A Voz da América está no centro de uma batalha judicial que coloca em risco sua continuidade como referência de jornalismo internacional. Um juiz federal dos Estados Unidos suspendeu as demissões em massa previstas na agência responsável pelo veículo, levantando dúvidas sobre a condução da sua gestão e a influência política no futuro da emissora.
Justiça barra cortes de funcionários e aponta falhas na Voz da América
Justiça suspende demissões na Voz da América. Corte aponta falhas na gestão da USAGM e reforça o papel da VOA. Saiba os detalhes agora.
Continue lendo para entender os bastidores dessa decisão.
Leia mais: Abrasel aciona Cade contra iFood por práticas anticompetitivas
Contexto da suspensão judicial

Na segunda-feira (29.set.2025), o juiz Royce Lamberth, do Tribunal Distrital em Washington, determinou a suspensão das demissões de 532 funcionários da USAGM (U.S. Agency for Global Media), responsável pela VOA.
Segundo a decisão, a direção da agência demonstrou “desrespeito preocupante” às determinações judiciais anteriores e não apresentou plano consistente para manter a emissora como fonte de notícias confiável.
Voz da América e a ordem de Trump
As demissões estavam diretamente ligadas a uma ordem executiva do então presidente Donald Trump, publicada em março de 2025. O decreto levou ao encerramento progressivo das transmissões da Voz da América, reduzindo seu alcance global.
O juiz Lamberth criticou o que chamou de “corrida contra o relógio”, acusando a administração de acelerar cortes antes da análise judicial completa. Para ele, a agência violou até mesmo a interpretação mais restrita de suas obrigações legais.
A atuação de Kari Lake na crise
Kari Lake, CEO interina da USAGM nomeada por Trump, foi citada nominalmente na decisão. O juiz afirmou que ela, junto a outros gestores, não apresentou estratégia viável para cumprir a liminar em vigor desde abril.
Segundo documentos judiciais, Lake avançou em agosto com a dispensa de 532 jornalistas e funcionários de apoio, mantendo apenas três técnicos de radiodifusão, em desacordo com exigências do Congresso para a manutenção mínima dos serviços.
Histórico e relevância da Voz da América
Criada em 1942, a Voz da América é uma emissora pública financiada pelo governo dos EUA. Sua missão é transmitir informações em países com restrições à liberdade de imprensa, como China, Rússia e Irã.
Antes dos cortes, o veículo transmitia notícias em 49 idiomas, 24 horas por dia, alcançando cerca de 360 milhões de pessoas semanalmente. Após a ordem de Trump, a grade caiu para apenas uma hora diária em quatro idiomas: chinês, persa, dari e pashto.
Conflito com o Congresso e ameaças de sanções
O Congresso norte-americano exige que a VOA mantenha técnicos de radiodifusão para garantir transmissões mínimas. Porém, segundo o processo, a gestão Trump desconsiderou essa determinação.
Lamberth chegou a ameaçar processar Kari Lake e outros integrantes do governo por desacato, destacando que a “falta de clareza deliberada” desperdiçou tempo e recursos do tribunal. Só não abriu o procedimento porque os autores da ação pediram apenas a reversão das demissões.
Tentativas de intervenção política
O episódio não é isolado. Em julho, a administração Trump tentou demitir Mike Abramowitz, então diretor da VOA, mas Lamberth bloqueou a ação, classificando-a como “ilegal”. A lei reserva a um conselho bipartidário o poder de contratar ou demitir chefes de veículos financiados pelo governo federal, limitando interferências diretas do Executivo.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Parlamentares republicanos também expressaram descontentamento com o enfraquecimento da emissora, argumentando que sua neutralidade jornalística foi comprometida.
Voz da América como instrumento diplomático

Ao longo de mais de oito décadas, a Voz da América consolidou-se como instrumento de diplomacia pública dos EUA. Sua função vai além da informação: busca reforçar valores democráticos em regiões onde a imprensa é censurada.
Com a suspensão das demissões, o futuro da emissora ainda está indefinido, mas a decisão judicial reacende debates sobre o papel da VOA em um cenário internacional de crescente polarização.
O que está em jogo
- Autonomia jornalística: ameaça de controle político sobre a linha editorial.
- Diplomacia internacional: enfraquecimento da presença global dos EUA.
- Direitos trabalhistas: proteção de jornalistas e técnicos da emissora.
- Credibilidade institucional: cumprimento de decisões judiciais pela USAGM.
Recapitulando
A suspensão das demissões na Voz da América expõe um embate entre independência jornalística e interesses políticos. A decisão do juiz Royce Lamberth reforça a necessidade de preservar o papel histórico da emissora como fonte confiável de informação global. O desfecho desse impasse poderá definir o futuro da VOA e seu impacto no cenário internacional.
Com informações de: Poder360
