 15 mil demissões em 2025 marcam uma das maiores reduções de quadro da história da companhia e evidenciam o desafio de conciliar corte de custos com inovação. Resta saber se o plano de Lip-Bu Tan surtirá o efeito esperado e conseguirá reverter a trajetória de perda de mercado diante de concorrentes mais ágeis e inovadores.
Imagem: JHVEPhoto / shutterstock.com

