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Após venda de ações da Microsoft juíza mantém processo contra a OpenAI

A juíza federal magistrada Ona Wang, responsável por questões pré-processuais em uma das maiores disputas judiciais envolvendo inteligência artificial e direitos autorais nos Estados Unidos, revelou que possuía ações da Microsoft enquanto atuava no processo. Em documento protocolado em 11 de setembro no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, […]

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A juíza federal magistrada Ona Wang, responsável por questões pré-processuais em uma das maiores disputas judiciais envolvendo inteligência artificial e direitos autorais nos Estados Unidos, revelou que possuía ações da Microsoft enquanto atuava no processo.

Em documento protocolado em 11 de setembro no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, Wang informou que vendeu sua participação na companhia e, por isso, decidiu permanecer no caso. A magistrada afirmou ainda que a posse das ações não interferiu em nenhuma decisão tomada durante o processo.

A revelação ocorre justamente quando a disputa entre OpenAI, Microsoft, veículos de comunicação e autores entra em uma etapa decisiva. O processo discute se o uso de obras protegidas por direitos autorais para desenvolver sistemas de inteligência artificial pode ser considerado legal nos Estados Unidos.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A situação envolve uma questão de conflito de interesses no Judiciário americano. Wang reconheceu que a propriedade de ações da Microsoft normalmente seria motivo para seu afastamento de um processo que envolve diretamente a empresa.

A magistrada, porém, citou o Canon 3C(4) do Código de Conduta para Juízes dos Estados Unidos. Segundo a regra mencionada no documento, a desqualificação decorrente de um interesse financeiro pode deixar de existir quando o magistrado se desfaz da participação que gerava o potencial conflito, desde que o resultado do processo não possa afetar substancialmente esse interesse.

Wang afirmou ter vendido as ações e concluiu que sua antiga participação financeira não poderia ser substancialmente afetada pelo resultado da disputa. Ela também argumentou que a permanência no processo atende ao interesse público porque evitaria a necessidade de transferir o trabalho para outro magistrado.

A juíza afirmou que as ações influenciaram o caso?

Não. Na comunicação enviada às partes, Wang declarou que sua participação acionária não afetou nem influenciou suas decisões no processo.

A declaração, entretanto, não elimina a importância da divulgação. A transparência sobre eventuais interesses financeiros é justamente uma das ferramentas utilizadas para preservar a confiança na imparcialidade do Judiciário.

Qual é o processo envolvendo OpenAI e Microsoft?

A disputa faz parte de uma ampla litigância sobre o uso de conteúdo protegido por direitos autorais no treinamento de sistemas de inteligência artificial.

O New York Times processou a OpenAI e a Microsoft em 2023, alegando que milhões de artigos jornalísticos foram utilizados sem autorização no desenvolvimento de tecnologias de IA. Paralelamente, autores como John Grisham, George R.R. Martin e Jonathan Franzen também moveram ações relacionadas ao uso de livros no treinamento de modelos de inteligência artificial. Os processos foram posteriormente reunidos em uma estrutura de litígio multidistrital em Nova York.

A questão central vai além das empresas envolvidas. O julgamento pode ajudar a estabelecer parâmetros para definir quando o uso de material protegido por copyright no treinamento de modelos de IA é permitido pela legislação americana.

Por que o caso é importante para a inteligência artificial

O processo coloca em discussão uma das maiores questões jurídicas da indústria de IA: empresas podem utilizar grandes volumes de livros, reportagens e outros conteúdos protegidos para treinar modelos sem obter autorização dos proprietários?

Os autores e veículos que processam as empresas argumentam que o uso de suas obras prejudica seus mercados e explora comercialmente material protegido sem licença.

OpenAI e Microsoft apresentam uma interpretação diferente. As empresas sustentam que o treinamento de modelos envolve um uso transformador do conteúdo e defendem a aplicação da doutrina de fair use, mecanismo previsto no direito autoral americano para determinadas utilizações de obras protegidas.

A discussão ganhou ainda mais importância depois que outros tribunais americanos apresentaram decisões distintas em processos relacionados ao treinamento de sistemas de IA, deixando o cenário jurídico longe de uma solução uniforme.

Caso pode influenciar empresas de tecnologia e criadores

Uma decisão favorável aos autores poderia aumentar a pressão para que empresas de inteligência artificial negociem licenças, remuneração ou outras formas de autorização para utilizar conteúdo protegido no treinamento de seus modelos.

Por outro lado, uma interpretação favorável às empresas de tecnologia poderia fortalecer o argumento de que determinadas formas de treinamento de IA são compatíveis com o conceito de fair use.

O impacto potencial alcança editoras, jornais, escritores, desenvolvedores de IA e empresas que trabalham com grandes bases de dados. Por isso, o processo é acompanhado de perto pela indústria tecnológica e pelo setor de produção de conteúdo.

Disputa entra em momento decisivo

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Divulgação/OpenAI

Em setembro de 2026, OpenAI e Microsoft estão apresentando argumentos para tentar obter decisões favoráveis antes de um eventual julgamento completo. As partes vêm discutindo questões relacionadas ao treinamento dos modelos, à utilização de material protegido e ao alcance das alegações apresentadas pelos autores.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos também apresentou manifestação defendendo uma posição favorável à OpenAI em parte da controvérsia, argumentando que o uso das reportagens poderia ser considerado permitido pela legislação de direitos autorais.

Nesse contexto, a decisão de Wang de permanecer no processo acrescenta uma questão institucional à disputa tecnológica: além de definir os limites legais para o treinamento de inteligência artificial, o tribunal precisa assegurar que o julgamento seja conduzido com transparência e imparcialidade.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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