O Banco do Brasil reafirmou que a proposta apresentada para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico é a última e que não haverá novos avanços nas reivindicações dos funcionários.
A posição foi apresentada na reabertura das negociações, realizada após a maioria das assembleias de trabalhadores ocorridas em 4 de setembro aprovar a retomada das tratativas.
Durante a reunião, o banco afirmou que chegou ao limite da proposta apresentada anteriormente. Entre os argumentos utilizados pela instituição estão as restrições relacionadas à legislação eleitoral e os limites jurídicos para determinadas medidas em ano de eleições.
A reabertura também serviu para esclarecer pontos que ainda geravam dúvidas entre os funcionários, principalmente sobre o reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a Cassi e outras medidas previstas no acordo.
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Banco do Brasil diz que proposta chegou ao limite

A retomada das negociações ocorreu por decisão das assembleias realizadas nas bases sindicais. A expectativa dos representantes dos funcionários era buscar melhorias em pontos que ainda estavam em discussão.
A coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, afirmou que os trabalhadores aprovaram a reabertura justamente porque entendiam que ainda havia espaço para negociação.
Na nova reunião, porém, o BB manteve a proposta anterior.
Segundo o banco, não haverá novos avanços nos itens negociados. A instituição também citou as restrições impostas pela legislação eleitoral como um dos fatores que limitam possíveis alterações.
A legislação eleitoral estabelece restrições à revisão geral da remuneração de agentes públicos em determinados períodos que antecedem as eleições. No caso das empresas estatais, a aplicação de cada regra depende da natureza da medida e do enquadramento jurídico correspondente.
Por isso, a justificativa apresentada pelo BB representa a posição da instituição sobre os limites para a negociação neste momento.
O que acontece com a PLR dos funcionários do BB?
A PLR é um dos pontos que mais chamam a atenção dos funcionários porque está diretamente relacionada ao calendário de pagamentos.
O Banco do Brasil informou que não poderá realizar o processamento da PLR sem a assinatura que garanta juridicamente o crédito do valor. A instituição também afirmou que não é possível realizar dois processamentos em datas diferentes.
Segundo o banco, a decisão está relacionada a uma autuação anterior por pagamentos realizados em datas distintas.
Na prática, os funcionários que não estiverem abrangidos pela assinatura do ACT no momento do processamento não receberão a antecipação prevista para setembro, de acordo com a explicação apresentada pelo BB.
Haverá outro pagamento em fevereiro de 2027, mas, conforme informado pelo banco, sem direito à parcela de setembro referente à antecipação.
A proposta estabelece ainda que a PLR seja creditada em até 72 horas após a assinatura do ACT por todas as bases.
A data definitiva da assinatura deverá ser informada posteriormente pelos sindicatos.
Quem poderá receber os R$ 3 mil do Banco do Brasil?
Outro ponto esclarecido durante a reabertura foi o reconhecimento financeiro de R$ 3 mil previsto na Campanha de Adimplência 2026.
Segundo o Banco do Brasil, aproximadamente 71,5 mil funcionários fazem parte do público-alvo do pagamento.
Estão incluídos trabalhadores lotados em áreas de negócio e apoio. Funcionários de áreas táticas e estratégicas não fazem parte do público definido para o bônus.
O BB também esclareceu que os R$ 3 mil não representam uma nova meta individual.
O indicador de adimplência já está estabelecido para as unidades do banco. Caso o índice previsto na campanha seja alcançado, todos os funcionários que estiverem dentro do público-alvo receberão o reconhecimento financeiro, respeitadas as regras estabelecidas.
A representação sindical informou que, durante as negociações, havia uma estimativa de 85% de probabilidade de o indicador ser alcançado.
Quando será pago o bônus de R$ 3 mil?
A previsão apresentada é de que o pagamento ocorra após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2026.
A expectativa é que o crédito seja realizado em fevereiro de 2027.
O valor, entretanto, está condicionado ao cumprimento do indicador previsto na Campanha de Adimplência 2026. Portanto, o pagamento não deve ser tratado como automático antes da confirmação do resultado e do cumprimento das regras.
Cassi terá adiantamento de R$ 360 milhões
A proposta também prevê um impacto financeiro relevante para a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi).
O banco propôs um adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para o Plano de Associados da Cassi.
A medida está relacionada às discussões sobre o custeio e a sustentabilidade financeira da assistência à saúde dos funcionários.
Durante a negociação, a Comissão de Empresa também pediu esclarecimentos sobre a contratação da Cassi para atendimento do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).
O banco informou que pretende priorizar a contratação da Cassi sempre que houver possibilidade.
Licença-paternidade pode passar de 20 para 35 dias
Entre os avanços previstos no ACT está a ampliação da licença-paternidade.
A proposta prevê que o período passe de 20 para 35 dias.
A mudança será aplicável aos pais de filhos nascidos a partir de 30 dias após a assinatura do acordo, conforme as condições estabelecidas na proposta.
A ampliação representa 15 dias adicionais de licença em relação ao período atualmente previsto no acordo específico.
Auxílio para filhos com deficiência terá aumento
Outro benefício previsto é o reajuste do auxílio destinado aos funcionários com filhos com deficiência.
O valor passará de R$ 760,48 para R$ 874,55, segundo a proposta.
O aumento corresponde a aproximadamente 15%.
A medida faz parte de um conjunto de mudanças relacionadas à inclusão e ao apoio aos trabalhadores que possuem dependentes com deficiência.
Salário de referência das centrais de relacionamento aumenta
A proposta também prevê alteração no salário de referência para funcionários das centrais de relacionamento.
O valor passará de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77, a partir de janeiro de 2027.
A mudança representa uma elevação de cerca de R$ 1,5 mil no salário de referência.
Quais outros benefícios estão previstos no ACT?
Além dos principais pontos financeiros, a proposta reúne mudanças em carreira, inclusão, saúde e condições de trabalho.
Entre os itens apresentados estão:
- Carreira: compromisso de realizar estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração;
- PCDs: financiamento sem juros, em até 96 meses, para pais de filhos com deficiência;
- PCDs: cinco jornadas para reparos em equipamentos;
- Anbima: abono de até cinco dias para deslocamento e realização das provas;
- Violência doméstica: estabilidade na função comissionada por seis meses após o retorno à função nos casos relacionados à Lei Maria da Penha;
- Ações afirmativas: inclusão de políticas que priorizam mulheres, pessoas com deficiência e pessoas não brancas nos processos seletivos internos;
- 31 de dezembro: abono da ausência na data;
- Assalto: indenização de até R$ 550,5 mil em caso de morte decorrente de assalto;
- Endividamento: apresentação de novo modelo para enfrentar o endividamento dos funcionários;
- Doenças crônicas: revisão dos exames complementares;
- Programa Bem Viver: inclusão de egressos de bancos incorporados, condicionada à expansão do atendimento nas CliniCassi;
- SESMT: possibilidade de contratação da Cassi para atendimento;
- União estável: abono de oito dias para formalização.
Banco do Brasil terá programa para riscos psicossociais
A proposta também envolve a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais.
A medida está relacionada à atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a tratar de maneira mais específica dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho.
O objetivo é identificar e reduzir situações que possam contribuir para o adoecimento dos trabalhadores, incluindo problemas relacionados à organização do trabalho, excesso de cobrança e pressão profissional.
Segundo o que foi informado durante a negociação, o Banco do Brasil cumprirá a cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que prevê a participação dos sindicatos nesse processo.
O que acontece agora com o acordo dos funcionários do BB?
A próxima etapa será a avaliação da proposta pelas bases sindicais que ainda não aprovaram o acordo.
Os sindicatos dessas regiões deverão convocar novas assembleias para apresentar aos funcionários a resposta do Banco do Brasil sobre a reabertura das negociações.
A situação pode, portanto, variar entre as diferentes bases de representação.
Outro ponto que permanecia sem resposta era o pedido de prorrogação da chamada ultratividade. Até a atualização mais recente, o banco ainda não havia apresentado uma posição definitiva sobre o assunto.
O Banco do Brasil vai aumentar a proposta?
Até o momento, não.
Na reabertura das negociações, o Banco do Brasil reafirmou que a proposta anteriormente apresentada representa o limite da instituição e que não pretende avançar nas reivindicações.
Isso significa que, caso não haja uma nova mudança de posição, os trabalhadores deverão avaliar a proposta nos termos atualmente apresentados.
O que o funcionário deve fazer agora?
O funcionário do Banco do Brasil deve acompanhar os comunicados do sindicato responsável por sua base e verificar a convocação para eventuais assembleias.
Também é importante observar as condições específicas para cada benefício.
No caso dos R$ 3 mil, por exemplo, o pagamento depende do cumprimento do indicador da Campanha de Adimplência e da inclusão do trabalhador no público-alvo.
Já no caso da PLR, a assinatura do ACT tem impacto direto sobre o processamento da antecipação, conforme os esclarecimentos apresentados pelo banco.
O que está em jogo para os funcionários?

A proposta do Banco do Brasil combina ganhos em benefícios e condições de trabalho com pontos que continuam sem atendimento integral às reivindicações dos trabalhadores.
Entre os principais avanços estão a possibilidade de R$ 3 mil de reconhecimento financeiro, a ampliação da licença-paternidade para 35 dias, o aumento do auxílio para filhos com deficiência, mudanças nas centrais de relacionamento e o adiantamento de R$ 360 milhões para a Cassi.
A PLR, por outro lado, é um dos pontos que exigem maior atenção no calendário imediato, já que o banco condicionou o processamento à assinatura do acordo.
Com o BB afirmando que não pretende apresentar uma proposta melhor, a decisão agora volta para as bases sindicais. Os funcionários deverão avaliar os termos apresentados antes da conclusão da negociação e da assinatura do novo ACT.
Conclusão
Com a decisão do Banco do Brasil de manter a proposta apresentada, a negociação do ACT entra em uma etapa decisiva. O banco afirma que não pretende avançar nos termos oferecidos, enquanto as bases sindicais ainda precisam avaliar a resposta e definir os próximos passos.
Para os funcionários, os principais pontos de atenção são o processamento da PLR, o reconhecimento financeiro de R$ 3 mil para o público elegível, as mudanças nos benefícios e as medidas relacionadas à Cassi, carreira, inclusão e saúde no trabalho.
Agora, a orientação é acompanhar as assembleias e os comunicados do sindicato de cada base. A assinatura do ACT será determinante para a formalização dos novos direitos e também para o calendário dos pagamentos previstos no acordo.
