A hegemonia do Itaú Unibanco (ITUB4) entre os grandes bancos da bolsa brasileira foi colocada em xeque após uma reavaliação recente do UBS BB. O movimento surpreendeu o mercado e colocou em debate a continuidade da valorização das ações do banco, que vinha se destacando como uma das principais escolhas entre os “bancões” na B3.
Enquanto o Bradesco (BBDC4) recupera espaço no radar dos investidores e o Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta revisões negativas por conta da inadimplência no agronegócio, o Itaú tem vivido o desafio de ser, paradoxalmente, vítima do próprio sucesso.
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UBS rebaixa ITUB4 de “compra” para “neutra”
No dia 10 de julho, o UBS BB revisou a recomendação das ações do Itaú de “compra” para “neutra”, o que gerou forte reação no mercado. As ações ITUB4 caíram mais de 3%, liderando as perdas entre os grandes bancos naquele pregão.
Justificativa do rebaixamento
O UBS destacou que, apesar do banco manter uma sólida performance operacional, com retorno sobre patrimônio (ROE) de 23%, os papéis já haviam subido 38% em 2025 até a data do relatório e estavam negociados a múltiplos historicamente altos — cerca de duas vezes o valor patrimonial da instituição.
“O espaço para valorização adicional é limitado”, apontou o relatório. A casa reconhece a força operacional, mas vê dificuldade em surgirem surpresas positivas que justifiquem novos ganhos expressivos.
Dividendos generosos, mas precificados
Outro ponto citado pelo UBS é o robusto programa de dividendos do Itaú, com previsão de R$ 55 bilhões em proventos nos próximos 18 meses. Ainda assim, o banco entende que esse retorno já está embutido no preço atual das ações.
Ações podem manter retorno, mas exigem mais
Segundo um gestor ouvido sob anonimato, “o Itaú é uma vítima do próprio sucesso”. Ele destaca que os fundamentos continuam sólidos e há espaço para retornos positivos no longo prazo, mas novas alavancas de crescimento são necessárias.
Ajustes no custo de servir clientes
Para gerar retornos extraordinários, o banco precisará intensificar esforços em reduzir o custo de atendimento, especialmente para aumentar presença na baixa renda, um segmento em que o banco ainda possui menor exposição.
Esse menor envolvimento com a base de renda mais baixa, no entanto, foi justamente o que protegou o Itaú de impactos maiores nos ciclos recentes de inadimplência, o que reforça a solidez de sua gestão de risco.
Olhar para frente: expansão seletiva
O Santander, em análise recente, destaca que o Itaú deve acelerar a concessão de crédito em nichos específicos, especialmente após ter estabilizado a inadimplência da carteira. A instituição mantém o papel em sua carteira Top 10 do Ibovespa, refletindo confiança nos fundamentos da empresa.
Guidance de 2025: crescimento mais contido

O guidance do Itaú para o ano atual prevê crescimento entre 4,5% e 8,5% na carteira de crédito, número consideravelmente inferior aos 15,5% registrados em 2024. Esse movimento reflete um cenário de juros elevados, com a Selic projetada em 15%, além da inflação ainda pressionada.
Rentabilidade segue firme
Mesmo com crescimento mais moderado, a rentabilidade segue elevada. O Itaú segue como líder do setor em ROE, índice que mede o retorno sobre o patrimônio líquido.
Expectativa para o balanço do 2º trimestre
O Itaú divulgará seus resultados do segundo trimestre no dia 5 de agosto. As prévias indicam números sólidos, reforçando a leitura de que o banco ainda apresenta fundamentos robustos, mesmo diante de múltiplos mais altos.
Projeções da Genial Investimentos
A Genial projeta lucro líquido recorrente de R$ 11,4 bilhões, novo recorde para o banco. O ROE deve ficar em 22,1%, e a carteira de crédito deve atingir R$ 1,37 trilhão. Já a inadimplência, que tem se mantido em níveis controlados, deve continuar estável.
“Uma melhora nos indicadores de crédito exigiria sacrifício de rentabilidade, algo pouco provável em um ambiente ainda pressionado por Selic alta”, afirmaram os analistas.
Expectativa de leve deterioração
A casa vê uma possível piora gradual na qualidade da carteira de crédito nos próximos trimestres, mas destaca que o Itaú demonstrou superioridade na gestão de risco em ciclos anteriores, equilibrando rentabilidade e crescimento.
Avaliações de outras casas seguem positivas
Apesar do rebaixamento do UBS, grandes casas internacionais continuam confiando na ação.
Bank of America (BofA)
O BofA mantém recomendação de compra, destacando o “histórico de execução e previsibilidade de lucros” do banco.
JP Morgan
O JP Morgan também segue otimista e classifica ITUB4 com performance acima da média do mercado, elogiando a capacidade de geração de valor e receita financeira elevada em comparação aos pares.
O contexto dos “bancões” em 2025
O panorama entre os grandes bancos da bolsa tem se transformado:
- Bradesco (BBDC4) saiu da lanterna e hoje figura entre as recomendações mais fortes, com recuperação de margem e melhora na gestão de risco.
- Banco do Brasil (BBAS3) sofre com revisões negativas após o aumento da inadimplência no setor agro.
- Itaú, embora ainda forte, enfrenta o desafio de crescer sobre uma base já muito valorizada.
O que esperar do Itaú no médio e longo prazo?

Retorno composto continua atraente
Apesar da dificuldade em gerar novas surpresas, analistas afirmam que o Itaú continuará sendo uma excelente ação para retorno composto no longo prazo, graças à sua rentabilidade, gestão conservadora e eficiência operacional.
Desafios para crescer mais
Para retomar um ritmo acelerado, o banco precisará:
- Reduzir custos operacionais
- Expandir sua atuação em novos segmentos
- Inovar no relacionamento com o cliente
- Equilibrar risco e crescimento de forma sustentável
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital




