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IA criada por ex-Nubank busca crédito barato e impulsiona crescimento acelerado

Criada por ex funcionário do Nubank, Aro usa inteligência artificial para buscar crédito, renegociar dívidas e organizar finanças. Fintech já supera 500 mil usuários.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··11 min de leitura
IA criada por ex-Nubank busca crédito barato e impulsiona crescimento acelerado

Encontrar um empréstimo com condições melhores pode exigir consultas em diferentes bancos, financeiras e aplicativos. Uma fintech brasileira quer reduzir esse trabalho usando inteligência artificial para analisar a situação financeira do consumidor e procurar alternativas de crédito compatíveis com seu perfil.

A Aro foi criada por Pedro Milanez, primeiro funcionário do Nubank, e Yuri Mannes. A empresa desenvolveu uma espécie de assistente financeiro que combina inteligência artificial e dados autorizados pelo próprio consumidor para localizar crédito e oportunidades de renegociação.

Em apenas oito meses, a fintech afirma ter multiplicado sua base de clientes por 26 e ultrapassado 500 mil cadastros. Outra publicação especializada divulgada em 25 de agosto já aponta aproximadamente 600 mil usuários cadastrados, indicando que os números seguem avançando rapidamente.

A proposta, porém, vai além de indicar onde existe um empréstimo disponível. A Aro pretende acompanhar contas, parcelas e despesas para funcionar como um assistente financeiro dentro do celular.

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Como funciona a IA criada pelo ex-Nubank?

IA criada por ex-Nubank
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A ideia da Aro é reunir informações financeiras que normalmente ficam espalhadas entre diferentes instituições.

Com autorização do usuário, a plataforma pode analisar dados como saldo disponível, movimentações, faturas, empréstimos, dívidas e informações usadas para avaliar o perfil de crédito.

Boa parte dessa estrutura está relacionada ao Open Finance, sistema que permite ao consumidor autorizar o compartilhamento de informações entre instituições financeiras.

Com esses dados, a inteligência artificial tenta identificar a necessidade daquele cliente e cruzá-la com as opções oferecidas pelas empresas conectadas à plataforma.

A Aro já possui mais de 40 instituições e parceiros financeiros integrados ao ecossistema.

Na prática, em vez de o consumidor acessar diversos aplicativos para descobrir onde poderia conseguir dinheiro, o sistema tenta fazer essa busca em um único ambiente.

IA procura crédito de acordo com o perfil do consumidor

O crédito foi escolhido como uma das primeiras áreas de atuação da fintech.

Imagine uma pessoa que precise de R$ 5 mil para reorganizar suas contas. Normalmente, ela poderia consultar o banco onde recebe o salário, verificar aplicativos de empréstimo e comparar propostas de diferentes financeiras.

Na Aro, a proposta é diferente.

O consumidor informa quanto precisa e o motivo da busca. A inteligência artificial considera as informações disponíveis e procura alternativas dentro da rede de instituições integradas.

Isso pode ser especialmente relevante porque o mercado de crédito brasileiro é bastante segmentado.

Existem instituições especializadas em trabalhadores com carteira assinada, profissionais autônomos, motoristas de aplicativo, servidores públicos e outros grupos.

Uma pessoa recusada por um banco, portanto, não necessariamente será recusada por todas as instituições.

Aro também ajuda a renegociar dívidas

Outra frente da plataforma é a renegociação.

A inteligência artificial pode apresentar débitos existentes e indicar possibilidades de negociação oferecidas por empresas conectadas ao sistema.

Dependendo da situação, o consumidor consegue visualizar descontos, parcelas e outras condições disponíveis.

Esse tipo de ferramenta chega em um momento de forte pressão financeira sobre as famílias brasileiras.

Dados da Serasa mostram que o Brasil atingiu 81,7 milhões de consumidores inadimplentes em fevereiro de 2026, maior resultado até então da série histórica. Essas pessoas acumulavam mais de 332 milhões de dívidas.

Em uma década, o número de consumidores inadimplentes aumentou cerca de 38%. A dívida média por pessoa, considerando valores corrigidos pela inflação, passou de R$ 5.880,02 em 2016 para R$ 6.598,13 em 2026.

Esse cenário ajuda a explicar por que ferramentas voltadas à renegociação e comparação de crédito encontram um mercado tão amplo no país.

Crédito mais barato não significa necessariamente crédito bom

Apesar da facilidade proporcionada pela tecnologia, encontrar um empréstimo disponível não significa que contratar seja sempre a melhor decisão.

Esse é um ponto importante para quem utilizar plataformas de comparação de crédito.

O consumidor deve avaliar principalmente o Custo Efetivo Total (CET) da operação, e não somente o valor da parcela.

O CET inclui juros, tarifas, seguros e outras despesas que podem estar associadas ao contrato.

Um empréstimo com prestação mensal de R$ 300 pode parecer mais barato do que outro de R$ 400, por exemplo. Porém, se o primeiro tiver um prazo muito maior, o consumidor pode acabar pagando significativamente mais até quitar a dívida.

A mesma cautela vale para renegociações.

Trocar uma dívida cara por outra mais barata pode ser vantajoso. Contratar um novo empréstimo apenas para ganhar dinheiro disponível no curto prazo, sem reorganizar o orçamento, pode ampliar o endividamento.

Como saber se vale a pena trocar uma dívida por outra?

Antes de contratar um crédito sugerido por qualquer plataforma, o consumidor pode fazer algumas comparações simples.

O primeiro passo é descobrir quanto ainda seria necessário pagar na dívida atual.

Depois, deve verificar quanto custará o novo contrato até a última parcela.

Também é necessário comparar as taxas e o CET das duas operações.

Imagine uma dívida cuja quitação exigiria R$ 8 mil. Se outro banco oferecer R$ 8 mil com condições que resultarão em um pagamento total de R$ 6.800 após uma renegociação estruturada, pode existir uma vantagem financeira.

Mas se o novo empréstimo gerar R$ 10 mil ou R$ 12 mil em pagamentos futuros, simplesmente trocar uma dívida pela outra provavelmente não resolverá o problema.

Quem criou a Aro?

Um dos fundadores da fintech é Pedro Milanez, profissional com uma ligação direta com o início da história do Nubank.

Antes de entrar na instituição financeira, Milanez trabalhava com tecnologia móvel.

Formado em Sistemas de Informação, ele criou uma empresa especializada no desenvolvimento de aplicativos durante os primeiros anos de expansão dos smartphones.

O negócio acabou sendo vendido para o Magazine Luiza em 2013.

Naquele período, Milanez conheceu os fundadores do Nubank e se tornou o primeiro funcionário contratado pela fintech.

Inicialmente, trabalhou com o produto para dispositivos móveis e com a experiência do usuário. Depois, passou a atuar na operação relacionada ao cartão de crédito.

Ele permaneceu aproximadamente cinco anos na empresa.

Anos depois, a rápida evolução da inteligência artificial levou o empreendedor a apostar em outra transformação tecnológica: a possibilidade de substituir parte das tarefas normalmente executadas pelo próprio consumidor por agentes capazes de agir a partir de objetivos.

Foi dessa tese que nasceu a Aro, fundada ao lado de Yuri Mannes.

Fintech recebeu investimento milionário

Antes de atingir a atual escala, a Aro também captou recursos de fundos de venture capital.

A própria companhia anunciou uma rodada pré-seed de US$ 2,5 milhões, coliderada por ONEVC e 17Sigma, com participação de Norte Ventures, Gilgamesh Ventures e Grão VC.

Quando essa captação foi divulgada, a plataforma informava já ter sido utilizada por mais de 100 mil pessoas desde o início de seu produto mínimo viável, em novembro de 2025.

O crescimento posterior foi acelerado.

Em agosto de 2026, a companhia já falava em mais de meio milhão de cadastros e em uma expansão de 26 vezes no período de oito meses.

Como a Aro ganha dinheiro se o usuário não paga?

O modelo adotado pela fintech prevê acesso gratuito para o consumidor.

Isso não significa que a empresa opere sem receita.

Quando uma pessoa contrata determinados produtos financeiros ou conclui uma renegociação dentro da plataforma, a Aro pode ser remunerada pela instituição parceira responsável pela operação.

Esse tipo de modelo é comum em marketplaces financeiros.

Uma plataforma pode, por exemplo, aproximar uma pessoa interessada em empréstimo de uma instituição disposta a concedê-lo e receber uma comissão pela contratação.

Para o consumidor, isso cria um ponto importante de atenção.

É necessário verificar as condições de cada proposta e não considerar automaticamente que a primeira oferta apresentada é a mais barata de todo o mercado.

Comparar CET, quantidade de parcelas, juros e valor total pago continua sendo fundamental.

Empresa tem apenas 20 funcionários

Outro aspecto que chama atenção é o tamanho da operação.

Mesmo com centenas de milhares de usuários cadastrados, a Aro afirma trabalhar com uma equipe de aproximadamente 20 pessoas.

Boa parte do primeiro contato com os clientes é realizada pelos próprios agentes de inteligência artificial.

Quando necessário, determinadas situações podem ser encaminhadas para atendimento humano.

A estratégia representa uma tendência crescente entre empresas criadas nos últimos anos: estruturar processos desde o início para que a IA execute parte considerável das tarefas repetitivas.

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Isso permite atender um volume maior de usuários sem aumentar a equipe na mesma proporção.

Aplicativo quer ir além dos empréstimos

A ambição da Aro é transformar o agente de inteligência artificial em uma espécie de organizador financeiro pessoal.

Entre as funções planejadas estão acompanhamento de despesas, organização das contas e controle das parcelas de empréstimos contratados.

Um exemplo seria o agente identificar que uma prestação vencerá em poucos dias e alertar o usuário antes que haja atraso e cobrança de encargos.

Em etapas futuras, a fintech pretende permitir que algumas contas sejam pagas a partir da própria interação com o assistente, mediante autorização do consumidor.

Outros produtos financeiros também podem entrar na plataforma.

Seguros e investimentos aparecem entre as possibilidades de expansão mencionadas pela empresa.

IA pode começar a negociar com bancos pelo consumidor?

Esse é justamente um dos movimentos mais relevantes por trás do crescimento dos chamados agentes de inteligência artificial.

Os chatbots tradicionais normalmente aguardam uma pergunta e retornam uma resposta.

Um agente pretende ir além.

Se o usuário disser que precisa reduzir o custo de uma dívida, por exemplo, o sistema pode analisar os dados autorizados, encontrar as instituições adequadas, comparar possibilidades e conduzir diferentes etapas do processo.

A decisão final continua dependendo do consumidor e das autorizações necessárias.

Mas parte do trabalho de pesquisar, organizar informações e navegar entre serviços pode ser automatizada.

No setor financeiro, isso pode mudar a disputa pela relação com o cliente.

Durante a expansão dos bancos digitais, o aplicativo substituiu boa parte das visitas às agências. Agora, empresas como a Aro apostam que a próxima transformação poderá ocorrer quando o consumidor deixar de navegar por dezenas de menus e passar simplesmente a dizer ao agente o que pretende fazer.

Cuidados antes de compartilhar dados financeiros com uma IA

Inteligência artificial
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A praticidade também exige atenção.

Informações como saldo, empréstimos, gastos e faturas estão entre os dados mais sensíveis da vida financeira de uma pessoa.

Antes de autorizar qualquer plataforma a acessá-los, o consumidor deve entender quais informações serão compartilhadas e por quanto tempo essa autorização permanecerá válida.

No Open Finance, o compartilhamento depende do consentimento do cliente e segue regras específicas.

Também é importante verificar a identidade da empresa antes de inserir informações pessoais ou iniciar uma contratação.

Golpistas frequentemente usam nomes de bancos, fintechs e plataformas conhecidas para criar páginas falsas e solicitar Pix, senhas ou outros dados.

Nenhuma oferta de crédito deve ser aceita apenas pela sensação de urgência.

Aro pode buscar novos investidores em 2027

Depois do crescimento acelerado em seu primeiro ano de operação, a fintech já considera uma nova rodada de investimentos.

Segundo Pedro Milanez, a possibilidade pode começar a ser discutida no início de 2027.

Os recursos poderiam acelerar principalmente a expansão das funcionalidades e a integração da plataforma com outras empresas.

Uma das estratégias estudadas é levar o agente financeiro da Aro para aplicativos de terceiros, fazendo com que a tecnologia não fique limitada ao próprio aplicativo da fintech.

IA abre uma nova disputa no mercado financeiro

O crescimento da Aro mostra como a inteligência artificial começa a disputar um espaço que até recentemente era dominado pelos aplicativos bancários tradicionais.

Primeiro, os bancos digitais colocaram cartão, conta e empréstimo no smartphone.

Agora, os agentes de IA querem reduzir inclusive a necessidade de procurar manualmente cada produto.

Para o consumidor, a vantagem potencial está na capacidade de comparar mais possibilidades e entender melhor uma vida financeira cada vez mais distribuída entre bancos, cartões, empréstimos e carteiras digitais.

Mas a tecnologia não elimina a necessidade de tomar boas decisões.

Uma IA pode localizar um empréstimo mais barato, mostrar descontos e ajudar a organizar parcelas. Ainda assim, crédito continua sendo uma dívida que precisará caber no orçamento.

Com mais de 81 milhões de brasileiros inadimplentes, esse equilíbrio entre ampliar o acesso ao crédito e evitar um novo ciclo de endividamento será uma das principais provas para a Aro e para outras fintechs que pretendem transformar a inteligência artificial em um consultor financeiro dentro do celular.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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