Em um cenário global de intensa aversão ao risco, os juros futuros no Brasil fecharam estáveis nos vencimentos curtos e intermediários, mas com alta moderada nos contratos de prazos mais longos, ampliando a inclinação da curva de juros. A instabilidade nos mercados foi motivada por novos capítulos da disputa tarifária entre Estados Unidos e China, enquanto, internamente, o foco se voltou à possibilidade de queda nos preços dos combustíveis, impulsionada pelo tombo nas cotações internacionais do petróleo.
Juros: alta nas taxas longas e estabilidade nas curtas e intermediárias, com foco no exterior
Juros futuros têm leve alta nos vencimentos longos em meio ao tarifaço de Trump, queda do petróleo e tensão com a China.
O ambiente carregado refletiu em ativos como dólar, Ibovespa e títulos públicos, em um dia que começou tenso com circuit breaker acionado na Bolsa de Tóquio, além de declarações cruzadas entre autoridades norte-americanas e chinesas. As reações dos investidores demonstram cautela diante do impacto econômico do “tarifaço” de Donald Trump, que continua a movimentar o noticiário e os mercados financeiros.
Leia mais:
Juros podem ser reduzidos após queda no preço dos alimentos; entenda

Curva de juros se inclina com pressão externa e cautela local
Variação das taxas dos DIs
Os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão com movimentações discretas, mas relevantes para a percepção de risco:
- DI jan/2026: 14,700% (de 14,690% na sexta)
- DI jan/2027: 14,21% (de 14,23%)
- DI jan/2029: 14,16% (de 14,07%)
Descolamento parcial dos Treasuries
Apesar da alta dos rendimentos dos Treasuries, que levou a T-Note de 10 anos a ultrapassar 4,20%, a curva brasileira mostrou descolamento parcial, com os investidores locais já precificando um cenário híbrido entre pressão cambial e possível desinflação à frente.
Ganho de inclinação
A leve elevação nos contratos mais longos frente à estabilidade dos curtos indica ganho de inclinação da curva de juros, um sinal de aumento das incertezas sobre o cenário fiscal e econômico no médio e longo prazo.
Dólar sobe após dia volátil, e Ibovespa sente o impacto
Dólar oscila com rumores e tensão comercial
A moeda norte-americana teve um dia volátil. Após cair para a mínima de R$ 5,81 em meio a rumores de que Trump suspenderia as tarifas por 90 dias, o dólar voltou a subir após a Casa Branca desmentir a informação. No fechamento, a cotação ficou em R$ 5,9106, afastando-se da máxima de R$ 5,9324.
Ibovespa e aversão ao risco
O Ibovespa, pressionado por ações sensíveis ao comércio global e exportadoras, também sentiu os efeitos da deterioração do sentimento externo. A forte oscilação das commodities e o nervosismo com o impasse geopolítico geraram mais um pregão de realização.
Trump x China: escalada tarifária eleva risco de recessão

Nova ameaça de Trump
Em mais uma escalada da retórica, o ex-presidente Donald Trump declarou que poderá impor uma nova tarifa de 50% sobre produtos chineses caso Pequim não retire as tarifas retaliatórias de 34%. A ameaça adicionou mais lenha à fogueira da já aquecida guerra comercial.
China responde
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, reagiu firmemente:
“Pressão e ameaças não são a maneira de lidar com o país. A China protegerá firmemente seus direitos e interesses legítimos.”
Goldman Sachs aumenta risco de recessão
O banco Goldman Sachs revisou suas projeções, elevando a probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses de 35% para 45%, citando o aumento das incertezas políticas e econômicas no país.
Preços dos combustíveis entram no radar do governo
Tombo do petróleo reacende debate
As cotações do petróleo vêm acumulando quedas significativas nos últimos dias, em meio a temores de desaquecimento global. A retração dos preços acendeu o alerta no Brasil para uma possível revisão no valor dos combustíveis.
Ministério de Minas e Energia pressiona a Petrobras
Segundo fontes do setor, o ministro Alexandre Silveira apresentou à Petrobras argumentos técnicos e políticos para o reajuste para baixo dos preços, mencionando:
- Queda das cotações internacionais;
- Perspectiva de aumento da produção pelos países da Opep+;
- Alívio na inflação como meta estratégica do governo.
Cenário inflacionário pode mudar dinâmica da Selic
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Desinflação por fatores externos
O estrategista-chefe da BGC Liquidez, Daniel Cunha, pondera que a recessão nos EUA — se confirmada — poderia gerar um efeito desinflacionário global, o que favoreceria o Brasil, apesar das causas serem negativas.
“Por motivos ruins, essa combinação desinflacionária deve vir a calhar para o Brasil, que ainda está subindo juros. A desaceleração da atividade e o câmbio mais favorável podem aliviar a inflação.”
Canal cambial e preços administrados
O impacto da crise global pode ser sentido na valorização do real (via queda do dólar) e na redução dos preços administrados, como combustíveis. Ambos são canais diretos de influência no IPCA e, portanto, na política de juros do Copom.
Selic terminal sob revisão: mercado recalibra apostas
Projeção de Selic em 15,5% é reavaliada
Com as novas variáveis entrando no radar, Daniel Cunha afirma que sua projeção anterior de Selic terminal em 15,5% até junho está em revisão. A expectativa agora recai sobre um único aumento adicional de 50 pontos-base em maio, encerrando o ciclo em 14,75% ao ano.
O que está em jogo na próxima reunião do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) terá de decidir, em meio a esse cenário de volatilidade global, se mantém a política de aperto agressiva ou se antecipa o fim do ciclo de alta, caso os sinais de desinflação se consolidem.
Curva de juros pode mudar se petróleo e dólar recuarem

Queda de commodities favorece Brasil
Um cenário com petróleo em queda e dólar desvalorizado globalmente pode reduzir a pressão inflacionária no Brasil, abrindo espaço para a estabilização ou até recuo das taxas futuras.
Expectativa de desaceleração da economia
A desaceleração já perceptível em setores como comércio, serviços e indústria também reforça a tese de que a Selic não deve subir muito além do atual patamar, evitando agravar ainda mais o desaquecimento interno.
Imagem: Jo Panuwat D / shutterstock.com
