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Juros: alta nas taxas longas e estabilidade nas curtas e intermediárias, com foco no exterior

Juros futuros têm leve alta nos vencimentos longos em meio ao tarifaço de Trump, queda do petróleo e tensão com a China.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Dois cubos de madeira com símbolo de percentual de setas em vermelho e verde

Em um cenário global de intensa aversão ao risco, os juros futuros no Brasil fecharam estáveis nos vencimentos curtos e intermediários, mas com alta moderada nos contratos de prazos mais longos, ampliando a inclinação da curva de juros. A instabilidade nos mercados foi motivada por novos capítulos da disputa tarifária entre Estados Unidos e China, enquanto, internamente, o foco se voltou à possibilidade de queda nos preços dos combustíveis, impulsionada pelo tombo nas cotações internacionais do petróleo.

O ambiente carregado refletiu em ativos como dólar, Ibovespa e títulos públicos, em um dia que começou tenso com circuit breaker acionado na Bolsa de Tóquio, além de declarações cruzadas entre autoridades norte-americanas e chinesas. As reações dos investidores demonstram cautela diante do impacto econômico do “tarifaço” de Donald Trump, que continua a movimentar o noticiário e os mercados financeiros.

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Imagem: Corona Borealis Studio / Shutterstock

Curva de juros se inclina com pressão externa e cautela local

Variação das taxas dos DIs

Os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão com movimentações discretas, mas relevantes para a percepção de risco:

  • DI jan/2026: 14,700% (de 14,690% na sexta)
  • DI jan/2027: 14,21% (de 14,23%)
  • DI jan/2029: 14,16% (de 14,07%)

Descolamento parcial dos Treasuries

Apesar da alta dos rendimentos dos Treasuries, que levou a T-Note de 10 anos a ultrapassar 4,20%, a curva brasileira mostrou descolamento parcial, com os investidores locais já precificando um cenário híbrido entre pressão cambial e possível desinflação à frente.

Ganho de inclinação

A leve elevação nos contratos mais longos frente à estabilidade dos curtos indica ganho de inclinação da curva de juros, um sinal de aumento das incertezas sobre o cenário fiscal e econômico no médio e longo prazo.

Dólar sobe após dia volátil, e Ibovespa sente o impacto

Dólar oscila com rumores e tensão comercial

A moeda norte-americana teve um dia volátil. Após cair para a mínima de R$ 5,81 em meio a rumores de que Trump suspenderia as tarifas por 90 dias, o dólar voltou a subir após a Casa Branca desmentir a informação. No fechamento, a cotação ficou em R$ 5,9106, afastando-se da máxima de R$ 5,9324.

Ibovespa e aversão ao risco

O Ibovespa, pressionado por ações sensíveis ao comércio global e exportadoras, também sentiu os efeitos da deterioração do sentimento externo. A forte oscilação das commodities e o nervosismo com o impasse geopolítico geraram mais um pregão de realização.

Trump x China: escalada tarifária eleva risco de recessão

trump
Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com

Nova ameaça de Trump

Em mais uma escalada da retórica, o ex-presidente Donald Trump declarou que poderá impor uma nova tarifa de 50% sobre produtos chineses caso Pequim não retire as tarifas retaliatórias de 34%. A ameaça adicionou mais lenha à fogueira da já aquecida guerra comercial.

China responde

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, reagiu firmemente:

“Pressão e ameaças não são a maneira de lidar com o país. A China protegerá firmemente seus direitos e interesses legítimos.”

Goldman Sachs aumenta risco de recessão

O banco Goldman Sachs revisou suas projeções, elevando a probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses de 35% para 45%, citando o aumento das incertezas políticas e econômicas no país.

Preços dos combustíveis entram no radar do governo

Tombo do petróleo reacende debate

As cotações do petróleo vêm acumulando quedas significativas nos últimos dias, em meio a temores de desaquecimento global. A retração dos preços acendeu o alerta no Brasil para uma possível revisão no valor dos combustíveis.

Ministério de Minas e Energia pressiona a Petrobras

Segundo fontes do setor, o ministro Alexandre Silveira apresentou à Petrobras argumentos técnicos e políticos para o reajuste para baixo dos preços, mencionando:

  • Queda das cotações internacionais;
  • Perspectiva de aumento da produção pelos países da Opep+;
  • Alívio na inflação como meta estratégica do governo.

Cenário inflacionário pode mudar dinâmica da Selic

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Desinflação por fatores externos

O estrategista-chefe da BGC Liquidez, Daniel Cunha, pondera que a recessão nos EUA — se confirmada — poderia gerar um efeito desinflacionário global, o que favoreceria o Brasil, apesar das causas serem negativas.

“Por motivos ruins, essa combinação desinflacionária deve vir a calhar para o Brasil, que ainda está subindo juros. A desaceleração da atividade e o câmbio mais favorável podem aliviar a inflação.”

Canal cambial e preços administrados

O impacto da crise global pode ser sentido na valorização do real (via queda do dólar) e na redução dos preços administrados, como combustíveis. Ambos são canais diretos de influência no IPCA e, portanto, na política de juros do Copom.

Selic terminal sob revisão: mercado recalibra apostas

Projeção de Selic em 15,5% é reavaliada

Com as novas variáveis entrando no radar, Daniel Cunha afirma que sua projeção anterior de Selic terminal em 15,5% até junho está em revisão. A expectativa agora recai sobre um único aumento adicional de 50 pontos-base em maio, encerrando o ciclo em 14,75% ao ano.

O que está em jogo na próxima reunião do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) terá de decidir, em meio a esse cenário de volatilidade global, se mantém a política de aperto agressiva ou se antecipa o fim do ciclo de alta, caso os sinais de desinflação se consolidem.

Curva de juros pode mudar se petróleo e dólar recuarem

Banco Central
Imagem: wirestock – Freepik

Queda de commodities favorece Brasil

Um cenário com petróleo em queda e dólar desvalorizado globalmente pode reduzir a pressão inflacionária no Brasil, abrindo espaço para a estabilização ou até recuo das taxas futuras.

Expectativa de desaceleração da economia

A desaceleração já perceptível em setores como comércio, serviços e indústria também reforça a tese de que a Selic não deve subir muito além do atual patamar, evitando agravar ainda mais o desaquecimento interno.

Imagem: Jo Panuwat D / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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