As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs), principal referência para o mercado de juros no Brasil, encerraram a quarta-feira em alta após acumularem uma sequência de sete sessões consecutivas de queda. O movimento refletiu, principalmente, o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), que voltou a pressionar os mercados globais em meio às expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed).
Taxas dos DIs reagem à alta dos Treasuries no mercado externo
Taxas dos DI encerram sequência de quedas após alta dos Treasuries. Mercado acompanha Fed, Selic e cenário político brasileiro.
Além do cenário internacional, investidores acompanharam indicadores econômicos dos Estados Unidos, novas projeções para a taxa Selic e o ambiente político brasileiro, fatores que continuam influenciando a formação dos juros futuros no país.
O resultado foi uma interrupção do movimento de alívio observado nos últimos dias na curva de juros brasileira.
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O que são os contratos de DI e por que eles são importantes
Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) são utilizados como referência para as expectativas do mercado sobre a evolução dos juros no Brasil.
Esses contratos servem de base para:
- precificação de financiamentos;
- empréstimos bancários;
- títulos públicos e privados;
- investimentos em renda fixa;
- operações de hedge realizadas por empresas e instituições financeiras.
Quando as taxas dos DIs sobem, isso geralmente indica que os investidores passaram a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro no futuro, refletindo mudanças nas expectativas para inflação, política monetária ou cenário econômico.
Taxas interrompem sequência de quedas
Após sete sessões consecutivas de recuo, as taxas voltaram a subir em praticamente toda a curva de juros.
Entre os principais vencimentos negociados no mercado:
- o DI para janeiro de 2028 encerrou o dia em 14,095%, alta de 11 pontos-base em relação ao fechamento anterior;
- o contrato para janeiro de 2035 fechou em 14,33%, avanço de 16 pontos-base.
O movimento foi mais intenso nos vencimentos mais longos, que costumam ser mais sensíveis às expectativas sobre inflação, política fiscal e juros internacionais.
Alta dos Treasuries pressionou os mercados
O principal fator por trás da alta dos juros futuros brasileiros foi o comportamento dos títulos públicos norte-americanos.
Durante praticamente todo o dia, os rendimentos dos Treasuries avançaram, elevando a atratividade dos ativos considerados mais seguros do mundo.
Quando os juros dos títulos dos Estados Unidos sobem, investidores internacionais frequentemente redirecionam parte dos recursos para o mercado americano, reduzindo o fluxo para economias emergentes, como o Brasil.
Esse movimento costuma provocar ajustes também nos mercados de juros locais.
Ao fim da tarde, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — registrava alta para cerca de 4,48%.
Dados de emprego dos EUA ficaram abaixo do esperado
O mercado também acompanhou novos indicadores sobre a economia norte-americana.
A empresa ADP informou que o setor privado dos Estados Unidos criou 98 mil vagas de trabalho em junho, resultado inferior às expectativas dos analistas, que projetavam aproximadamente 118 mil novos empregos.
Apesar da desaceleração na geração de vagas, o indicador teve impacto limitado sobre os mercados.
Isso ocorre porque, historicamente, o levantamento da ADP nem sempre antecipa com precisão os resultados do payroll, relatório oficial de emprego divulgado pelo governo dos Estados Unidos.
Por esse motivo, muitos investidores preferiram aguardar os dados oficiais antes de alterar significativamente suas apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Expectativas para o Federal Reserve seguem no radar
As perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos continuam sendo um dos principais fatores que influenciam os mercados financeiros globais.
Mesmo com sinais de desaceleração em alguns indicadores econômicos, parte dos investidores ainda considera possível que o Federal Reserve mantenha uma postura cautelosa em relação aos juros diante da persistência de riscos inflacionários.
Durante o dia, declarações de integrantes do banco central americano contribuíram para reduzir parte da pressão sobre os Treasuries, ao destacar que as expectativas de inflação vêm mostrando sinais de melhora.
Ainda assim, os rendimentos dos títulos permaneceram em alta durante boa parte da sessão.
Realização de lucros também influenciou os DIs
Além do cenário internacional, operadores destacaram outro fator para o avanço das taxas.
Após vários dias consecutivos de queda, muitos investidores aproveitaram para realizar lucros em posições aplicadas em juros, movimento considerado comum após períodos prolongados de valorização.
Esse ajuste técnico contribuiu para ampliar a alta observada ao longo da sessão.
Mercado acompanha eleições e cenário político
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No Brasil, o ambiente político também permaneceu no radar dos investidores.
Uma pesquisa eleitoral divulgada pela Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro.
Segundo o levantamento:
- Lula aparece com 48,8% das intenções de voto;
- Flávio Bolsonaro registra 42,3%.
A pesquisa possui margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Paralelamente, o mercado também acompanhou notícias envolvendo o cenário interno do Partido Liberal (PL), incluindo informações sobre mudanças na direção do PL Mulher.
Embora acontecimentos políticos possam provocar oscilações pontuais nos ativos financeiros, analistas destacam que ainda é cedo para que o cenário eleitoral exerça influência estrutural sobre os preços dos mercados.
Expectativas para a Selic continuam mudando
Apesar da alta dos juros futuros nesta sessão, investidores seguem avaliando a possibilidade de redução da taxa Selic nos próximos meses.
As negociações envolvendo contratos futuros de juros indicam aumento das apostas em um eventual corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Segundo as precificações observadas na B3 nos últimos dias:
- cresceu a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic;
- diminuiu a expectativa de manutenção da taxa básica no atual patamar.
Essas projeções podem continuar mudando conforme novos indicadores econômicos sejam divulgados, especialmente dados sobre inflação, atividade econômica e mercado de trabalho.
Por que os juros futuros reagem ao cenário internacional

Embora a Selic seja definida pelo Banco Central do Brasil, fatores externos exercem influência direta sobre os juros negociados no mercado.
Entre os principais elementos observados pelos investidores estão:
- decisões do Federal Reserve;
- inflação nos Estados Unidos;
- crescimento da economia americana;
- comportamento dos Treasuries;
- fluxo internacional de capitais;
- percepção de risco global.
Quando os juros americanos sobem, investidores costumam exigir retornos maiores também para aplicar recursos em países emergentes, o que contribui para elevar as taxas futuras brasileiras.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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