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Data centers de IA consomem mais energia e pressionam debate sobre tarifas elétricas

Data centers de inteligência artificial aumentam a demanda por energia. Entenda se esse avanço pode pesar na conta de luz no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Data centers de IA consomem mais energia e pressionam debate sobre tarifas elétricas

A expansão da inteligência artificial (IA) trouxe uma nova preocupação para o setor elétrico: o aumento do consumo de energia dos data centers pode elevar os custos da eletricidade no Brasil?

A resposta não é simplesmente sim ou não. A inteligência artificial exige uma infraestrutura computacional de grande escala, formada por servidores, chips especializados e sistemas de refrigeração que funcionam continuamente. Quanto maior a utilização dessas tecnologias, maior tende a ser a necessidade de eletricidade.

A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers deve praticamente dobrar entre 2025 e 2030, passando de cerca de 485 TWh para aproximadamente 950 TWh. A demanda dos centros voltados especificamente à inteligência artificial deve crescer ainda mais rapidamente.

No Brasil, entretanto, existe uma característica importante: o país possui uma matriz elétrica com forte participação de fontes renováveis. O desafio está em conseguir conectar novas cargas de grande porte ao sistema sem criar gargalos de transmissão ou transferir custos de forma inadequada para os demais consumidores.

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Por que a inteligência artificial consome tanta energia?

Ferramentas de inteligência artificial dependem de enormes estruturas de processamento. Os modelos são treinados e executados em data centers equipados com milhares de servidores e chips de alto desempenho.

Além da energia utilizada diretamente pela computação, os centros precisam de sistemas de refrigeração para controlar a temperatura dos equipamentos. Isso faz com que o consumo total de uma instalação seja significativamente maior do que aquele relacionado apenas aos processadores.

O crescimento também ocorre porque a IA deixou de ser utilizada apenas para treinamento de grandes modelos. Serviços de busca, geração de textos, imagens, vídeos, atendimento automatizado e agentes de inteligência artificial exigem processamento contínuo.

A IEA estima que o consumo de eletricidade dos data centers tenha crescido cerca de 17% em 2025, enquanto a demanda dos centros especializados em IA avançou ainda mais rapidamente.

O Brasil está preparado para receber mais data centers?

O país tem uma vantagem importante: sua matriz elétrica é relativamente limpa e conta com participação expressiva de hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares. Isso torna o Brasil potencialmente atrativo para empresas que procuram energia de menor intensidade de carbono.

Mas ter capacidade de geração não significa necessariamente que a energia esteja disponível no local onde um novo data center será instalado.

É justamente nesse ponto que aparece um dos principais desafios. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) afirma que os data centers são grandes cargas cuja demanda por potência afeta diretamente o planejamento da expansão da transmissão. A instituição acompanha o crescimento dos pedidos de conexão dessas instalações para dimensionar adequadamente a infraestrutura necessária.

Em outras palavras, não basta construir uma usina. Também é necessário contar com linhas de transmissão, subestações e demais equipamentos capazes de levar a eletricidade até o consumidor.

O aumento dos data centers pode encarecer a conta de luz?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Pode haver impacto, mas isso não significa que cada novo data center automaticamente deixará a conta de luz das famílias mais cara.

O efeito depende principalmente de quem arcará com os investimentos necessários para atender essas grandes cargas e de como serão estruturadas as regras de conexão e contratação de energia.

Quando uma empresa de grande porte precisa de uma infraestrutura específica para receber eletricidade, podem existir investimentos diretamente associados ao empreendimento. Porém, determinadas obras de expansão da rede possuem caráter sistêmico e podem beneficiar diferentes consumidores.

Por isso, a discussão regulatória é importante. O objetivo é evitar que o crescimento de um setor específico gere custos desproporcionais para consumidores que não participam diretamente dessa atividade.

A própria EPE destaca que informações sobre a demanda projetada dos data centers são essenciais para encontrar soluções técnico-econômicas adequadas para a expansão do sistema brasileiro.

Brasil terá de produzir mais energia?

Provavelmente, o crescimento da demanda exigirá uma combinação de nova geração, reforços na transmissão e melhorias na operação do sistema.

A projeção conjunta da EPE, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aponta crescimento médio anual de 4% da carga do Sistema Interligado Nacional entre 2026 e 2030. A previsão considera, entre outros fatores, a expansão dos data centers.

Isso mostra que o setor elétrico brasileiro já incorpora esse movimento nos seus estudos de planejamento.

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Ao mesmo tempo, a expansão da geração precisa considerar um problema conhecido no setor: fontes como solar e eólica apresentam produção variável. Portanto, aumentar a oferta não significa apenas instalar mais painéis e aerogeradores. Também são necessários reforços na rede, armazenamento, fontes de geração despacháveis e mecanismos capazes de equilibrar oferta e demanda.

Quem pode pagar essa conta?

Essa é uma das questões mais importantes da expansão da inteligência artificial.

Os data centers são consumidores de grande porte e podem contratar energia diretamente no mercado, além de assumir custos associados às suas conexões conforme as regras aplicáveis.

Por outro lado, investimentos em transmissão e geração que atendem ao sistema como um todo podem envolver mecanismos de rateio definidos pela regulação do setor elétrico.

Na prática, portanto, não é correto afirmar que a inteligência artificial necessariamente aumentará a tarifa residencial. O impacto dependerá das obras necessárias, do modelo de contratação, da regulação e da forma como os custos serão distribuídos.

O risco de pressão sobre custos existe principalmente quando uma expansão muito rápida exige investimentos relevantes antes que o benefício econômico associado às novas cargas esteja plenamente incorporado ao sistema.

A inteligência artificial também pode ajudar o setor elétrico

China
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Existe ainda um contraponto. A mesma tecnologia que aumenta a demanda por eletricidade pode ser usada para tornar o sistema energético mais eficiente.

A IEA destaca que a inteligência artificial pode contribuir para otimizar operações do setor elétrico, melhorar previsões de demanda, identificar falhas e ajudar na integração de fontes renováveis.

No Brasil, isso pode ser especialmente relevante diante da expansão da geração solar e eólica. Sistemas de inteligência artificial podem auxiliar na previsão da produção dessas fontes e no planejamento da operação da rede.

Assim, o impacto da IA sobre a energia não é apenas de aumento de consumo. Existe também a possibilidade de utilizar a tecnologia para reduzir desperdícios e melhorar a eficiência do sistema.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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