Como parte de um pacote de medidas para reequilibrar as contas públicas em 2025, o governo federal anunciou na última quinta-feira (22) mudanças importantes no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), afetando diretamente os brasileiros que realizam transações internacionais com cartões de crédito, débito, contas no exterior ou em espécie.
Embora o Ministério da Fazenda tenha apresentado a alteração como uma “unificação de alíquotas”, a medida representa, na prática, um aumento no IOF para diversas modalidades de gastos internacionais.
A alíquota, que era de 3,38%, sobe para 3,5%, interrompendo uma trajetória de queda iniciada em 2022 que previa a redução gradual até zero em 2028.
As novas alíquotas começam a valer a partir da meia-noite desta sexta-feira, 23 de maio de 2025.
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O que é o IOF?

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é um tributo federal cobrado sobre operações de crédito, câmbio, seguro e títulos ou valores mobiliários. Quando o brasileiro faz uma compra no exterior usando cartão de crédito internacional, por exemplo, o valor da compra sofre incidência desse imposto.
O objetivo do IOF, além de arrecadatório, é atuar como instrumento de política econômica, podendo ser ajustado pelo governo para estimular ou frear determinadas práticas financeiras.
As mudanças no IOF para compras internacionais
Quais operações foram afetadas?
Segundo o comunicado oficial, a alíquota de 3,5% passa a valer nas seguintes operações:
| Modalidade | Alíquota anterior | Nova alíquota |
|---|---|---|
| Cartão de crédito/débito internacional | 3,38% | 3,5% |
| Cartão pré-pago internacional | 3,38% | 3,5% |
| Cheques de viagem | 3,38% | 3,5% |
| Remessa para contas no exterior (mesmo titular) | 3,38% | 3,5% |
| Compra de moeda em espécie em casas de câmbio | 1,1% | 3,5% |
A medida representa uma mudança significativa principalmente para quem compra moeda estrangeira em espécie, cuja alíquota triplicou.
Fim da redução gradual até 2028
O anúncio pegou de surpresa muitos analistas do mercado, pois desde 2022 estava em vigor um cronograma estabelecido para redução do IOF em transações cambiais, com o objetivo de alinhar o Brasil às regras da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Esse cronograma previa que, até 2028, o IOF em operações de câmbio seria zerado, facilitando o uso de instrumentos financeiros internacionais. Com a nova decisão, esse processo foi interrompido, contrariando expectativas anteriores do mercado.
Por que o governo aumentou o IOF?
O Ministério da Fazenda, sob comando de Fernando Haddad, justificou a mudança como parte de um esforço para ajustar o orçamento de 2025, diante de dificuldades para elevar a arrecadação sem elevar impostos em massa.
A equipe econômica estima que a medida pode gerar um reforço de até R$ 3 bilhões aos cofres públicos em 2025, sem impacto significativo para a maioria da população, segundo o ministério.
“A medida busca uma padronização de alíquotas e visa maior transparência tributária, além de melhorar a previsibilidade fiscal no contexto de desafios econômicos”, diz trecho da nota oficial.
Impacto para quem viaja ou consome do exterior
Compras no exterior com cartão de crédito
Quem viaja para fora do Brasil ou costuma comprar em sites internacionais, como Amazon, AliExpress, Shein e similares, sentirá o impacto direto na fatura do cartão.
Por exemplo, uma compra de US$ 1.000 (R$ 5.000 em média) terá um aumento de R$ 6,00 a mais em impostos, com a alíquota subindo de 3,38% para 3,5%. Embora pareça pequeno individualmente, em volumes maiores ou para empresas com gastos internacionais recorrentes, o impacto pode ser significativo.
Compra de moeda estrangeira em espécie
O aumento mais expressivo ocorreu na compra de moeda física em casas de câmbio, que passou de 1,1% para 3,5%. Assim, a compra de US$ 2.000 (cerca de R$ 10.000) antes gerava um custo extra de R$ 110,00 de IOF. Com a nova alíquota, o valor sobe para R$ 350,00, um aumento de mais de 218% no imposto.
Remessas pessoais para o exterior
O envio de dinheiro para contas no exterior de mesma titularidade (como contas internacionais, tipo Wise ou Nomad) também terá o mesmo impacto. Pessoas que utilizam esse tipo de remessa para manutenção, estudos ou viagens vão pagar 3,5% de IOF, o que encarece o processo.
Especialistas criticam a medida
Para economistas e tributaristas, o aumento do IOF representa um retrocesso na desburocratização e abertura econômica do país. Segundo o professor de finanças públicas da FGV, Henrique Moreira, a medida é “contrária ao compromisso assumido com a OCDE e penaliza o consumidor comum, que muitas vezes usa cartões internacionais em viagens ou compras online como forma de economia.”
“A alta de 1,1% para 3,5% na compra de dólar físico é desproporcional e contraria o incentivo ao turismo, além de gerar um impacto regressivo no consumo”, analisa Moreira.
Organizações ligadas ao setor de turismo, como a ABAV Nacional (Associação Brasileira de Agências de Viagens), também se manifestaram contra a mudança, alertando que a medida pode desestimular viagens internacionais e afetar negativamente o setor.
O que muda para empresas e investidores?

Empresas que operam internacionalmente, especialmente no setor de e-commerce, importação de serviços e remessas, deverão rever seus custos tributários com a nova alíquota.
Já investidores que mantêm contas no exterior para diversificação de patrimônio, como corretoras ou bancos internacionais, também verão aumento no custo de envio de recursos.
Alternativas para reduzir o impacto do IOF
Embora o aumento do IOF não possa ser evitado nas operações citadas, o consumidor pode tomar medidas para minimizar seus efeitos:
1. Planejar e antecipar compras internacionais
Fazer compras de maior valor antes da vigência de aumentos, como ocorreu agora, pode ajudar.
2. Comparar entre opções de pagamento
Avaliar se remessas com conta digital ou cartões pré-pagos oferecem menor custo total frente ao IOF de cartões tradicionais.
3. Usar moedas digitais ou stablecoins
Algumas plataformas aceitam criptomoedas ou stablecoins como USDT e USDC, que podem ter custos operacionais inferiores, embora apresentem outros riscos.
Considerações finais
A elevação da alíquota do IOF para 3,5% em compras internacionais, cartões pré-pagos, remessas para contas no exterior e aquisição de moeda estrangeira marca uma reversão nas expectativas de redução gradual do imposto até 2028.
A medida, que entra em vigor a partir de 23 de maio de 2025, tem como objetivo reforçar a arrecadação pública, mas foi recebida com críticas por consumidores, especialistas e setores ligados ao turismo e comércio internacional.
Apesar do impacto ser pequeno em valores unitários, o efeito cumulativo em viagens, remessas e compras online pode ser relevante para muitos brasileiros. O consumidor que deseja manter o controle financeiro em um cenário de tributação crescente deve planejar suas operações internacionais com ainda mais cuidado.
