Em uma medida inédita contra uma autoridade brasileira, o governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (30) sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Lei Magnitsky: entenda a sanção aplicada a Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes é alvo da Lei Magnitsky. Veja como a norma americana funciona e o impacto das sanções.
A decisão se baseia na Lei Magnitsky, instrumento legal norte-americano usado para punir estrangeiros envolvidos em corrupção ou violações graves de direitos humanos.
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Sanções bloqueiam bens e limitam negócios

Com a aplicação da sanção, todos os possíveis bens de Moraes em território norte-americano estão automaticamente bloqueados. Além disso, qualquer empresa ou entidade ligada a ele também passa a ser impedida de operar nos Estados Unidos. Cidadãos norte-americanos ficam proibidos de realizar negócios com o ministro.
As sanções serão executadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro dos EUA. A ação ocorre semanas após o senador Marco Rubio afirmar que analisava aplicar a lei contra Moraes — o que coincidiu com a revogação do visto do ministro em 18 de julho.
Investigação contra Bolsonaro está entre os motivos
Rubio justificou a decisão citando o inquérito no STF que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A movimentação política ganhou força após reportagem do The Washington Post publicada em 17 de julho, revelando que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) articulava, junto a aliados do ex-presidente Donald Trump, novas sanções contra Moraes.
O que é a Lei Magnitsky?
Criada em 2012 e expandida em 2016, a Lei Magnitsky permite que os EUA imponham sanções unilaterais a estrangeiros acusados de:
- violações graves de direitos humanos;
- corrupção em larga escala;
- envolvimento com o crime organizado internacional.
A lei leva o nome de Sergei Magnitsky, advogado russo que morreu em 2009 sob custódia, após denunciar um esquema de corrupção envolvendo autoridades da Rússia. Sua prisão e morte motivaram legisladores norte-americanos a buscar punições contra os responsáveis.
Aplicação sem precedentes no Brasil

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Esta é a primeira vez que a Lei Magnitsky é usada contra um magistrado brasileiro de alto escalão. Até então, o foco predominante eram figuras ligadas a regimes autoritários, como nações do leste europeu, Ásia e África.
Segundo especialistas, a decisão representa uma escalada diplomática e pode gerar repercussões bilaterais significativas.
Impactos práticos das sanções
A aplicação da Lei Magnitsky impõe um conjunto rigoroso de restrições:
- Proibição de contas bancárias nos EUA;
- Cancelamento de cartões de crédito de grandes bandeiras internacionais;
- Congelamento de ativos em qualquer instituição financeira sujeita às regras dos EUA;
- Proibição de entrada nos Estados Unidos, com revogação de visto;
- Inserção na lista de sancionados internacionais, gerando forte desgaste reputacional.
Instituições financeiras internacionais, mesmo fora dos EUA, podem ser pressionadas a seguir as determinações, sob pena de também sofrerem sanções secundárias.
Com informações de: G1
