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Itaú realiza cortes de funcionários baseados em desempenho remoto

Itaú demite após revisar conduta no home office; sindicato critica. Banco cita quebra de confiança e gestão responsável.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, se viu novamente no centro de um embate entre práticas de gestão corporativa e direitos dos trabalhadores. A instituição financeira realizou recentemente um número não confirmado de demissões com base em uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”.

Segundo nota divulgada pelo próprio banco, as demissões ocorreram após a identificação de incompatibilidades entre a atividade nas plataformas corporativas e os registros de ponto dos colaboradores. Em outras palavras, o banco entendeu que as horas efetivamente trabalhadas não correspondiam ao que havia sido registrado no sistema de jornada.

O episódio provocou forte reação do movimento sindical, que classificou as demissões como injustas, unilaterais e sem diálogo, acusando o banco de adotar uma postura de vigilância que ignora as particularidades do trabalho remoto.

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Imagem: Freepik e Canva

Revisão de jornada e princípios de confiança

Nota oficial do Itaú

Na versão oficial, o Itaú afirmou que os desligamentos foram motivados por padrões de conduta que ferem os princípios de confiança da instituição. Segundo o banco:

“Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”

A instituição destacou que a medida foi precedida de uma análise rigorosa e que busca preservar o que considera ser um de seus valores fundamentais: a confiança entre empresa e trabalhador.

O que motivou as demissões

O banco não detalhou quantos profissionais foram desligados, mas fontes internas relatam que os casos envolvem funcionários em regime de trabalho remoto com suposta inatividade por longos períodos, alguns superiores a quatro horas, segundo apuração do sindicato.

A análise teria sido baseada em dados de uso das máquinas corporativas, como tempo de inatividade, número de cliques e acessos a sistemas. Essa lógica se aproxima de uma prática cada vez mais comum em grandes corporações: o uso de softwares de monitoramento para mensurar produtividade e presença online.

Críticas do sindicato dos bancários

“Critérios questionáveis e falta de diálogo”

A reação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região foi imediata. Em nota pública, a entidade afirmou que os critérios utilizados são falhos e desumanos, desconsiderando a complexidade do trabalho remoto, problemas técnicos, questões de saúde e sobrecarga de tarefas.

Segundo Maikon Azzi, diretor do sindicato e funcionário do próprio Itaú:

“O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas, em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade. Consideramos esse critério extremamente questionável.”

O dirigente também criticou a falta de advertência ou processo de apuração prévio. Os funcionários, segundo o sindicato, não foram chamados para prestar esclarecimentos nem tiveram oportunidade de apresentar justificativas.

Acusações de desrespeito à categoria

Para Neiva Ribeiro, presidente do sindicato, a decisão do banco fere a relação histórica com os trabalhadores, especialmente em um momento em que o Itaú segue lucrando bilhões de reais por trimestre.

“É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de ‘produtividade’. Com o lucro nas alturas, o banco não tem nenhuma justificativa para demitir.”

A entidade informou ainda que, nos últimos 12 meses, o banco já havia eliminado 518 postos de trabalho, reduzindo seu quadro para 85.775 empregados.

O sindicato solicitou explicações formais ao Itaú e anunciou que vai cobrar a reposição das vagas e respeito aos direitos dos trabalhadores.

Trabalho remoto e monitoramento: onde está o limite?

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Imagem: Ycazac – Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

A crescente vigilância digital

O episódio reacende um debate crescente no mercado de trabalho: até que ponto empresas podem monitorar o comportamento de seus funcionários em home office?

Durante a pandemia, muitas companhias passaram a utilizar sistemas de rastreamento de atividade para medir o tempo de uso do computador, capturar imagens de tela ou registrar padrões de cliques. Essa tendência se intensificou com a consolidação do modelo híbrido ou remoto em várias áreas do setor financeiro.

No caso do Itaú, as demissões sugerem que a atividade digital registrada nas máquinas corporativas se tornou uma métrica decisiva para a avaliação de produtividade e até mesmo para desligamentos por justa causa, ainda que o banco não tenha confirmado essa tipificação legal nos casos recentes.

Riscos e questionamentos legais

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Especialistas em direito do trabalho alertam para limites éticos e jurídicos desse tipo de prática, especialmente quando ela é adotada sem transparência ou sem critérios objetivos claros.

Entre os pontos de atenção estão:

  • O direito do trabalhador à privacidade, mesmo em ambiente digital;
  • A necessidade de políticas claras e documentadas sobre o que é considerado inatividade ou conduta inadequada;
  • O risco de demissões arbitrárias ou desproporcionais baseadas em métricas tecnológicas falhas.

Lucros bilionários e cortes de pessoal

Resultado financeiro não justifica demissões, dizem sindicalistas

O Itaú vem mantendo lucros robustos trimestre após trimestre, o que fortalece os argumentos dos trabalhadores e do sindicato contra as demissões. Só no primeiro semestre de 2025, o banco registrou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 18 bilhões, consolidando-se como uma das instituições mais rentáveis da América Latina.

Para a categoria bancária, essa saúde financeira inviabiliza qualquer justificativa econômica para cortes. O que se vê, segundo os representantes sindicais, é uma tentativa de controle comportamental sob a fachada de gestão eficiente.

Gestão e cultura corporativa em xeque

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Imagem: Freepik e Canva

“Confiança” como argumento central

A palavra mais citada pelo Itaú em sua nota oficial foi “confiança”. O banco afirma que essa é a base de sua cultura, tanto na relação com clientes quanto com colaboradores. No entanto, críticos da decisão argumentam que o próprio desligamento sumário de funcionários sem diálogo prévio mina a credibilidade do discurso corporativo.

Segundo analistas de RH, situações como essa colocam empresas diante de um dilema:

  • Preservar a disciplina e os valores da organização;
  • Evitar decisões que pareçam autoritárias e desumanas.

Riscos para a reputação empregadora

O Itaú costuma figurar entre as melhores empresas para trabalhar, segundo rankings do setor financeiro. Mas episódios como esse podem afetar a imagem da instituição no mercado de talentos, especialmente num cenário de escassez de profissionais qualificados.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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