Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

IPCA-15 desacelera em junho, mas inflação continua acima da meta do Banco Central

IPCA-15 avançou 0,41% em junho, mas inflação acumulada em 12 meses subiu para 4,80%. Veja o que pressionou os preços e os impactos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
IPCA-15 desacelera em junho, mas inflação continua acima da meta do Banco Central

A inflação deu sinais de perda de força em junho, mas ainda está longe de ser considerada controlada. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), conhecido como a prévia da inflação oficial do Brasil, avançou 0,41% no mês, abaixo da alta de 0,62% registrada em maio.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram um cenário misto para consumidores, empresas e para a política monetária do país. Embora o ritmo de alta dos preços tenha diminuído na comparação mensal, a inflação acumulada em 12 meses voltou a acelerar, passando de 4,64% para 4,80%.

Esse resultado mantém o indicador acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que é de 4,5%. No acumulado de 2026, o IPCA-15 registra alta de 3,45%.

Na prática, isso significa que os brasileiros continuam enfrentando aumentos importantes em itens essenciais do orçamento familiar, especialmente alimentos e despesas com moradia, ainda que alguns produtos tenham apresentado alívio nos preços.

Leia mais:

Tesouro IPCA+ e Prefixados avançam e renovam máximas

Imagem: reprodução

O que é o IPCA-15?

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do Brasil. Ele segue praticamente a mesma metodologia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência pelo Banco Central para o cumprimento da meta de inflação.

A principal diferença está no período de coleta dos preços. Enquanto o IPCA considera o mês completo, o IPCA-15 reúne informações coletadas antes do encerramento do mês, oferecendo uma antecipação da tendência da inflação.

Por isso, o indicador é acompanhado de perto por economistas, investidores, empresas e pelo próprio mercado financeiro, que utilizam seus resultados para projetar decisões sobre juros, crédito e atividade econômica.

Inflação perde força no mês, mas segue elevada em 12 meses

O resultado de junho mostra uma desaceleração importante em relação ao mês anterior.

Confira a evolução recente:

  • Maio: 0,62%;
  • Junho: 0,41%.

Apesar desse recuo, a inflação acumulada em 12 meses voltou a subir:

  • Maio: 4,64%;
  • Junho: 4,80%.

O percentual permanece acima do limite superior da meta de inflação, evidenciando que a pressão sobre os preços ainda não foi totalmente controlada.

Essa combinação de desaceleração mensal com aceleração no acumulado anual ocorre porque índices mais baixos estão substituindo resultados ainda menores registrados no mesmo período do ano anterior.

Alimentos continuam pressionando o bolso dos brasileiros

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas apresentou a maior contribuição para o resultado de junho.

O grupo registrou alta de 0,74%, respondendo sozinho por cerca de 0,16 ponto percentual do IPCA-15.

Embora o aumento tenha sido inferior ao observado em maio, quando o grupo subiu 1,38%, diversos alimentos continuaram registrando fortes elevações.

Produtos que mais subiram

Os principais destaques foram:

  • Batata-inglesa: alta de 29,42%;
  • Tomate: aumento de 17,27%;
  • Feijão-carioca: avanço de 14,29%;
  • Cebola: alta de 9,54%.

Esses alimentos fazem parte da cesta básica de milhões de brasileiros, o que amplia o impacto da inflação principalmente sobre famílias de menor renda.

Fatores como condições climáticas, oferta reduzida e sazonalidade continuam influenciando os preços de diversos produtos agrícolas.

Energia elétrica impulsiona os gastos com habitação

Outro grupo que exerceu forte pressão sobre o índice foi Habitação.

O segmento avançou 0,72% em junho e respondeu por aproximadamente 0,11 ponto percentual da inflação do mês.

Conta de luz foi o principal destaque

A energia elétrica residencial registrou aumento de 2,04%, tornando-se o item individual de maior impacto no IPCA-15.

Segundo o IBGE, esse avanço foi provocado por dois fatores principais:

  • aplicação da bandeira tarifária amarela;
  • reajustes autorizados para distribuidoras de energia em algumas capitais brasileiras.

Além da eletricidade, outros serviços também ficaram mais caros.

Entre eles estão:

  • água e esgoto: alta de 0,35%;
  • gás encanado: aumento de 0,13%.

Como essas despesas fazem parte dos gastos fixos das famílias, seu aumento costuma reduzir o orçamento disponível para consumo de outros bens e serviços.

Saúde também registrou alta

O grupo Saúde e cuidados pessoais apresentou variação positiva de 0,47%.

O movimento foi influenciado principalmente por dois fatores:

Artigos de higiene pessoal

Produtos de uso diário continuaram registrando reajustes ao consumidor.

Planos de saúde

Também pesaram os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que continuam sendo incorporados aos contratos dos beneficiários.

Queda dos combustíveis ajudou a aliviar a inflação

Na direção oposta, o grupo Transportes foi um dos poucos que contribuíram para reduzir a pressão inflacionária.

O segmento apresentou recuo de 0,03%.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Grande parte desse resultado veio da queda de 1,22% nos combustíveis.

Principais reduções

Os destaques foram:

  • Etanol: queda de 5,30%;
  • Óleo diesel: recuo de 1,47%;
  • Gasolina: baixa de 0,73%.

A redução dos combustíveis representa um alívio importante para consumidores e também pode contribuir para diminuir custos logísticos em diversos setores da economia.

Passagens aéreas continuam em alta

Apesar da queda dos combustíveis, nem todos os itens ligados aos transportes ficaram mais baratos.

As passagens aéreas registraram alta expressiva de 7,24% em junho.

Além disso, as tarifas de ônibus urbano avançaram 1,18%.

Esses aumentos mostram que os custos do setor de transportes permanecem bastante heterogêneos, refletindo fatores como demanda, reajustes tarifários e sazonalidade.

O que o resultado significa para o Banco Central?

O comportamento do IPCA-15 reforça um cenário de cautela para a política monetária brasileira.

Embora a inflação mensal tenha desacelerado, o índice acumulado em 12 meses continua acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que serve de referência para as decisões do Banco Central.

Enquanto os preços permanecerem pressionados, especialmente em itens essenciais como alimentos, energia e serviços, a autoridade monetária tende a manter uma postura conservadora em relação à taxa básica de juros.

O objetivo é evitar que a inflação continue se disseminando pela economia e comprometa ainda mais o poder de compra das famílias.

Como a inflação afeta o dia a dia dos brasileiros?

Mesmo quando o índice geral desacelera, o impacto pode continuar sendo sentido pelos consumidores.

Isso acontece porque os maiores aumentos costumam ocorrer justamente em despesas indispensáveis, como:

  • alimentação;
  • energia elétrica;
  • água;
  • transporte;
  • saúde.

Na prática, isso significa que muitas famílias precisam reorganizar o orçamento, reduzir gastos considerados supérfluos ou buscar alternativas mais econômicas para equilibrar as contas.

Perspectivas para os próximos meses

Inflação
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os próximos resultados da inflação dependerão de diversos fatores, entre eles:

  • comportamento dos preços dos alimentos;
  • condições climáticas que afetam a produção agrícola;
  • evolução das tarifas de energia elétrica;
  • cotação internacional do petróleo;
  • câmbio;
  • desempenho da economia brasileira.

Caso os preços dos alimentos continuem desacelerando e os combustíveis mantenham trajetória de queda, a inflação poderá perder força nos próximos meses. Por outro lado, novas pressões em serviços, energia ou alimentos podem dificultar o retorno do índice para dentro da meta.

Imagem: Reprodução

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados