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Militar com paralisia irreversível após AVC conquista isenção do Imposto de Renda

Um militar reformado da Aeronáutica conseguiu na Justiça o direito à isenção do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de reforma após ficar com paralisia irreversível provocada por um acidente vascular cerebral (AVC). A decisão foi tomada pela Justiça Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Além de suspender a […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Isenção

Um militar reformado da Aeronáutica conseguiu na Justiça o direito à isenção do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de reforma após ficar com paralisia irreversível provocada por um acidente vascular cerebral (AVC). A decisão foi tomada pela Justiça Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Além de suspender a cobrança do imposto, a sentença determinou que a União devolva os valores descontados indevidamente nos cinco anos anteriores, com atualização pela taxa Selic.

O caso pode interessar a outros aposentados, pensionistas e militares que convivem com sequelas permanentes de doenças graves. A legislação prevê isenção em situações específicas, mas o diagnóstico, sozinho, não garante o benefício.

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Militar sofreu AVC hemorrágico em 2010

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Imagem:
Tânia Rêgo/Agência Brasil

O militar sofreu um acidente vascular encefálico hemorrágico em 2010. O quadro deixou sequelas permanentes que continuaram presentes mesmo muitos anos depois do episódio.

Durante o processo judicial, uma perícia médica identificou déficit neuromotor, fraqueza no lado direito do corpo, alterações na marcha e comprometimento cognitivo.

O laudo também concluiu que a paralisia apresentada pelo militar era irreversível. Segundo a avaliação médica, a alteração motora permanecia mesmo após um longo período desde o AVC.

Foi justamente essa comprovação que teve peso decisivo para o reconhecimento do direito à isenção.

Por que o militar passou a ter direito à isenção do IR?

A legislação brasileira prevê isenção do Imposto de Renda para determinados rendimentos recebidos por aposentados, pensionistas e militares em situações relacionadas a doenças graves.

Entre as condições previstas está a paralisia irreversível e incapacitante, hipótese utilizada pela Justiça no caso analisado.

A previsão está no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988. A Receita Federal também reconhece a paralisia irreversível e incapacitante entre as condições que podem dar direito à isenção.

No processo, o juiz federal Dalton Igor Kita Conrado considerou que as provas apresentadas demonstravam que o militar se enquadrava nessa previsão legal.

Ter sofrido um AVC garante isenção do Imposto de Renda?

Não automaticamente.

Esse é um ponto importante para quem teve um AVC e ficou com alguma sequela. A legislação não estabelece simplesmente que todo sobrevivente de AVC está isento do Imposto de Renda.

O que pode gerar o direito é a existência de uma condição que esteja expressamente prevista na legislação, como a paralisia irreversível e incapacitante, desde que devidamente comprovada.

Por isso, duas pessoas que sofreram um AVC podem ter situações diferentes. A análise depende das sequelas, do grau de incapacidade, da documentação médica e do tipo de rendimento recebido.

Quais doenças podem dar direito à isenção?

A legislação estabelece uma lista de doenças e condições que podem permitir a isenção para os beneficiários que atendam aos requisitos.

Entre elas estão:

  • moléstia profissional;
  • tuberculose ativa;
  • alienação mental;
  • esclerose múltipla;
  • neoplasia maligna;
  • cegueira, inclusive monocular;
  • hanseníase;
  • paralisia irreversível e incapacitante;
  • cardiopatia grave;
  • doença de Parkinson;
  • espondiloartrose anquilosante;
  • nefropatia grave;
  • hepatopatia grave;
  • estados avançados da doença de Paget;
  • contaminação por radiação;
  • síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids);
  • fibrose cística.

A existência de uma doença grave, entretanto, não significa automaticamente que todos os rendimentos do contribuinte ficarão livres do imposto.

Quais rendimentos ficam isentos?

A isenção é direcionada aos rendimentos provenientes de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada, conforme a situação do beneficiário.

Isso significa que uma pessoa que recebe aposentadoria e possui uma doença prevista na legislação pode ter esse benefício isento.

Por outro lado, outras fontes de renda não são automaticamente abrangidas pela isenção.

Por exemplo, rendimentos provenientes de trabalho ou outras atividades econômicas continuam seguindo as regras próprias de tributação.

É preciso apresentar laudo médico?

Sim. A comprovação da condição de saúde é fundamental para solicitar o benefício.

A Receita Federal orienta que o contribuinte procure um serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios para obter um laudo que comprove a doença.

O documento deve identificar a condição médica e, quando possível, indicar a data em que ela foi diagnosticada ou contraída.

No caso julgado em Campo Grande, a perícia realizada durante o processo judicial confirmou que as sequelas motoras permaneciam e que a paralisia tinha caráter irreversível.

Laudo de médico particular pode garantir a isenção?

Um relatório ou laudo de médico particular pode servir como documentação médica no processo de comprovação da condição, mas a Receita Federal orienta que a comprovação para fins de isenção seja realizada por serviço médico oficial.

Por isso, quem pretende solicitar o benefício deve verificar as exigências do órgão responsável pelo pagamento antes de fazer o pedido.

Documentos como exames, relatórios médicos e histórico de tratamento também podem ajudar a demonstrar a condição de saúde.

Quanto o militar vai receber de volta?

A sentença determinou a devolução dos valores de Imposto de Renda que foram descontados indevidamente dentro do período reconhecido judicialmente.

No caso, a restituição ficou limitada aos cinco anos anteriores, em razão da prescrição.

Os valores deverão ser corrigidos pela taxa Selic.

Isso não significa, portanto, que o militar receberá de volta todos os valores descontados desde o AVC, ocorrido em 2010. O período de restituição reconhecido pela Justiça está sujeito ao limite prescricional aplicável ao caso.

Por que a restituição ficou limitada a cinco anos?

A prescrição limita o período em que determinados valores podem ser cobrados judicialmente.

No processo, a União contestou o pedido e alegou, entre outros pontos, que parte dos valores estaria prescrita.

O juiz reconheceu o direito do militar à isenção, mas aplicou o limite de cinco anos para a recuperação dos valores descontados anteriormente.

Assim, o reconhecimento da doença não significa que todo o histórico tributário desde o surgimento da condição será necessariamente devolvido.

Como solicitar a isenção do Imposto de Renda?

O procedimento depende do órgão responsável pelo pagamento da aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada.

De modo geral, o interessado deve:

  1. comprovar a doença ou condição prevista em lei;
  2. obter documentação médica adequada;
  3. identificar o órgão responsável pelo pagamento;
  4. apresentar o pedido de isenção;
  5. acompanhar a análise e eventual necessidade de perícia.

No caso de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o pedido pode ser realizado pelos canais oficiais do governo, incluindo o Meu INSS.

Militares e servidores públicos podem ter procedimentos diferentes, dependendo do órgão responsável pelo pagamento do benefício.

O que acontece depois que a isenção é reconhecida?

Com o reconhecimento do direito, o órgão pagador deve deixar de realizar a retenção do Imposto de Renda sobre o rendimento abrangido pela isenção.

Quando existem valores pagos indevidamente no passado, o contribuinte pode buscar a restituição, observando os prazos legais.

Em determinadas situações, o reconhecimento administrativo pode resolver a questão. Em outras, especialmente quando há negativa ou controvérsia sobre o enquadramento médico, o interessado pode recorrer à Justiça.

A decisão vale para todos os militares que tiveram AVC?

Não.

A sentença beneficia diretamente o militar que entrou com a ação e teve sua situação analisada pela Justiça.

O caso, porém, demonstra como a Justiça pode interpretar a legislação quando uma sequela permanente é comprovadamente enquadrada como paralisia irreversível e incapacitante.

Cada situação precisa ser analisada individualmente, principalmente porque o grau das sequelas e a documentação médica podem ser diferentes.

O que o caso ensina para aposentados e militares?

A decisão mostra que o diagnóstico original da doença não é necessariamente o único elemento considerado. No caso do militar, o que permitiu o enquadramento foi a comprovação das sequelas permanentes e irreversíveis deixadas pelo AVC.

Para quem recebe aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada e possui uma condição prevista na legislação, reunir documentação médica detalhada pode ser fundamental.

Também é necessário verificar se o rendimento está entre aqueles alcançados pela isenção e se o pedido deve ser feito diretamente ao órgão pagador ou por meio de procedimento judicial.

Entenda o caso em resumo

Isenção
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O militar reformado da Aeronáutica sofreu um AVC hemorrágico em 2010 e ficou com sequelas permanentes.

Uma perícia judicial confirmou a existência de déficit neuromotor, fraqueza no lado direito do corpo, alterações na marcha e comprometimento cognitivo. O laudo concluiu que a paralisia era irreversível.

Com base nessas provas, a Justiça Federal reconheceu o enquadramento na hipótese de paralisia irreversível e incapacitante prevista na legislação tributária.

Além de determinar a suspensão da cobrança do Imposto de Renda sobre o benefício de reforma, a sentença determinou a restituição dos valores descontados indevidamente nos cinco anos anteriores, corrigidos pela Selic.

Conclusão

A decisão da Justiça Federal de Campo Grande reforça que sequelas permanentes provocadas por um AVC podem, em determinadas circunstâncias, permitir a isenção do Imposto de Renda quando o quadro se enquadra como paralisia irreversível e incapacitante.

O benefício não é automático para todos os sobreviventes de AVC. É necessário comprovar a condição e atender aos demais requisitos previstos na legislação.

Para aposentados, pensionistas e militares reformados que enfrentam limitações permanentes, o primeiro passo é reunir a documentação médica e verificar o enquadramento da condição na Lei nº 7.713/1988. Também é preciso observar que a isenção alcança determinados rendimentos e que eventual restituição de valores antigos está sujeita aos prazos legais.

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