O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, classificou o caso envolvendo a Americanas como uma das maiores fraudes corporativas já registradas no Brasil e afirmou que o sistema financeiro sofreu impactos significativos com o esquema contábil descoberto na companhia.
Presidente do Itaú afirma que bancos também foram vítimas da fraude na Americanas
Presidente do Itaú afirma que bancos perderam bilhões com fraude da Americanas e comenta impactos econômicos e eleitorais no mercado.
Durante a apresentação dos resultados do banco referentes ao segundo trimestre, o executivo rejeitou qualquer possibilidade de participação ou conivência das instituições financeiras no episódio e afirmou que os bancos foram prejudicados pela manipulação das informações financeiras apresentadas pela varejista.
Segundo Maluhy, o problema não envolveu apenas uma divergência sobre interpretação contábil, mas uma suposta ocultação de passivos que comprometeu a análise de risco feita por credores e investidores.
O executivo destacou que a responsabilidade pela elaboração das demonstrações financeiras pertence à empresa e aos responsáveis pela auditoria independente, enquanto os bancos utilizam as informações disponibilizadas para avaliar operações de crédito.
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Itaú afirma que sistema financeiro teve prejuízo com caso Americanas
O presidente do Itaú afirmou que as instituições financeiras não teriam qualquer incentivo econômico para participar de uma fraude que provocou perdas expressivas para os próprios bancos.
Na avaliação do executivo, a lógica financeira do episódio demonstra que as instituições foram afetadas negativamente, já que as operações realizadas com a companhia geraram receitas ao longo dos anos, mas posteriormente resultaram em perdas de crédito muito superiores.
Maluhy explicou que, ao considerar ganhos obtidos com operações envolvendo a Americanas e descontar os impactos financeiros posteriores, o resultado para o setor bancário foi negativo.
A declaração ocorre em meio ao processo de investigação sobre a crise da varejista, que revelou inconsistências contábeis bilionárias e levou a empresa a entrar em recuperação judicial.
O que foi a fraude contábil envolvendo a Americanas
O caso Americanas ganhou repercussão nacional após a empresa anunciar, em janeiro de 2023, a identificação de inconsistências contábeis que inicialmente foram estimadas em dezenas de bilhões de reais.
As investigações apontaram problemas relacionados ao registro de operações financeiras, incluindo o chamado risco sacado, modalidade utilizada no mercado para antecipação de recebíveis.
No risco sacado, uma empresa compradora negocia com uma instituição financeira o pagamento antecipado de valores devidos a fornecedores. Participam da operação três partes principais: a companhia compradora, o fornecedor e o banco.
A operação, quando registrada corretamente, é uma ferramenta comum de gestão financeira. O problema investigado no caso Americanas está relacionado à forma como determinadas obrigações teriam sido registradas nas demonstrações financeiras da companhia.
De acordo com os investigadores, houve suspeita de manipulação de informações e ocultação de passivos, o que teria afetado a percepção de mercado sobre a situação econômica real da empresa.
Banco diz que deixou de operar com Americanas antes da descoberta do caso

Durante a apresentação dos resultados, Milton Maluhy afirmou que o Itaú já havia encerrado determinadas operações com a Americanas antes da divulgação pública da fraude.
Segundo o executivo, a decisão ocorreu devido ao nível de exigência do banco em relação às informações fornecidas pela companhia.
Maluhy destacou que instituições financeiras dependem de dados contábeis e documentos oficiais apresentados pelas empresas para realizar avaliações de risco.
Ele também comentou sobre a chamada carta de circularização, documento utilizado por auditores para confirmar informações junto a terceiros, como bancos.
Segundo o presidente do Itaú, esse procedimento funciona como uma ferramenta auxiliar para o trabalho dos auditores e não representa uma garantia de que todas as informações financeiras de uma empresa estejam corretas.
Polícia Federal investiga supostos crimes relacionados ao caso
As investigações sobre o episódio continuam sendo conduzidas pelas autoridades brasileiras.
A Polícia Federal deflagrou novas etapas da Operação Disclosure, criada para apurar suspeitas relacionadas às irregularidades contábeis da Americanas.
As apurações investigam possíveis crimes como manipulação de mercado, associação criminosa e práticas relacionadas à divulgação de informações financeiras falsas.
A operação também passou a envolver novos alvos durante suas fases mais recentes, incluindo pessoas ligadas à administração da companhia e outros envolvidos no processo de investigação.
Os investigadores afirmam que os trabalhos buscam identificar responsabilidades e esclarecer como as inconsistências contábeis teriam sido mantidas durante anos.
Mercado acompanha impactos da crise da Americanas
O caso Americanas trouxe impactos relevantes para o mercado financeiro brasileiro, especialmente em relação à análise de risco de crédito e aos mecanismos de controle utilizados por empresas e instituições financeiras.
O episódio aumentou o debate sobre transparência empresarial, qualidade das auditorias independentes e necessidade de aprimoramento dos controles internos das companhias abertas.
Para investidores, o caso reforçou a importância da análise detalhada dos balanços financeiros antes da tomada de decisões.
Empresas listadas na bolsa de valores passaram a ser observadas com maior atenção pelo mercado, principalmente em relação à divulgação de informações contábeis e governança corporativa.
Itaú prevê atenção ao cenário econômico global
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Além de comentar a fraude da Americanas, Milton Maluhy também avaliou o ambiente econômico internacional e os desafios para os próximos meses.
O executivo afirmou que conflitos geopolíticos continuam pressionando preços de produtos importantes, como petróleo, fertilizantes e custos de transporte.
Esses fatores podem gerar impactos sobre a inflação em diferentes países, influenciando decisões de política monetária.
O Itaú demonstrou preocupação com a economia dos Estados Unidos, considerada ainda resistente, cenário que pode levar o Federal Reserve a manter uma postura mais cautelosa em relação aos juros.
Uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos costuma afetar mercados globais, influenciando câmbio, fluxo de investimentos e custos financeiros.
Banco reduz previsão de crescimento econômico
Durante a apresentação dos resultados, o Itaú revisou suas projeções para a economia brasileira.
A instituição reduziu sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e manteve atenção sobre a trajetória da inflação.
O banco também destacou a importância do equilíbrio fiscal para a estabilidade econômica.
Segundo Maluhy, decisões relacionadas às contas públicas influenciam diretamente indicadores como inflação, juros e confiança dos investidores.
Na avaliação do executivo, políticas sociais e responsabilidade fiscal precisam caminhar juntas para evitar impactos negativos sobre o poder de compra da população.
Eleições podem aumentar volatilidade nos mercados

O presidente do Itaú afirmou que períodos eleitorais normalmente geram algum aumento de volatilidade nos mercados financeiros.
Apesar disso, ele avaliou que o banco possui experiência centenária acompanhando diferentes ciclos políticos e econômicos.
Segundo Maluhy, a reação dos investidores dependerá principalmente das propostas apresentadas pelos candidatos e da clareza sobre como pretendem conduzir a política econômica.
O debate sobre responsabilidade fiscal deve ser um dos principais fatores observados pelo mercado durante o período eleitoral.
Para o setor financeiro, a previsibilidade das regras econômicas é considerada essencial para manter investimentos, controlar inflação e preservar a confiança dos agentes econômicos.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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