A proposta de ampliar a isenção de Imposto de Renda (IR) para trabalhadores com rendimento mensal de até R$ 5.000 deu um passo importante nesta semana. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), junto ao relator da matéria, deputado Arthur Lira (PP-AL), definiu que o texto será votado em uma comissão especial na próxima quarta-feira, 16 de julho de 2025. No entanto, a análise definitiva no plenário foi adiada para agosto, sem data confirmada.
Isenção de IR até R$ 5.000 só vai ao plenário em agosto
Relatório que amplia a isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000 será votado em comissão na Câmara e deve ir ao plenário em agosto.
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Isenção até R$ 5 mil permanece e faixa intermediária sobe
O relatório elaborado por Arthur Lira manteve a essência da proposta original enviada pelo governo federal. O ponto principal é a isenção total do Imposto de Renda para trabalhadores com salários de até R$ 5.000. Além disso, o texto prevê uma redução proporcional da carga tributária para quem ganha até R$ 7.350.
Essa medida faz parte do compromisso assumido pela equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de atualizar a tabela do IR, congelada desde 2015 para a maior parte das faixas salariais. A mudança beneficiaria uma parcela significativa da população economicamente ativa, sobretudo aqueles com renda intermediária.
Entenda o novo escalonamento da tabela
Novos limites da tabela do IR segundo o relatório de Lira
O parecer apresentado pelo deputado Arthur Lira estabelece a seguinte estrutura de tributação:
- Até R$ 5.000: isenção total
- De R$ 5.001 a R$ 7.350: alíquotas reduzidas e progressivas
- Acima de R$ 7.350: manutenção das faixas atuais com ajustes
Segundo técnicos da Câmara, essa reformulação pode representar uma economia significativa no bolso dos trabalhadores e deve contribuir para o aumento da renda disponível das famílias.
Impacto fiscal está sendo avaliado pela equipe econômica
Renúncia fiscal pode chegar a R$ 20 bilhões
A ampliação da faixa de isenção tem impacto direto sobre a arrecadação federal. Por isso, o Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, está acompanhando de perto as negociações. Estimativas preliminares apontam uma renúncia fiscal na casa de R$ 20 bilhões anuais caso o projeto seja aprovado sem alterações.
Apesar da preocupação com o equilíbrio fiscal, o governo acredita que o estímulo ao consumo gerado pela medida pode compensar parte da perda de receita, dinamizando setores como comércio, serviços e pequenas empresas.
Trâmite legislativo: votação em duas etapas
Comissão especial julga o mérito da proposta
A comissão especial da Câmara será o primeiro filtro para o projeto. Com a votação marcada para 16 de julho, espera-se uma tramitação rápida nesta etapa, já que há um acordo informal entre os partidos da base e até mesmo da oposição para aprovar a medida.
Plenário votará apenas em agosto
Após a comissão, o texto segue para o plenário da Câmara. Segundo o presidente da Casa, Hugo Motta, a votação em plenário deve ocorrer em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa é de que o projeto receba apoio da maioria, mas não estão descartadas tentativas de emendas ou ajustes pontuais no texto.
Arthur Lira: “Reforma deve ser progressiva e justa”

Relator defende correção da distorção histórica na tributação
O deputado Arthur Lira defendeu publicamente a proposta, afirmando que o objetivo é corrigir uma distorção histórica do sistema tributário brasileiro. “Não é justo que quem ganha R$ 3.000 ou R$ 4.000 pague os mesmos percentuais de imposto que alguém com renda acima de R$ 10.000. Essa reforma traz justiça social e equilíbrio fiscal”, declarou.
Lira também reforçou que o relatório considera os limites fiscais do país e foi elaborado com base em dados fornecidos pelo Tesouro Nacional.
Hugo Motta aposta em aprovação célere
Presidente da Câmara destaca apoio político à medida
O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou que a proposta tem “forte apelo social” e que os deputados têm consciência da importância da medida para a população. “A isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil é uma demanda antiga da sociedade, e o Congresso precisa responder a isso com agilidade e responsabilidade”, afirmou.
Reações do mercado e de especialistas
Economistas defendem compensações fiscais
Economistas e tributaristas avaliam positivamente o avanço da proposta, mas alertam para a necessidade de compensações. Segundo o economista Sérgio Gobetti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é fundamental que o governo apresente medidas de ajuste fiscal para que a isenção não afete a confiança do mercado.
“Não se trata de ser contra ou a favor da isenção. A questão é garantir que ela venha acompanhada de uma reestruturação da arrecadação, seja com taxação de lucros e dividendos, seja com o fim de isenções ineficazes”, explicou.
Possíveis emendas no plenário
Deputados estudam ajustes nas faixas e deduções
Ainda que o relatório de Arthur Lira conte com apoio expressivo, há parlamentares que defendem ajustes, como:
- Redução da isenção para R$ 4.500, para conter perdas de arrecadação
- Inclusão de deduções maiores com saúde e educação
- Criação de uma faixa intermediária entre R$ 5.000 e R$ 6.000 com alíquota simbólica
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Essas emendas poderão ser debatidas em agosto, quando a proposta for ao plenário. A depender do cenário político, o texto pode retornar à comissão para ajustes finais.
Cronograma da votação
Próximos passos até a promulgação da nova tabela
- 16 de julho de 2025: votação na comissão especial
- Agosto de 2025 (sem data definida): votação em plenário
- Após aprovação: encaminhamento ao Senado Federal
Senado deve analisar rapidamente, diz presidente da Casa
Rodrigo Pacheco garante prioridade no Senado
Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, afirmou que o projeto será prioridade na pauta econômica da Casa assim que for recebido. Segundo ele, há consenso entre os senadores sobre a importância de corrigir a tabela do IR.
“É uma atualização necessária. A defasagem já ultrapassa os 100% em relação à inflação. Precisamos dar resposta ao contribuinte brasileiro”, declarou Pacheco.
Atualização da tabela é demanda histórica
Defasagem da tabela passa de 140% desde 2015
A última grande atualização da tabela do Imposto de Renda foi realizada em 2015, ainda no governo Dilma Rousseff. Desde então, a inflação corroeu o poder de compra dos salários, fazendo com que milhões de brasileiros passassem a pagar imposto mesmo sem grandes aumentos reais de renda.
Estudos apontam que a defasagem da tabela do IR ultrapassa os 140%, o que representa um dos maiores retrocessos tributários da classe média brasileira nos últimos anos.
Expectativa da população e de categorias profissionais

Sindicatos e trabalhadores pressionam pela aprovação
Sindicatos e associações profissionais se mobilizam para pressionar os parlamentares pela aprovação rápida da proposta. Entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e a OAB manifestaram apoio ao projeto.
Empregados do setor público, professores, enfermeiros, trabalhadores do comércio e da indústria também serão beneficiados, tornando o impacto da medida socialmente abrangente.
Conclusão
A proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 representa um avanço importante no alívio fiscal para milhões de brasileiros. Com apoio político significativo e forte apelo social, o projeto caminha para ser votado em plenário em agosto, prometendo corrigir distorções históricas e ampliar o poder de compra da população. Resta agora acompanhar os próximos passos no Congresso e as possíveis alterações no texto final, que podem impactar diretamente a vida do trabalhador.
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