Em um movimento que reforça a aposta do setor financeiro na transformação digital, o Itaú Unibanco anunciou a criação do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi). A nova entidade, sem fins lucrativos, tem como missão impulsionar o desenvolvimento de tecnologias emergentes por meio de parcerias com universidades e centros de pesquisa no Brasil e no exterior. Com foco em áreas estratégicas como inteligência artificial, computação quântica, neurociência, robótica e realidade estendida, o ICTi já nasce com 50 projetos em andamento e a colaboração de instituições de renome mundial. O objetivo é claro: acelerar a aplicação prática da ciência e gerar impacto real para a sociedade.
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Lançamento com 50 pesquisas em curso

Foco estratégico em IA e computação quântica
O ICTi já nasce com 50 projetos de pesquisa em andamento. Desses, 37 são voltados à inteligência artificial e 13 à computação quântica. Ao todo, cerca de 80 pesquisadores participam da iniciativa. A estrutura é descentralizada, com sedes operacionais distribuídas entre universidades parceiras e coordenação administrativa em São Paulo.
Parcerias acadêmicas de peso
O instituto integra as colaborações que o Itaú mantém com universidades renomadas, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), a Universidade de Stanford, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Goiás (UFG). Além dessas, participam também a UNICAMP, UFBA, UFMG, UFPE, UFRJ e UnB.
Pesquisa aplicada e impacto real
Aplicações práticas para o banco e a sociedade
Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú Unibanco, explicou que o ICTi foi criado com o propósito de aproximar descobertas científicas da aplicação prática:
“Nosso foco é gerar impacto real, para o banco e para a sociedade. Nem toda pesquisa vai virar produto, mas o exercício de experimentação é fundamental.”
Projetos com resultados concretos
Entre os produtos já viabilizados por meio dessas parcerias estão:
- Um agente de IA para o Pix no WhatsApp
- Um resumo automatizado de notícias relevantes para investidores
- Um sistema de detecção de imagens falsas geradas por IA, desenvolvido em parceria com o MIT
Fomento à pesquisa e bolsas para acadêmicos
Incentivo a cientistas em diferentes estágios
O instituto prevê três formatos de bolsas remuneradas, destinadas a pesquisadores desde a iniciação científica até o doutorado. A seleção dos projetos ocorre com base em demandas do mercado e propostas vindas da própria academia.
Diversidade de acordos e objetivos
Mazzei explica que não há um modelo único de parceria:
“Cada colaboração tem uma natureza própria. Há desde acordos voltados à pesquisa básica até o desenvolvimento de protótipos. É uma via de mão dupla.”
Setor privado e academia: aliança estratégica

Parceria como motor de inovação
Anderson Soares, coordenador do curso de IA da UFG, destacou a importância dessa relação:
“Os projetos de maior impacto que fizemos vieram de demandas externas. A interlocução com empresas nos faz refletir sobre como nosso conhecimento pode atender a desafios reais.”
Retenção de talentos e avanço da ciência aplicada
Anna Reali, professora da Poli-USP e diretora do Centro de Ciência de Dados da USP, reforça que essa nova ciência precisa ser colaborativa:
“A academia não pode mais ficar isolada. Esse tipo de ciência fechada não funciona mais.”
O papel do Itaú na inovação bancária
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Superapp e crescimento da equipe de tecnologia
Em 2024, o Itaú lançou um superapp com recursos baseados em IA, como o Inteligência Itaú, ampliando o uso de tecnologia nos serviços bancários. Desde 2019, a equipe de tecnologia do banco cresceu 140%, totalizando 17,5 mil colaboradores — cerca de 20% do quadro total.
Estruturação descentralizada do ICTi
Diferente de centros tradicionais, o ICTi não terá sede física centralizada. O modelo prevê laboratórios e escritórios operacionais dentro das universidades parceiras, com base administrativa centralizada em São Paulo.
O futuro das tecnologias emergentes no Brasil
Acelerando a maturação da inovação
O instituto adota a escala TRL (Technology Readiness Level), uma metodologia que mede o grau de maturidade de uma tecnologia, para organizar as pesquisas. O foco está em transformar ideias inovadoras de baixa maturidade em soluções concretas.
Integração internacional e projeção global
Com a participação de universidades internacionais, o instituto posiciona o Brasil no mapa global da inovação tecnológica. A expectativa é expandir ainda mais a rede de parceiros acadêmicos e empresas em médio prazo.
ICTi como modelo de colaboração para o século XXI

A criação do ICTi marca uma nova fase da relação entre empresas e centros de pesquisa no Brasil. Com um modelo colaborativo, interinstitucional e focado em resultados práticos, o Itaú Unibanco aposta na ciência como vetor de transformação não só do setor financeiro, mas de toda a sociedade.
Enquanto muitos países avançam no desenvolvimento de tecnologias como inteligência artificial e computação quântica, o Brasil dá um passo importante ao estruturar um ecossistema de inovação que une academia, mercado e capital intelectual nacional e internacional.
Conclusão
A criação do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú representa um marco na articulação entre ciência e setor produtivo no Brasil. Ao investir em um ecossistema de inovação robusto, o banco não apenas fortalece sua atuação no campo da tecnologia, mas também contribui para a consolidação de uma rede de pesquisa aplicada com alcance internacional. O modelo descentralizado, que une talentos acadêmicos, demandas do mercado e recursos privados, pode servir como inspiração para outras iniciativas que buscam transformar conhecimento em soluções concretas. Em um cenário global marcado pela aceleração tecnológica, o ICTi surge como uma aposta estratégica para posicionar o Brasil na vanguarda da ciência aplicada e da inovação.



