Os juros futuros abriram a semana em leve alta, refletindo o aumento do dólar frente ao real, os sinais de pressão inflacionária e a movimentação dos rendimentos dos Treasuries — os títulos da dívida pública dos Estados Unidos. O mercado financeiro brasileiro monitora atentamente o cenário internacional, principalmente antes do aguardado discurso do ex-presidente americano Donald Trump na Câmara dos Representantes, que tem impacto sobre o apetite global por risco.
Juros futuros sob pressão: veja como dólar e inflação influenciam
Juros futuros registram alta diante da valorização do dólar, inflação e impacto das decisões econômicas nos EUA. Veja os reflexos no mercado.
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Mercado antecipa riscos fiscais e reprecificação das curvas

Os contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) para vencimentos de médio e longo prazo começaram o dia 20 de maio com valorização discreta. O DI para janeiro de 2026 subiu para 14,740%, ante 14,716% no ajuste anterior. Para janeiro de 2027, a taxa avançou de 13,925% para 13,955%, e para janeiro de 2029 passou de 13,493% para 13,520%. A movimentação reflete uma reprecificação nas curvas de juros, com investidores exigindo prêmios maiores diante da percepção de maior risco no horizonte.
Tesouro Nacional amplia oferta de NTN-Bs
Outro fator que impulsiona os juros é a atuação do Tesouro Nacional, que nesta semana aumentou significativamente a oferta de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), títulos públicos federais indexados à inflação. A decisão vem após uma redução das emissões observada na semana anterior, sinalizando uma tentativa do governo de captar mais recursos mesmo diante de uma maior sensibilidade ao risco medida pelo DV01 — indicador que mostra o impacto da variação de 1 ponto-base na taxa de juros sobre o preço dos títulos.
Esse aumento na oferta tende a pressionar os preços dos papéis, o que, por consequência, eleva os seus rendimentos e influencia diretamente a curva de juros futuros.
Dólar em alta e Treasuries mais atrativos elevam pressão
Expectativa por política fiscal dos EUA aumenta aversão ao risco
O fortalecimento do dólar no cenário global e a elevação dos rendimentos dos Treasuries — títulos de referência para o custo do dinheiro no mundo — também têm papel relevante no encarecimento dos juros futuros no Brasil. Esses movimentos são impulsionados por declarações de Trump, que afirmou que os Estados Unidos terão “melhorias tremendas” com a aprovação de seu “grande e lindo projeto de lei”, que está em tramitação no Congresso americano.
A perspectiva de uma política fiscal expansionista nos EUA levanta temores de maior endividamento público e aumento da inflação, o que faz com que os rendimentos dos Treasuries subam. Esse movimento atrai capital estrangeiro, valoriza o dólar e reduz o fluxo para mercados emergentes, como o Brasil, o que pressiona os juros locais.
Inflação sob controle não alivia curva de juros

IGP-M recua, mas componentes apontam desequilíbrio
Apesar de uma sinalização mais benigna da inflação no curto prazo, o mercado de juros não encontrou alívio. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou queda de 0,32% na segunda prévia de maio, depois de cair 0,04% na mesma leitura de abril.
No entanto, o detalhamento dos dados mostra contrastes importantes:
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- Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA): Intensificou sua queda, passando de -0,21% para -0,59%, puxado pela desaceleração de preços no atacado, especialmente de commodities.
- Índice de Preços ao Consumidor (IPC): Acelerou, subindo de 0,28% para 0,38%, sinalizando que a inflação para o consumidor final ainda persiste, especialmente em itens sensíveis como alimentação e habitação.
- Índice Nacional de Custo da Construção (INCC): Teve desaceleração, passando de 0,54% para 0,33%.
Essa composição revela que, embora o índice agregado tenha recuado, os preços ao consumidor continuam sob pressão, dificultando uma trajetória mais clara de desaceleração da inflação — um fator que contribui para a manutenção ou elevação das taxas de juros futuras.
Expectativas e próximos movimentos
Banco Central observa cenário com cautela
Diante do atual cenário macroeconômico, o Banco Central do Brasil deve manter a postura vigilante. A alta dos juros futuros reflete não apenas a dinâmica inflacionária e fiscal do país, mas também a incerteza internacional e o comportamento do dólar. Com isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) terá um desafio adicional em sua próxima reunião, onde poderá sinalizar a necessidade de manter os juros elevados por mais tempo para controlar as expectativas.
Volatilidade deve permanecer
Especialistas apontam que o cenário deve seguir volátil nas próximas semanas, principalmente com o avanço das discussões fiscais tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A expectativa é que qualquer sinalização sobre o futuro da política monetária americana — seja pelo Federal Reserve ou por figuras políticas como Trump — gere impactos imediatos nas curvas de juros globais e, por consequência, nos mercados emergentes.
Imagem: SewCreamStudio/shutterstock.com

