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Investidores encontram taxas mais baixas em LCIs e LCAs

Taxas de LCI e LCA recuam em 2026. Entenda como comparar com CDBs, riscos, vantagens e quando os títulos isentos ainda compensam.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
Ibovespa

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) continuam entre os investimentos de renda fixa mais procurados pelos brasileiros. O principal motivo permanece o mesmo: a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

No entanto, o cenário mudou significativamente em 2026. As taxas oferecidas pelos bancos ficaram menores, especialmente nas LCIs, exigindo mais atenção dos investidores na comparação com alternativas como CDBs, Tesouro Direto e outros títulos de renda fixa tributados.

Dados da Quantum Finance mostram que a remuneração média das LCIs atreladas ao CDI com prazo de 12 meses caiu de 94,41% do CDI em 2025 para 88,00% em 2026. Nas LCAs, a redução foi mais moderada, passando de 90,05% para 88,24% do CDI.

Ao mesmo tempo, houve uma forte queda nas emissões de LCIs, que passaram de 197 para apenas 16 títulos entre janeiro e maio deste ano. Já as LCAs seguiram trajetória oposta, aumentando de 6.172 para 7.278 emissões no mesmo período.

O movimento revela uma transformação importante no mercado de renda fixa e reforça a necessidade de avaliar mais do que apenas a taxa anunciada.

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LCI
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Diversos fatores explicam a redução da rentabilidade oferecida pelos bancos.

Menor demanda por crédito imobiliário

Com os juros ainda elevados, o mercado imobiliário desacelerou em relação aos anos anteriores. Como as LCIs são utilizadas para financiar operações ligadas ao setor imobiliário, a necessidade de captação dos bancos diminuiu.

Forte captação em 2025

No segundo semestre de 2025, investidores correram para aplicar em LCIs e LCAs diante dos rumores sobre possíveis mudanças tributárias nesses produtos.

Essa forte entrada de recursos reduziu a necessidade de novas captações em 2026, permitindo que as instituições financeiras oferecessem remunerações menores.

Bancos mais seletivos

As instituições financeiras também passaram a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito, reduzindo a demanda por recursos captados via LCI e LCA.

O resultado foi um ambiente de menor competição entre os bancos para atrair investidores.

A queda nas taxas significa que LCI e LCA deixaram de valer a pena?

Não necessariamente.

Mesmo com a redução da rentabilidade, as LCIs e LCAs continuam competitivas porque são isentas de Imposto de Renda.

O erro mais comum é comparar diretamente um investimento que paga 90% do CDI sem imposto com outro que paga 100% do CDI sujeito à tributação.

Essa comparação pode levar a conclusões equivocadas.

O que é o cálculo de “gross up”?

Especialistas recomendam realizar o chamado “gross up”, um cálculo que transforma a rentabilidade líquida de um título isento em uma taxa bruta equivalente.

O objetivo é descobrir qual seria a taxa necessária em um investimento tributado para entregar o mesmo resultado líquido.

Exemplo prático

Imagine uma LCI pagando 90% do CDI.

Se o investimento tributado estiver sujeito à alíquota de 20% de Imposto de Renda, a taxa equivalente seria:

90%10,20=112,5% do CDI\frac{90\%}{1-0,20}=112,5\%\ do\ CDI1−0,2090%​=112,5% do CDI

Ou seja, um CDB precisaria render aproximadamente 112,5% do CDI para oferecer o mesmo retorno líquido da LCI.

Já em aplicações com prazo superior a dois anos, quando a alíquota cai para 15%, a equivalência diminui para cerca de 105,88% do CDI.

Por isso, o benefício da isenção costuma ser mais relevante em investimentos de curto e médio prazo.

Quais taxas podem ser encontradas atualmente?

Segundo especialistas do mercado, é possível encontrar:

LCIs e LCAs pós-fixadas

  • Entre 85% e 95% do CDI

LCIs e LCAs prefixadas

  • Em torno de 11% ao ano

LCIs e LCAs indexadas à inflação

  • Entre IPCA + 5% e IPCA + 6% ao ano

As condições variam conforme o emissor, prazo de vencimento e valor mínimo de aplicação.

Liquidez deve ser um dos principais critérios

Um dos aspectos mais importantes ao investir em LCI e LCA é a liquidez.

Ao contrário de muitos CDBs, esses títulos normalmente possuem períodos de carência e vencimentos mais longos.

O que acontece se o investidor precisar do dinheiro antes?

Em muitos casos, o resgate antecipado não é permitido.

Quando existe mercado secundário, o investidor pode ser obrigado a vender o papel antes do vencimento por um preço inferior ao esperado devido à marcação a mercado.

Isso pode gerar perdas, mesmo em um investimento de renda fixa.

Por esse motivo, especialistas recomendam utilizar LCIs e LCAs apenas para recursos que possam permanecer investidos até o vencimento.

O papel do FGC na proteção do investidor

LCIs e LCAs contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O mecanismo protege até:

  • R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira;
  • Limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Essa proteção reduz significativamente o risco de perda total do capital.

O FGC elimina todos os riscos?

Não.

Caso uma instituição financeira enfrente problemas, o processo de ressarcimento não é imediato.

Além disso, durante o período de espera para receber os recursos, o dinheiro não continua rendendo.

Por isso, a qualidade do emissor continua sendo um fator relevante na decisão de investimento.

Nem sempre a maior taxa é a melhor escolha

A busca pela maior rentabilidade pode levar investidores a ignorar aspectos fundamentais do investimento.

Instituições menores frequentemente oferecem taxas mais elevadas justamente porque apresentam maior risco de crédito.

Nesse cenário, é importante analisar:

Solidez da instituição

Verifique histórico, patrimônio, resultados financeiros e classificação de risco quando disponível.

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Prazo do investimento

Quanto maior o prazo, maior a exposição a mudanças econômicas e de mercado.

Necessidade de liquidez

Aplicações muito longas podem limitar a flexibilidade financeira do investidor.

O cuidado com títulos prefixados

Os últimos anos trouxeram uma lição importante para quem investe em renda fixa.

Muitos investidores compraram LCIs e LCAs prefixadas pagando entre 8% e 9% ao ano quando havia expectativa de queda contínua da Selic.

No entanto, a manutenção dos juros em patamares elevados fez com que novas emissões passassem a oferecer taxas superiores.

Embora quem mantenha o título até o vencimento receba a rentabilidade contratada, surgiu um custo de oportunidade relevante.

Isso mostra a importância de avaliar cuidadosamente o cenário econômico antes de travar taxas por períodos muito longos.

Em investimentos longos, o CDB pode superar a LCI e a LCA

A vantagem tributária das LCIs e LCAs diminui conforme o prazo aumenta.

Isso acontece porque a alíquota do Imposto de Renda cai progressivamente nos investimentos tributados.

Tabela regressiva do Imposto de Renda

PrazoAlíquota
Até 180 dias22,5%
181 a 360 dias20%
361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Em aplicações de longo prazo, um CDB com taxa significativamente superior pode superar o retorno líquido de uma LCI ou LCA.

Por isso, especialistas recomendam comparar sempre os ganhos líquidos e não apenas a existência ou não de tributação.

Investidores de alta renda precisam fazer contas extras

As discussões sobre tributação mínima e mudanças nas regras fiscais aumentaram a complexidade do planejamento financeiro para investidores de alta renda.

Quem recebe valores elevados por meio de rendimentos isentos precisa avaliar cuidadosamente os impactos tributários totais de sua carteira.

Em determinados casos, investimentos tributados podem apresentar vantagens fiscais ou estratégicas quando analisados dentro do contexto completo da declaração de imposto.

Essa avaliação costuma exigir planejamento personalizado e análise conjunta de patrimônio, renda e horizonte de investimento.

Como escolher entre LCI, LCA, CDB e Tesouro Direto

LCI
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A decisão depende dos objetivos financeiros de cada investidor.

LCI e LCA podem ser mais indicadas para:

  • Quem busca isenção de Imposto de Renda;
  • Objetivos de médio prazo;
  • Recursos que não precisarão ser resgatados antes do vencimento;
  • Investidores que valorizam previsibilidade.

CDB pode ser mais indicado para:

  • Busca por liquidez diária;
  • Taxas superiores ao CDI;
  • Prazos mais longos.

Tesouro Direto pode ser mais adequado para:

  • Reserva de longo prazo;
  • Planejamento para aposentadoria;
  • Diversificação da carteira;
  • Maior segurança de crédito.

Conclusão

As LCIs e LCAs continuam sendo alternativas relevantes para investidores que buscam renda fixa com isenção de Imposto de Renda. Entretanto, a queda das taxas em 2026 reduziu parte da vantagem que esses produtos possuíam nos últimos anos.

Nesse novo cenário, comparar apenas a rentabilidade anunciada deixou de ser suficiente. Avaliar liquidez, prazo, risco do emissor, cobertura do FGC e o retorno líquido em relação a CDBs e Tesouro Direto tornou-se fundamental para tomar decisões mais eficientes.

Mais do que buscar o maior percentual do CDI, o investidor precisa entender qual investimento oferece a melhor relação entre rentabilidade, segurança e objetivos financeiros.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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