Na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2025, o Itaú Unibanco (ITUB4) não apenas apresentou números sólidos, mas também enfrentou questionamentos delicados sobre o cenário jurídico internacional. Em meio às sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, jornalistas perguntaram sobre os possíveis impactos dessa legislação para bancos e empresas brasileiras. O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, evitou entrar em especulações, mas deixou clara a postura do banco.
Itaú sobre Lei Magnitsky: agimos com rigor legal global – cumprimento estrito em todas as jurisdições
CEO do Itaú reforça atuação legal global após questionamentos sobre impacto da Lei Magnitsky em empresas brasileiras.
“Discutir extensão é algo que eu prefiro não comentar. Esse é um tema que não temos controle algum, naturalmente, e não discutimos o campo das hipóteses. Nem casos específicos, seja por uma questão de segredo bancário ou de LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados]”, afirmou Maluhy, ao ser indagado durante a coletiva.
A resposta do executivo reflete uma abordagem cautelosa diante de um tema sensível, especialmente considerando o papel global do banco e o alcance internacional da legislação norte-americana.
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O que é a Lei Magnitsky?

A Lei Magnitsky (Magnitsky Act), de origem nos Estados Unidos, foi criada em 2012 para punir indivíduos envolvidos em corrupção, violações de direitos humanos e atos antidemocráticos ao redor do mundo. A legislação autoriza o governo americano a aplicar sanções econômicas e restrições de visto contra pessoas e entidades estrangeiras.
Mais recentemente, essa lei voltou ao centro do debate no Brasil após o governo dos EUA incluir o ministro Alexandre de Moraes em uma lista de sancionados. Isso acendeu um alerta para empresas, bancos e agentes econômicos brasileiros que possam ter relações comerciais, ainda que indiretas, com indivíduos sancionados.
Postura do Itaú: conformidade acima de tudo
Com atuação em 19 países, o Itaú é uma das maiores instituições financeiras da América Latina. Diante de possíveis desdobramentos da aplicação da Lei Magnitsky, a fala do CEO reforçou a política interna do banco de cumprimento irrestrito da legislação local e internacional:
“Cumprimos rigorosamente as leis de todas as jurisdições onde atuamos. Temos advogados externos e nos cercamos dos melhores consultores jurídicos”, declarou Maluhy.
O executivo destacou ainda que o Itaú mantém atenção redobrada às normas internacionais que afetam o ambiente regulatório e de compliance, especialmente em um cenário de crescente globalização dos serviços bancários e conexões com fornecedores e parceiros internacionais.
“A gente cumpre as normas locais e domésticas e toda a legislação dos países onde a gente está baseado também do ponto de vista das relações comerciais que temos com parceiros e fornecedores”, completou.
Contexto: sanções e riscos para empresas brasileiras
Apesar de não haver até o momento qualquer citação direta a empresas brasileiras nas sanções impostas, o caso de Alexandre de Moraes abre um precedente preocupante. Nos bastidores, a possibilidade de efeitos colaterais sobre agentes econômicos ligados — direta ou indiretamente — a indivíduos sancionados é analisada com atenção por empresas que atuam globalmente, como o Itaú.
Especialistas em direito internacional apontam que bancos e corporações que não se adaptarem a sanções externas, como as da Lei Magnitsky, correm riscos de sofrerem restrições financeiras, bloqueios em operações internacionais e até perda de acesso ao sistema financeiro global, como o SWIFT.
Resultados financeiros reforçam solidez do banco
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Mesmo diante do cenário geopolítico conturbado, o Itaú Unibanco manteve um desempenho expressivo no segundo trimestre de 2025. O banco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 11,5 bilhões, representando um crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse resultado veio em linha com as expectativas dos analistas e reafirma a capacidade do banco de gerar valor aos acionistas mesmo em um ambiente econômico desafiador. A postura do Itaú em temas regulatórios também é considerada um diferencial competitivo, especialmente entre investidores institucionais que exigem alto padrão de compliance.
Riscos regulatórios no radar de investidores

Com o avanço de legislações internacionais extraterritoriais, como a Lei Magnitsky e outras normas similares em países da Europa e Ásia, riscos regulatórios estão cada vez mais presentes nos relatórios de risco de grandes bancos. A fala de Milton Maluhy mostra uma tentativa clara de distanciamento de qualquer possibilidade de implicação:
“Esse é um tema que não temos controle algum, naturalmente”, disse, reforçando o tom institucional.
A abordagem foi vista como prudente pelo mercado, que acompanhou a coletiva de perto diante da instabilidade política no país e seus reflexos no setor financeiro.
Com informações de: Exame
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