O Itaú Unibanco divulgou, no segundo trimestre de 2025, um lucro de R$ 11,5 bilhões, o que representa crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar dos números positivos, a expansão financeira veio acompanhada de uma realidade menos favorável para trabalhadores e clientes: demissões em massa e o fechamento de agências bancárias em todo o país.
Itaú segue reestruturação: 227 agências fecharam
Itaú lucra R$ 11,5 bi em 2025, mas fecha 227 agências. Entenda impactos da digitalização e reação dos sindicatos.
De acordo com dados oficiais, a rede de atendimento do Itaú passou de 3.021 agências para 2.738, ou seja, 227 unidades a menos em funcionamento. Essa redução, resultado da reestruturação da instituição, vem sendo justificada pelo banco como parte da sua estratégia de adaptação ao cenário de transformação digital.
Leia mais: Itaú libera Pix via WhatsApp para todos os clientes
Crescimento financeiro e digitalização

A alta no lucro do Itaú está diretamente ligada ao avanço das operações digitais. Segundo o próprio banco, o uso de plataformas online e aplicativos reduziu a necessidade de atendimento físico, tornando obsoleto manter tantas agências abertas.
O indicador de rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 23,3%, um dos maiores entre os bancos brasileiros. Para a instituição, a migração de clientes para o ambiente digital permite aumentar a eficiência, reduzir custos e investir em inovação tecnológica.
Contudo, esse processo não acontece sem efeitos colaterais. Clientes e trabalhadores têm relatado impactos negativos da digitalização acelerada, sobretudo nas regiões onde o acesso à internet e a familiaridade com tecnologia ainda são limitados.
Impactos para os clientes
O fechamento de 227 agências em 2024 gerou preocupações em diversas cidades brasileiras. Muitos clientes relatam dificuldades em conseguir atendimento presencial, especialmente em municípios menores ou bairros periféricos, onde as agências eram a principal referência bancária.
Além disso, idosos e pessoas com pouca habilidade tecnológica encontram barreiras no uso dos aplicativos. Para eles, a transição para o digital não é apenas um desafio de aprendizado, mas também uma questão de inclusão financeira.
Relatos de filas maiores em caixas eletrônicos e de demora no atendimento em unidades ainda ativas reforçam a percepção de que a redução no número de agências pode ter comprometido a experiência do cliente.
Reação dos sindicatos
Os sindicatos dos bancários reagiram fortemente à reestruturação. Em várias cidades, foram organizadas manifestações contra os fechamentos e demissões.
Segundo representantes sindicais, a decisão do Itaú coloca em risco tanto o emprego de milhares de trabalhadores quanto o acesso da população a serviços essenciais.
As entidades defendem que a digitalização é importante, mas não deve ser conduzida de forma excludente. O receio é que comunidades inteiras fiquem sem acesso adequado a serviços bancários, ampliando desigualdades já existentes.
O paradoxo: mais lucro, menos empregos

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O contraste entre os R$ 11,5 bilhões de lucro e os cortes de agências e trabalhadores expõe um dilema do setor bancário. Por um lado, os bancos precisam se adaptar a um mercado cada vez mais digital e competitivo. Por outro, enfrentam a pressão social de manter empregos e assegurar o atendimento para todos os perfis de clientes.
Para especialistas em mercado financeiro, a situação do Itaú reflete uma tendência global. Bancos de diferentes países estão apostando fortemente na digitalização, ao mesmo tempo em que reduzem suas estruturas físicas.
No entanto, no Brasil, esse processo ocorre em um contexto de desigualdade digital, no qual milhões de pessoas ainda não têm acesso pleno à internet ou smartphones.
Desafios futuros
A trajetória do Itaú nos próximos anos dependerá de como a instituição conciliará inovação com responsabilidade social. O crescimento da lucratividade abre espaço para investimentos robustos em tecnologia, mas o risco de desgaste da imagem pública é real, principalmente se clientes e sindicatos mantiverem a percepção de abandono do atendimento presencial.
Para especialistas, o desafio será encontrar um modelo híbrido de atendimento, que combine a eficiência das plataformas digitais com a manutenção de agências em regiões estratégicas.
Outro ponto é a responsabilidade social corporativa: bancos como o Itaú têm papel central na inclusão financeira, e decisões que priorizem apenas a eficiência podem gerar impactos negativos a longo prazo.
Pode ser do seu interesse:
