O Irã completou, nesta quinta-feira (19), mais de 24 horas com severas restrições ao acesso à internet. A informação é da organização britânica NetBlocks, especializada em monitoramento da conectividade global. O governo iraniano, por meio do Ministério das Comunicações, afirma que a medida é uma resposta a preocupações de segurança nacional relacionadas ao atual conflito armado com Israel.
Ministério das Comunicações justifica bloqueio por motivos de segurança

Segundo comunicado oficial divulgado pela agência iraniana Tasnim News, o Ministério das Comunicações declarou que o bloqueio tem caráter temporário e visa proteger a população de ameaças externas. O governo alega que redes de comunicação estavam sendo usadas por forças inimigas para operações militares.
NetBlocks aponta “apagão quase total” no Irã
A organização vem publicando atualizações frequentes nas redes sociais.
A última atualização sobre o caso foi divulgada às 9h41 (horário local) desta quinta-feira, apontando que os índices de conectividade permanecem abaixo de 10% do normal em grande parte do território iraniano.
Impacto para a população iraniana
O bloqueio afeta tanto o acesso a sites internacionais quanto a plataformas de comunicação populares, como WhatsApp, Instagram e X (antigo Twitter). No entanto, serviços públicos essenciais e plataformas nacionais continuam operando.
Plataformas nacionais ainda funcionam
Apesar da gravidade das restrições ao acesso internacional, os iranianos ainda têm permissão para utilizar serviços de comunicação locais, administrados e supervisionados pelo próprio governo. Esse tipo de medida é característico de nações com forte controle sobre a internet, onde as autoridades buscam limitar o acesso a informações externas e centralizar a disseminação de conteúdo por meio de canais oficiais.
Serviços como o Soroush e o Bale, aplicativos de mensagens iranianos, permanecem disponíveis, assim como sites de órgãos públicos.
Contexto do conflito entre Irã e Israel
O governo iraniano alega que Israel estaria utilizando as redes de comunicação para realizar operações de inteligência e coordenar ataques. Essa é a principal justificativa oficial para o bloqueio.
Especialistas em segurança digital, no entanto, alertam que tais medidas costumam ter impacto negativo sobre a população civil, dificultando o acesso a informações vitais em momentos de crise.
O que diz o direito internacional sobre bloqueios de internet

Para a ONU, interrupções deliberadas de acesso à internet são consideradas uma violação dos direitos humanos. Em 2016, a ONU publicou uma resolução condenando o uso de cortes de internet como ferramenta de controle governamental.
Especialistas ressaltam que o bloqueio no Irã agrava o isolamento informativo da população e prejudica a comunicação de emergências.
Perguntas frequentes (FAQ)
Por que o Irã está sem internet?
O governo iraniano afirma que a interrupção do serviço é uma medida de segurança nacional, alegando que Israel estaria utilizando a rede para fins militares durante o atual conflito entre os dois países.
Quanto tempo o bloqueio de internet pode durar?
Até o momento, o governo do Irã não informou quando o acesso será restabelecido. A duração do bloqueio dependerá das decisões das autoridades responsáveis.
Existe algum tipo de acesso disponível?
Sim. Embora a internet internacional esteja amplamente bloqueada, os serviços públicos de comunicação e plataformas nacionais continuam funcionando, permitindo algum nível de conectividade interna.
Como a população está reagindo?
Há relatos de preocupação entre os cidadãos, principalmente pela dificuldade de obter informações independentes e pela impossibilidade de se comunicar com familiares no exterior. Organizações de direitos humanos alertam para os riscos humanitários da medida.
O Irã já fez isso antes?
Sim. O país tem histórico de bloqueios de internet em momentos de crise política e social. Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2019, durante uma onda de protestos internos.
Considerações finais
O bloqueio da internet no Irã, que já dura mais de 24 horas, levanta preocupações importantes sobre direitos civis, liberdade de expressão e acesso à informação em cenários de conflito. Embora o governo iraniano justifique a medida como necessária para proteger a segurança nacional durante a guerra com Israel, a suspensão quase total da conectividade impede milhões de cidadãos de acessarem informações independentes, manterem contato com o exterior e até mesmo buscarem ajuda humanitária.
