O Itaú Unibanco (ITUB4) anunciou uma nova captação de R$ 5 bilhões por meio da emissão de Letras Financeiras Subordinadas Nível 2. A operação foi realizada em 10 de setembro de 2026 com investidores profissionais e prevê títulos com vencimentos em 2036 e 2037.
Segundo o comunicado divulgado pelo banco, as Letras Financeiras poderão ser recompradas a partir de 2031, desde que haja autorização prévia do Banco Central. A operação também terá impacto estimado de 0,3 ponto percentual no índice de capitalização Nível 2 do Itaú, considerando a base de capital apurada em 30 de junho de 2026.
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Itaú usa renda fixa para reforçar estrutura de capital
A emissão faz parte da estratégia de captação do Itaú no mercado financeiro. Em vez de utilizar os recursos para uma finalidade específica destinada ao consumidor, o banco incorpora as Letras Financeiras ao Patrimônio de Referência.
As novas emissões são classificadas como instrumentos subordinados de Nível 2. De acordo com o comunicado do Itaú, elas contribuirão para o Capital Nível 2 da instituição e devem acrescentar aproximadamente 0,3 ponto percentual ao respectivo índice de capitalização.

Na prática, a operação permite ao banco captar recursos de longo prazo e, ao mesmo tempo, fortalecer uma parcela de sua estrutura de capital regulatório.
O prazo é significativamente maior que o encontrado em grande parte dos investimentos de renda fixa voltados ao público de varejo. Os vencimentos estão previstos para 2036 e 2037.
Quem participou da emissão das Letras Financeiras
A operação anunciada pelo Itaú foi realizada com investidores profissionais.
As Letras Financeiras são instrumentos utilizados pelas instituições financeiras para captar recursos de longo prazo. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional estabelece regras específicas para sua emissão, incluindo valores mínimos e prazo de vencimento.
No caso das Letras Financeiras subordinadas, o valor nominal unitário mínimo previsto na regulamentação é de R$ 300 mil. Para Letras Financeiras sem cláusula de subordinação, o mínimo regulamentar é de R$ 50 mil.
Isso ajuda a explicar por que esse tipo de operação possui características diferentes dos produtos de renda fixa encontrados normalmente nas plataformas de investimento para o público em geral.
O que são Letras Financeiras
A Letra Financeira é um título emitido por instituições financeiras para captação de recursos de longo prazo.
Segundo material educacional da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), trata-se de um instrumento com prazo superior a dois anos. A remuneração pode ser prefixada, flutuante ou vinculada a índice de preços, conforme as características da emissão.
A regulamentação determina prazo mínimo de vencimento de 24 meses e, como regra, impede o resgate total ou parcial antes do vencimento pactuado.
Por essa característica, a Letra Financeira não deve ser confundida com investimentos de renda fixa que permitem ao investidor retirar o dinheiro a qualquer momento.
LF não tem liquidez diária
Uma das principais diferenças em relação a produtos com liquidez diária é justamente o prazo.
A regra geral das Letras Financeiras estabelece vencimento mínimo de 24 meses e veda o resgate antes do prazo contratado, salvo hipóteses específicas previstas na regulamentação.
Por isso, recursos destinados a despesas imediatas ou à reserva de emergência não combinam com a estrutura desse título.
O investidor precisa considerar que o dinheiro pode permanecer comprometido por um período prolongado, dependendo das condições estabelecidas na emissão.
No caso da operação do Itaú, os títulos emitidos têm vencimentos ainda mais longos, em 2036 e 2037. A possibilidade de recompra a partir de 2031 também não significa que o investidor tenha direito automático de resgatar o título nessa data, já que a operação está condicionada à autorização prévia do Banco Central.
Qual é o risco de uma Letra Financeira?
Como ocorre com outros títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras, o investidor precisa analisar o risco do emissor e as características específicas do papel.
No caso das Letras Financeiras subordinadas, existe ainda uma característica adicional relacionada à própria estrutura de capital da instituição.
Além disso, a Letra Financeira não conta com a cobertura ordinária do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ausência dessa proteção é uma diferença relevante em relação a determinados produtos bancários que possuem garantia dentro dos limites estabelecidos pelo fundo.
Por isso, a análise não deve considerar apenas a taxa de remuneração oferecida. Prazo, emissor, liquidez, subordinação, tributação e possibilidade de negociação também precisam ser avaliados.
Por que o Itaú fez a captação?
O objetivo informado pelo banco é incorporar os recursos ao Patrimônio de Referência, especificamente ao Capital Nível 2.
Esse indicador faz parte da estrutura utilizada para avaliar a capacidade de absorção de perdas das instituições financeiras e é acompanhado dentro das regras prudenciais aplicadas ao sistema bancário.
De acordo com o comunicado do Itaú, a operação deverá representar impacto estimado de 0,3 ponto percentual no índice de capitalização Nível 2, calculado com base no capital registrado em 30 de junho de 2026.
Portanto, a emissão não representa simplesmente uma oferta convencional de investimento para o público de varejo. Trata-se de uma operação de captação que também tem função na estrutura regulatória de capital do banco.
Itaú já realizou outras emissões em 2026

A emissão de setembro não foi a primeira operação desse tipo realizada pelo Itaú em 2026.
Em março, por exemplo, o banco havia anunciado R$ 3,3 bilhões em Letras Financeiras Subordinadas Nível 2, também destinadas a investidores profissionais. Na ocasião, os títulos tinham vencimento em 2036 e opção de recompra a partir de 2031, sujeita à autorização do Banco Central.
Os comunicados divulgados ao mercado mostram que a instituição vem utilizando diferentes emissões de Letras Financeiras ao longo do ano como parte de sua estratégia de gestão de capital.
O que o investidor precisa observar
Quem encontrar uma oferta de Letra Financeira deve olhar além da promessa de rentabilidade.
Entre os principais pontos estão:
- prazo de vencimento;
- possibilidade ou não de negociação antes do vencimento;
- remuneração contratada;
- risco de crédito da instituição emissora;
- existência de subordinação;
- ausência de cobertura do FGC;
- tributação aplicável;
- valor mínimo de aplicação;
- condições para eventual recompra ou resgate.
No caso das Letras Financeiras subordinadas, o valor mínimo regulamentar de emissão é de R$ 300 mil. Isso não significa, porém, que toda oferta disponível ao investidor terá exatamente esse valor, pois as condições comerciais podem variar conforme a emissão.
Captação do Itaú não significa oferta de R$ 5 bilhões ao pequeno investidor
É importante diferenciar a notícia sobre a captação do banco de uma eventual oferta de investimento para o público em geral.
Os R$ 5 bilhões correspondem ao montante total captado pelo Itaú na emissão anunciada em setembro. A operação foi negociada com investidores profissionais, e não representa que qualquer pessoa possa simplesmente investir parte desse valor nas mesmas condições.
As características do título, incluindo remuneração, valor mínimo e condições de negociação, dependem da emissão específica.
Por isso, o investidor interessado em Letras Financeiras deve consultar a documentação da oferta e verificar se o produto é compatível com seus objetivos e com a necessidade de liquidez.
Itaú reforça capital com títulos de longo prazo
A emissão de R$ 5 bilhões anunciada pelo Itaú em setembro de 2026 amplia a captação de longo prazo do banco e acrescenta recursos ao Capital Nível 2 do Patrimônio de Referência.
Os títulos têm vencimentos em 2036 e 2037 e possibilidade de recompra a partir de 2031, mas essa recompra depende de autorização prévia do Banco Central.
Para o investidor, a operação também chama atenção pelas características próprias das Letras Financeiras: prazo longo, ausência de liquidez diária e, no caso das subordinadas, valor mínimo regulamentar de R$ 300 mil.
Assim, trata-se de um instrumento diferente dos produtos de renda fixa utilizados para objetivos de curto prazo, especialmente por quem precisa ter acesso rápido aos recursos.
