O IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) pode passar por uma das maiores mudanças desde sua criação. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada na Câmara dos Deputados pretende limitar a alíquota do imposto a 1% em todo o território nacional, alterando completamente a forma de cálculo adotada hoje pelos estados.
Mudança no IPVA propõe taxa única de 1% sobre veículos
Proposta no Congresso prevê IPVA limitado a 1% com base no peso do veículo. Veja como funciona, impactos e chances de aprovação.
A proposta reacendeu o debate sobre a carga tributária incidente sobre veículos no Brasil e levanta dúvidas importantes para motoristas, governos estaduais e especialistas em contas públicas.
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O que é a proposta do IPVA a 1%
A PEC apresentada pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) propõe estabelecer um teto constitucional para o IPVA, fixando a alíquota máxima em 1% para todos os veículos do país.
Diferentemente do modelo atual, a base de cálculo deixaria de ser o valor de mercado do veículo, geralmente apurado pela Tabela Fipe, e passaria a considerar exclusivamente o peso do automóvel.
Como funcionaria o novo cálculo
Na prática, o imposto deixaria de variar conforme o preço do veículo e passaria a seguir uma lógica física e objetiva:
- veículos mais leves pagariam menos IPVA
- veículos mais pesados teriam alíquotas maiores, dentro do limite de 1%
- o valor não aumentaria mesmo que o carro fosse mais caro ou valorizado
O objetivo, segundo o autor, é tornar o imposto mais previsível e menos penalizador para bens que sofrem depreciação ao longo do tempo.
Como o IPVA é cobrado hoje no Brasil
Atualmente, a Constituição Federal permite que cada estado defina suas próprias alíquotas de IPVA. O imposto é calculado aplicando um percentual sobre o valor venal do veículo, geralmente baseado na Tabela Fipe.
Alíquotas médias praticadas
Embora haja variações, a prática consolidada é a seguinte:
- carros de passeio: entre 3% e 4%
- motocicletas: entre 1% e 3%
- veículos de luxo e importados: até 6% em alguns estados
Em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a alíquota média para carros de passeio gira em torno de 4%.
Por que o modelo atual é criticado
Um dos principais argumentos usados na proposta é que o IPVA funciona como um imposto patrimonial permanente sobre um bem móvel que perde valor ano após ano.
Segundo o parlamentar, esse modelo cria distorções, pois o contribuinte continua pagando imposto elevado mesmo quando o veículo se deprecia significativamente ou já foi quitado há muitos anos.
Especialistas em tributação também apontam que a vinculação à Tabela Fipe gera variações bruscas no imposto, dependendo de flutuações do mercado automotivo.
Impactos diretos para o consumidor
Se aprovada, a proposta tende a beneficiar principalmente:
- proprietários de veículos populares
- motoristas de carros antigos
- consumidores que utilizam veículos leves no dia a dia
Exemplo prático
Um carro avaliado em R$ 80 mil, que hoje paga cerca de R$ 3.200 de IPVA em estados com alíquota de 4%, poderia ter o imposto reduzido de forma significativa, dependendo do peso do veículo.
Já modelos grandes, SUVs ou caminhonetes pesadas poderiam ter redução menor ou até manutenção de valores próximos aos atuais.
E os estados, como ficam?
O IPVA é uma das principais fontes de arrecadação dos estados e do Distrito Federal. Parte do valor arrecadado é repassado aos municípios, sendo fundamental para investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
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Proposta de compensação
Para mitigar a perda de arrecadação, a PEC prevê um teto de 0,1% da Receita Corrente Líquida (RCL) para despesas com propaganda institucional da União, estados e municípios, abrangendo os três Poderes.
A ideia é que a economia com publicidade oficial ajude a compensar parte da redução na arrecadação do IPVA.
Qual é o caminho da proposta no Congresso
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o trâmite é mais rigoroso:
Etapas obrigatórias
- coleta de assinaturas para protocolar a PEC
- análise de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
- criação de comissão especial para discutir o mérito
- votação em dois turnos na Câmara dos Deputados
- votação em dois turnos no Senado Federal
Em todas as votações, são necessários pelo menos três quintos dos votos dos parlamentares.
A proposta já está valendo?
Não. A proposta ainda está em fase inicial e não altera nenhuma regra vigente do IPVA em 2026. Até eventual aprovação e promulgação, continuam valendo as alíquotas definidas por cada estado.
Motoristas devem seguir atentos apenas aos calendários oficiais de pagamento divulgados pelas Secretarias da Fazenda estaduais.
O debate sobre justiça tributária
A proposta reacende uma discussão antiga sobre justiça fiscal no Brasil. Enquanto defensores afirmam que o novo modelo seria mais racional e previsível, críticos alertam para o risco de desequilíbrio nas contas públicas estaduais.
Entidades ligadas à gestão fiscal defendem que qualquer mudança no IPVA deve ser acompanhada de uma reforma mais ampla do sistema tributário sobre o consumo e o patrimônio.
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