A Justiça estadual determinou que o Governo de Roraima e o Instituto de Previdência do Estado de Roraima cumpram, em até 15 dias, uma decisão que trata da adequação do enquadramento funcional e remuneratório de aposentados e pensionistas do serviço público estadual. A ordem foi assinada pelo juiz Guilherme Versiani Gusmão Fonseca, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Boa Vista, após a constatação de que a determinação anterior, já confirmada pelo Tribunal de Justiça de Roraima, não vinha sendo cumprida de forma satisfatória.
Estado e Iper são intimados a cumprir decisão em 15 dias
Justiça determina que Roraima e Iper ajustem salários de aposentados em 15 dias, sob pena de multa pessoal às autoridades.
A decisão prevê a intimação pessoal de duas autoridades: o secretário de Estado de Gestão Estratégica e Administração e o presidente do Iper. Ambos deverão apresentar documentos que comprovem a implementação efetiva da adequação remuneratória. Em caso de novo descumprimento, a Justiça fixou multa pessoal de R$ 5 mil para cada autoridade, além da possibilidade de responsabilização criminal.
O caso chama atenção por envolver direitos de aposentados e pensionistas, muitos deles idosos, que dependem diretamente da correção dos proventos para manter despesas básicas como alimentação, medicamentos e moradia.
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O que está em jogo no enquadramento funcional
O enquadramento funcional e remuneratório diz respeito à posição do servidor na carreira e ao valor que ele deve receber com base na legislação vigente, progressões e direitos já reconhecidos administrativamente ou judicialmente.
O que significa adequação remuneratória
Na prática, a adequação remuneratória pode envolver:
- Reconhecimento de progressões funcionais não implementadas
- Reclassificação correta do servidor na tabela salarial
- Reflexos nos proventos de aposentadoria e pensão
- Pagamento de diferenças retroativas, quando cabível
Quando o servidor se aposenta, seus proventos geralmente levam em conta a última posição na carreira ou regras de paridade, conforme o regime jurídico aplicável. Se progressões ou mudanças de nível não são reconhecidas, o valor da aposentadoria pode ficar abaixo do que a lei garante.
Entenda o histórico do conflito
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Civis Efetivos do Poder Executivo de Roraima, o problema não é recente. A entidade afirma que a questão se arrasta há quase uma década.
De acordo com o sindicato, a Justiça já reconheceu o direito à adequação, e a decisão foi confirmada em instâncias superiores. Mesmo assim, o cumprimento teria sido parcial ou insuficiente, o que levou a novas medidas judiciais.
O presidente da entidade, Francisco Filgueira, declarou que não se trata de uma nova reivindicação, mas da execução de um direito já consolidado. Para o sindicato, a demora tem gerado prejuízos diretos a aposentados e pensionistas que dependem desses valores para a própria subsistência.
Impacto real na vida dos aposentados
No contexto brasileiro, aposentados do serviço público estadual costumam ter renda comprometida com:
- Medicamentos de uso contínuo
- Planos de saúde
- Ajuda financeira a familiares
- Financiamentos e despesas fixas
Uma diferença salarial aparentemente pequena pode representar, ao longo dos meses, dificuldade para pagar contas básicas. É por isso que decisões sobre enquadramento funcional têm forte impacto social.
A posição do Iper
Em nota oficial, o Iper informou que a decisão judicial trata de progressões funcionais acumuladas em gestões anteriores ao atual governo estadual.
O instituto afirmou que todo o passivo relacionado à demanda foi revisado e concluído ainda em 2025, por meio de uma força-tarefa entre o órgão e o Governo do Estado. Segundo o Iper:
- Mais de 90 processos de revisão foram analisados ao longo de 2025
- Houve mais de 200 atualizações administrativas no período
- Os comprovantes de implantação das medidas teriam sido enviados ao Judiciário no mesmo dia da decisão
O órgão também destacou que as providências foram adotadas de forma individualizada, com comunicação direta aos beneficiários, e que as medidas já estariam operacionalizadas antes mesmo da nova ordem judicial.
Por que a Justiça pode aplicar multa pessoal
A fixação de multa pessoal contra autoridades públicas é um instrumento usado pelo Judiciário para forçar o cumprimento de decisões, especialmente quando há histórico de descumprimento.
Como funciona na prática
Quando a decisão judicial:
- Já transitou por instâncias superiores
- Envolve obrigação clara de fazer
- Não vem sendo cumprida de forma adequada
o juiz pode adotar medidas mais rigorosas, como:
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- Multa diária ou por evento de descumprimento
- Intimação pessoal do gestor
- Comunicação ao Ministério Público para apuração de eventual crime de desobediência
A multa pessoal não é paga com recursos do Estado, mas diretamente pela autoridade, o que aumenta a pressão para que a decisão seja executada.
O que aposentados e pensionistas podem fazer
Casos como esse reforçam a importância de o beneficiário acompanhar sua situação previdenciária.
Passos recomendados
- Conferir contracheques e demonstrativos de pagamento
- Verificar se a progressão funcional foi corretamente considerada na aposentadoria
- Procurar o sindicato da categoria ou advogado especializado em direito administrativo e previdenciário
- Guardar documentos como portarias, atos de enquadramento e decisões judiciais
No Brasil, é comum que direitos reconhecidos demorem a ser implementados administrativamente. A organização documental facilita a cobrança e eventual ação judicial.
O papel dos sindicatos e da Justiça
O caso em Roraima mostra como sindicatos e o Judiciário atuam como instrumentos de controle quando há indícios de que direitos de servidores não estão sendo plenamente respeitados.
Enquanto o Executivo argumenta ter cumprido as medidas, a Justiça exige comprovação formal e detalhada. Esse embate institucional é parte do sistema de freios e contrapesos previsto na estrutura do Estado brasileiro.
Para aposentados e pensionistas, o ponto central é que decisões judiciais definitivas não são opcionais para a administração pública. Elas devem ser cumpridas integralmente, sob pena de sanções.
Conclusão
Em síntese, o caso em Roraima evidencia como o cumprimento de decisões judiciais é essencial para garantir direitos já reconhecidos a aposentados e pensionistas. Quando o enquadramento funcional não é aplicado corretamente, o impacto vai além da burocracia e atinge diretamente a renda e a dignidade de quem já contribuiu por toda a vida ao serviço público. A cobrança da Justiça e a possibilidade de multa pessoal reforçam que determinações judiciais não são facultativas, mas obrigações que devem ser executadas de forma integral e transparente.
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