A tradicional rede norte-americana de materiais para artesanato Joann anunciou que encerrará definitivamente todas as suas operações físicas até maio de 2025. Com mais de oito décadas de história, a marca era referência entre costureiros, artistas plásticos e adeptos da cultura do “faça você mesmo” (do it yourself – DIY).
Grande rede fecha todas as lojas após 80 anos e liquida estoque com até 90%
Após mais de 80 anos no setor, a Joann encerra suas atividades e fecha todas as lojas nos EUA, revelando os desafios enfrentados pelo varejo artesanal.
O fechamento marca o fim de uma era no varejo especializado e expõe, de forma clara, os desafios enfrentados por redes físicas diante de uma transformação acelerada no comportamento do consumidor e no próprio formato do varejo.
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Recuperação judicial e liquidação das lojas

A tentativa de reestruturação falhou
Após entrar com pedido de recuperação judicial em 2024, a Joann buscou reestruturar suas operações para tentar sobreviver. A empresa tentou renegociar dívidas, cortar gastos operacionais e acelerar a digitalização. No entanto, as tentativas não surtiram o efeito esperado.
Descontos massivos para liquidação de estoque
O processo de encerramento das atividades teve início com o fechamento de aproximadamente 200 lojas em 2024. Já em 2025, a Joann iniciou uma grande liquidação nas unidades restantes, oferecendo descontos de até 90% para escoar os estoques. O objetivo era reduzir os prejuízos e agilizar o fechamento completo até maio.
Com isso, mais de 800 lojas foram encerradas em todo o território norte-americano, encerrando também uma trajetória que marcou gerações.
A pandemia e a transformação do varejo
Como o varejo físico foi impactado
A crise do varejo físico foi brutalmente acelerada pela pandemia de covid-19. O isolamento social provocou quedas drásticas no fluxo de clientes nas lojas físicas. Ao mesmo tempo, exigiu das empresas uma rápida migração para o digital — algo que nem todas estavam preparadas para fazer.
A Joann não conseguiu acompanhar a concorrência
Enquanto concorrentes diretos e indiretos conseguiram adaptar seus canais digitais com agilidade, a Joann enfrentou obstáculos logísticos, operacionais e tecnológicos. O novo perfil do consumidor — mais conectado, exigente e em busca de conveniência — não foi plenamente atendido pela rede.
Esse descompasso entre o modelo tradicional da Joann e as novas exigências do mercado foi um dos fatores cruciais para a sua queda.
O papel da Joann na cultura maker dos EUA
Mais do que uma loja: um símbolo da criatividade
Fundada nos anos 1940, a Joann não era apenas um ponto de venda. A rede se transformou em um símbolo cultural para milhares de norte-americanos. Seus corredores eram verdadeiros centros de inspiração, onde pessoas comuns e artistas renomados buscavam insumos para seus projetos criativos.
Incentivo à economia criativa
A empresa teve papel relevante na economia criativa dos EUA, fornecendo produtos e também promovendo oficinas, encontros e cursos em suas unidades. A cultura maker — movimento que valoriza a produção manual, autoral e personalizada — encontrava na Joann um aliado poderoso.
Com o fechamento da rede, um elo importante desse ecossistema criativo se rompe.
Impactos para o mercado de artesanato e costura
Artesãos e criativos perdem um ponto de apoio
O impacto mais imediato é sobre os pequenos empreendedores, artesãos e hobbistas que dependiam da variedade de produtos da Joann. Em várias cidades, ela era a única fornecedora de materiais como tecidos, linhas, moldes, tintas e ferramentas especializadas.
Com a saída da Joann do mercado, muitos desses consumidores precisarão recorrer a alternativas menos acessíveis ou menos especializadas.
Mercados locais e pequenos comércios podem crescer
Paradoxalmente, o fechamento da Joann também pode abrir espaço para que pequenas lojas e ateliês locais ganhem relevância. Há uma expectativa de que esse vácuo seja ocupado por empreendedores que conheçam o público artesanal e consigam oferecer um atendimento mais personalizado.
A reinvenção do setor artesanal

Varejo híbrido e digital como tendência
Especialistas apontam que o caminho para a sobrevivência no setor artesanal passa pela adoção de um modelo híbrido, que una e-commerce eficiente, experiência de compra acolhedora e comunidades digitais engajadas.
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+311 mil seguidores
O novo consumidor quer mais do que comprar: ele deseja interagir, aprender e se inspirar com outras pessoas criativas. A Joann, ao não conseguir evoluir nesse sentido, acabou ficando para trás.
Plataformas digitais ganham força
Plataformas como Etsy, Pinterest, TikTok e Instagram já exercem forte influência sobre o mercado DIY. Criadores de conteúdo e artesãos conseguem divulgar seus produtos, compartilhar técnicas e vender diretamente aos clientes. Esse ecossistema digital tende a crescer com a saída de um grande player físico como a Joann.
Oportunidades e riscos no cenário pós-Joann
O que pode surgir no lugar da Joann?
O encerramento da Joann não representa apenas o fim de uma empresa, mas o surgimento de oportunidades para novos formatos de negócios. Startups voltadas ao artesanato, serviços de assinatura de materiais, marketplaces especializados e hubs criativos híbridos podem ocupar esse espaço.
Desafios também são grandes
Por outro lado, o risco de que consumidores migrem para plataformas generalistas — como Amazon e grandes varejistas — também é real. Nesse cenário, perde-se parte da personalização, da curadoria de produtos e do atendimento especializado que a Joann oferecia.
A morte de um ícone varejista
A história da Joann se encerra como um retrato das profundas transformações que afetam o varejo físico em todo o mundo. Mais do que uma questão econômica, trata-se de uma mudança cultural, impulsionada por novos hábitos de consumo, avanços tecnológicos e um novo olhar sobre o que significa “comprar”.
O adeus à Joann simboliza o fim de um modelo de negócio que resistiu por mais de 80 anos, mas não conseguiu sobreviver à era digital e às transformações trazidas pela pandemia.
O que esperar do futuro do setor criativo?

A lacuna deixada pela Joann será difícil de preencher, mas também pode servir como catalisador para novas ideias, redes de apoio entre artesãos, e-commerce colaborativo e espaços de criação compartilhados.
A cultura maker continuará viva — e talvez mais forte — se conseguir se reinventar diante desse novo cenário.
Conclusão
O fechamento da Joann é um marco no varejo americano e lança luz sobre os desafios do setor artesanal em um mundo cada vez mais digital. Fica a lição de que tradição, embora valiosa, precisa caminhar junto com inovação para sobreviver às rápidas mudanças de mercado.
