O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (31) que está tranquilo diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) que apuram uma suposta relação entre seu nome e o Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, o parlamentar declarou ter certeza de que conseguirá comprovar sua inocência ao longo do processo.
Wagner afirma que colaborará com investigação da PF e provará inocência
Senador Jaques Wagner afirma que provará inocência após avanço da investigação da Polícia Federal sobre suposta ligação com o Banco Master.
A declaração ocorre em meio ao avanço da Operação Compliance Zero, que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a autorizar medidas como a quebra do sigilo telefônico do senador e o monitoramento dos deslocamentos de seu celular.
O caso envolve suspeitas de pagamentos indevidos, transações imobiliárias e possíveis tentativas de acesso a informações sigilosas da investigação. Ao mesmo tempo, a defesa de Wagner nega irregularidades e afirma que ele colaborará com as autoridades.
Ao longo deste artigo, entenda o que está sendo investigado, quais medidas já foram adotadas pela Justiça e quais podem ser os próximos passos do caso.
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O que disse Jaques Wagner sobre a investigação

Durante a entrevista concedida à Rádio Baiana FM, Jaques Wagner afirmou que confia no trabalho das instituições e que pretende demonstrar sua inocência ao fim das investigações.
Segundo o senador, cabe à Polícia Federal conduzir as apurações, ao Ministério Público analisar as conclusões e ao Judiciário decidir sobre eventuais responsabilidades.
Wagner também declarou que conhece os próprios atos e que não teme o avanço da investigação.
Até o momento, não há condenação nem denúncia definitiva contra o parlamentar.
Por que o STF autorizou novas medidas de investigação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra do sigilo telefônico do senador e o monitoramento de seu aparelho celular no contexto da Operação Compliance Zero.
A decisão foi tomada após suspeitas de que informações relacionadas a uma fase da investigação poderiam ter sido divulgadas antecipadamente.
Em investigações criminais, medidas desse tipo dependem de autorização judicial e costumam ser adotadas quando os investigadores entendem que elas podem ajudar a esclarecer fatos relevantes para o processo.
O que é a Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero é conduzida pela Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades envolvendo operações financeiras, movimentações patrimoniais e a relação entre empresários e agentes públicos.
Ao longo das diferentes fases da operação, foram realizadas buscas, apreensões e análises de documentos e dispositivos eletrônicos.
As investigações seguem em andamento, e os fatos ainda serão analisados pelo Ministério Público e pela Justiça.
Quais são as suspeitas envolvendo o Banco Master
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que pagamentos indevidos teriam sido feitos por integrantes ligados ao Banco Master em favor de agentes políticos.
Entre os elementos analisados pelos investigadores está a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões atribuído a Jaques Wagner. A PF sustenta que a negociação teria utilizado um modelo semelhante ao identificado em imóveis ligados ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Os investigadores também examinam mensagens encontradas no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
De acordo com a investigação, uma lista intitulada “lembranças de fim de ano” sugeria o envio de presentes, incluindo garrafas de vinho de alto valor, para autoridades políticas, entre elas o senador baiano.
As autoridades ainda apuram conversas que indicariam encontros entre Daniel Vorcaro e Jaques Wagner, além da utilização de aeronaves e da possibilidade de interlocução com integrantes do governo federal.
Até o momento, todas essas informações fazem parte da investigação e ainda dependem de análise judicial definitiva.
Busca e apreensão e bloqueio de bens
Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.
No dia seguinte à operação, o senador teria tentado vender um terreno avaliado em R$ 15 milhões localizado na região metropolitana de Salvador.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a negociação não foi concluída porque o cartório responsável identificou uma ordem judicial de bloqueio de bens relacionada ao caso.
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O bloqueio patrimonial é uma medida cautelar utilizada para preservar valores e bens que possam ser relevantes para futuras decisões judiciais.
Como funciona uma investigação desse tipo
Uma investigação criminal envolvendo autoridades com foro privilegiado costuma seguir várias etapas:
- coleta de documentos e provas;
- análise de movimentações financeiras;
- autorização judicial para medidas específicas;
- manifestação do Ministério Público;
- eventual apresentação de denúncia;
- julgamento pelo Poder Judiciário.
Isso significa que a abertura de uma investigação não representa, por si só, culpa ou condenação.
Caso o Ministério Público entenda que não existem elementos suficientes, o processo pode ser arquivado. Se houver denúncia, caberá ao STF analisar as acusações e decidir sobre a continuidade do caso.
Quais podem ser os próximos passos

Nos próximos meses, a Polícia Federal deverá concluir novas etapas da apuração e encaminhar suas conclusões ao Ministério Público.
A partir daí, os procuradores poderão solicitar novas diligências, pedir o arquivamento ou apresentar denúncia formal ao Supremo Tribunal Federal.
Enquanto isso, a defesa do senador afirma que pretende demonstrar a inexistência de irregularidades.
Conclusão
A investigação envolvendo Jaques Wagner e o Banco Master ainda está em fase de apuração e reúne suspeitas relacionadas a movimentações financeiras, negociações imobiliárias e possíveis trocas de informações.
Embora medidas cautelares tenham sido autorizadas pelo STF, não há condenação definitiva nem decisão final sobre o caso.
Para quem acompanha a política nacional, os próximos passos dependerão das conclusões da Polícia Federal, da análise do Ministério Público e das decisões que vierem a ser tomadas pelo Supremo Tribunal Federal.
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