A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou nesta terça-feira a votação do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensais. A proposta é relatada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), mas o senador Izalci Lucas (PL-DF) apresentou pedido de vista, o que suspendeu temporariamente a tramitação.
Votação sobre isenção para até R$ 5 mil no Imposto de Renda é adiada
Senado adia votação da isenção do IR até R$ 5 mil. Proposta de Renan Calheiros amplia isenção e taxa altas rendas.
A iniciativa faz parte de uma das agendas mais aguardadas de 2025, com impacto direto na renda de milhões de brasileiros. O impasse, no entanto, escancara a disputa política entre Renan e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também conduz um projeto semelhante na outra Casa legislativa.
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O projeto em debate no Senado
Origem e mudanças
O texto atual retoma uma proposta apresentada em 2019 pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), que havia ficado engavetada até Renan assumir a presidência da CAE neste ano. Ao se tornar relator, Renan propôs uma nova versão que prevê:
- Alíquota zero para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, beneficiando 12,3 milhões de contribuintes;
- Descontos regressivos para rendas entre R$ 5.001 e R$ 7.000;
- Tributação adicional para altas rendas:
- Até 10% para ganhos anuais entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão;
- 10% fixos para rendimentos acima de R$ 1,2 milhão.
Segundo Renan, o objetivo é atualizar a tabela do IR, defasada há anos, e ao mesmo tempo criar mecanismos de compensação fiscal para evitar queda expressiva de arrecadação.
Disputa entre Renan Calheiros e Arthur Lira

Pauta duplicada entre Senado e Câmara
A movimentação no Senado acontece em paralelo à tramitação de um projeto semelhante na Câmara, relatado por Arthur Lira e aprovado em comissão especial em julho. Apesar da urgência já aprovada, a proposta ainda não foi levada ao plenário.
Renan aproveitou o espaço para criticar tanto o governo quanto Lira:
“A isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil foi transformada em instrumento de chantagem contra o próprio governo. O que me surpreende é o governo participar desse processo de chantagem”, afirmou o senador.
A fala explicita a tentativa de Renan de se colocar como protagonista no debate econômico e de demarcar território em relação ao adversário político e conterrâneo alagoano.
O impasse na Câmara
Expectativa de votação adiada
Na Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a proposta relatada por Lira pode ir a plenário na próxima semana:
“Convocamos o deputado Arthur para explicar seu relatório no colégio de líderes. Se possível, vamos levar a votação em breve”, afirmou Motta.
Arthur Lira, por sua vez, reconheceu que o texto exigirá amplo debate:
“Vai haver um debate muito intenso sobre a forma, valores e condições da compensação da isenção. O governo tem que estar preparado e os partidos têm que ter responsabilidade com as votações.”
Impactos da proposta de isenção
Beneficiados e contrapartidas fiscais
Tanto o texto da Câmara quanto o do Senado buscam:
- Ampliar a faixa de isenção de R$ 3.036 para R$ 5 mil;
- Criar descontos parciais até R$ 7.350;
- Implementar tributação mínima progressiva sobre altas rendas.
Estudos técnicos indicam que a medida pode beneficiar mais de 12 milhões de contribuintes e injetar recursos no consumo interno. Por outro lado, exige compensações fiscais para equilibrar as contas públicas.
Posições do governo
Apoio com cautela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera a ampliação da faixa de isenção uma prioridade, mas a Fazenda alerta para o impacto fiscal. Estima-se que a medida represente renúncia de cerca de R$ 30 bilhões por ano.
Ainda assim, integrantes do governo dizem que a “espinha dorsal” da proposta está mantida e pronta para votação, faltando apenas condições políticas para avançar.
Cenário político: Renan x Lira
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Protagonismo em jogo
O embate sobre a isenção do IR tornou-se também uma disputa política:
- Renan Calheiros tenta se firmar como líder no Senado, reforçando sua influência na agenda econômica;
- Arthur Lira, na Câmara, busca capitalizar politicamente ao conduzir uma pauta popular em meio ao desgaste com o Planalto.
Ambos têm interesse em protagonizar a medida, que conta com apoio de 85% da população, segundo pesquisas citadas por Renan.
Comparação entre as propostas do Senado e da Câmara
| Critério | Proposta do Senado (Renan) | Proposta da Câmara (Lira) |
|---|---|---|
| Faixa de isenção | Até R$ 5.000 | Até R$ 5.000 |
| Descontos parciais | Até R$ 7.000 | Até R$ 7.350 |
| Tributação altas rendas | 10% progressivo | Imposto mínimo escalonado |
| Tramitação | CAE do Senado (terminativa) | Comissão especial, rumo ao plenário |
| Prazo de votação | Indefinido após pedido de vista | Deve ir a plenário até 31/12/2025 |
Consequências para o contribuinte
Benefícios imediatos
Se aprovado, o novo modelo pode:
- Isentar totalmente trabalhadores que recebem até R$ 5 mil;
- Reduzir a carga tributária da classe média;
- Ampliar a progressividade do sistema, ao taxar altas rendas.
Por outro lado, sem definição sobre fontes de compensação, o risco é de pressão sobre outros tributos ou aumento do déficit fiscal.
Expectativa para 2026

Entrada em vigor depende do Congresso
Para valer já em 2026, a proposta relatada por Lira precisa ser aprovada até 31 de dezembro de 2025. No Senado, a tramitação tem caráter terminativo na CAE, o que aceleraria sua entrada em vigor caso haja consenso.
Enquanto isso, a população acompanha de perto uma discussão que promete ser uma das mais relevantes da agenda econômica no fim do ano.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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