A tão aguardada ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para pessoas físicas deu um passo importante nesta quinta-feira (10). O projeto do governo Lula, que eleva a isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais, avançou na Câmara dos Deputados com a leitura do parecer do relator, deputado Arthur Lira (PP-AL). Apesar de um pedido de vista coletivo ter adiado a votação para a próxima semana, o texto já sinaliza mudanças significativas para milhões de brasileiros e promete alterar a estrutura da tabela do IR, cumprindo uma das principais promessas de campanha do presidente.
Faixa de isenção do IR pode subir para R$ 5 mil; projeto avança na Câmara
Câmara analisa projeto para isentar do IR salários de até R$ 5 mil; votação prevista para a próxima semana.
Além de contemplar os assalariados com menores rendimentos, o projeto também inclui dispositivos para taxar os super-ricos e compensar a perda de arrecadação federal. As alterações foram desenhadas para garantir o equilíbrio fiscal e ainda destinar recursos para estados e municípios.
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Faixa de isenção sobe para R$ 5 mil e alivia contribuintes

O texto prevê que trabalhadores com salários de até R$ 5 mil por mês — ou R$ 60 mil anuais — fiquem completamente isentos do pagamento de imposto de renda. Atualmente, a isenção atinge apenas quem ganha até R$ 3.036 mensais, equivalente a dois salários mínimos.
A medida amplia substancialmente a base de isentos, aliviando o bolso de milhões de brasileiros em um momento de alta no custo de vida. Para os contribuintes que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, estava previsto um desconto parcial; Lira ampliou esse intervalo para até R$ 7.350. A expectativa é de que cerca de 500 mil contribuintes adicionais se beneficiem dessa nova faixa intermediária.
Super-ricos terão alíquota progressiva de até 10%
Para compensar a perda na arrecadação com a ampliação da isenção, o relator manteve a proposta de criar uma alíquota progressiva para quem tem rendimentos superiores a R$ 600 mil por ano, com teto de 10% para quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão anuais.
Essa taxação dos chamados super-ricos deve render cerca de R$ 34 bilhões aos cofres públicos já em 2026 — valor que supera em quase R$ 10 bilhões o custo estimado da ampliação da isenção para a mesma data, de R$ 25,8 bilhões.
Com esse “superávit”, Lira incluiu no parecer a ampliação da faixa de desconto parcial para a classe média e destinou parte dos recursos para compensar a redução futura da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na reforma tributária.
Estados e municípios também serão beneficiados
Parte dos recursos extras oriundos da taxação dos super-ricos será destinada a estados e municípios. O relator explicou que essa partilha é uma forma de garantir que as administrações regionais também se beneficiem do aumento na arrecadação, fortalecendo o pacto federativo e garantindo investimentos locais.
Segundo as projeções, mesmo com a ampliação da faixa de desconto parcial, haverá sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027, valor que poderá ser usado para equilibrar contas públicas e bancar outras medidas econômicas.
Isenção para fundos soberanos e entidades previdenciárias
O parecer de Lira também trouxe ajustes pontuais para determinadas categorias. Estão isentos da alíquota mínima do IRPF as remessas de lucros e dividendos destinados a governos estrangeiros (quando houver reciprocidade), fundos soberanos e entidades no exterior cuja principal atividade seja a administração de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões.
A medida busca alinhar o Brasil às práticas internacionais e evitar conflitos diplomáticos com fundos de investimento estratégicos.
IOF ficou fora da proposta final

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Embora tenha cogitado incluir no relatório mecanismos para compensar eventuais perdas no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Lira decidiu não avançar com essa alteração neste momento. O foco, segundo ele, é reequilibrar a tabela do imposto de renda e garantir a sustentabilidade fiscal das novas isenções.
Impacto social e político da nova tabela
A reformulação da tabela do imposto de renda é uma das bandeiras mais populares do governo Lula, prometida ainda durante a campanha eleitoral. Com a medida, o governo busca não apenas corrigir a defasagem histórica da tabela, mas também melhorar a distribuição de renda, aliviando o peso tributário sobre a classe trabalhadora e ampliando a arrecadação sobre as grandes fortunas.
A expectativa é que a aprovação definitiva ocorra já na próxima semana, o que abrirá caminho para que as novas regras passem a valer já no próximo ano fiscal.
Conclusão: um novo capítulo para a justiça tributária
A ampliação da isenção do IR para até R$ 5 mil representa um avanço significativo na busca por maior justiça tributária no Brasil. Ao mesmo tempo em que alivia milhões de trabalhadores de baixa e média renda, a proposta reforça a cobrança sobre os super-ricos e amplia os recursos para estados e municípios.
Se confirmada, a medida pode se tornar um marco da gestão Lula e um passo importante para corrigir distorções históricas no sistema tributário brasileiro.
Com informações de: G1
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