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Bancos veem risco de insatisfação generalizada com mudanças no saque-aniversário

As limitações impostas à antecipação do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) provocaram forte reação entre trabalhadores e instituições financeiras. Pesquisa da AtlasIntel, encomendada pela Associação Brasileira dos Bancos (ABBC) e pela Zetta, mostra que a maioria dos trabalhadores que utilizam a modalidade discorda das mudanças aprovadas pelo Conselho Curador do […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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As limitações impostas à antecipação do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) provocaram forte reação entre trabalhadores e instituições financeiras. Pesquisa da AtlasIntel, encomendada pela Associação Brasileira dos Bancos (ABBC) e pela Zetta, mostra que a maioria dos trabalhadores que utilizam a modalidade discorda das mudanças aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS em outubro do ano passado.

As medidas passaram a valer em novembro e incluem carência de 90 dias para antecipação após adesão ao saque aniversário, limite de parcelas antecipadas, restrição de uma operação por ano e teto mínimo e máximo para prestação do empréstimo.

O impacto foi imediato: segundo levantamento da ABBC e da Zetta, o volume mensal de crédito com garantia do FGTS caiu de R$ 3 bilhões para R$ 600 milhões — retração de 80%. A projeção indica queda acumulada de 96% até o fim de 2027, o que pode inviabilizar a modalidade.

Leia mais:

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O que mudou nas regras da antecipação

As alterações aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS estabeleceram:

Carência de 90 dias

O trabalhador precisa esperar três meses após optar pelo saque aniversário para contratar a antecipação.

Limite de parcelas antecipadas

Até outubro de 2026, será possível antecipar no máximo cinco parcelas anuais. Depois disso, o limite cai para três.

Apenas uma operação por trabalhador

Cada trabalhador poderá fazer apenas uma antecipação por ano.

Prestação entre R$ 100 e R$ 500

Foi fixado valor mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 500 para cada parcela do empréstimo.

Segundo a ABBC, 78 pontos percentuais da queda inicial nas operações ocorreram justamente em contratos cuja prestação era inferior a R$ 100 — perfil comum entre trabalhadores de renda mais baixa.

O que diz a pesquisa com trabalhadores

O levantamento da AtlasIntel foi realizado entre 16 e 23 de novembro, com 4.243 respondentes que já tiveram vínculo formal de trabalho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Entre os principais resultados:

  • 70% dos que optaram pelo saque aniversário já usaram antecipação via empréstimo
  • 65,7% acreditam que as novas regras prejudicam o trabalhador
  • 86,96% dos que já usaram a linha são contra o fim da antecipação

Para que o dinheiro é usado?

A principal conclusão do estudo contraria uma das preocupações do governo: não houve registro de uso dos recursos para apostas online.

Entre os que utilizaram o saque aniversário:

  • 59% usaram para pagar dívidas urgentes ou mais caras
  • 19,9% destinaram a despesas com saúde e medicamentos
  • 11% compraram bens de uso pessoal
  • 9,6% investiram o valor

Entre os que anteciparam via empréstimo:

  • 69,6% pagaram dívidas
  • 28,1% custearam saúde
  • 7,1% compraram bens

De acordo com Ricardo Barbosa, economista-chefe da Zetta, “os brasileiros não usam o dinheiro do saque aniversário para fazer apostas”.

Comparação de juros: FGTS x consignado privado

Um dos principais argumentos das associações do setor financeiro é o custo da linha.

Segundo a ABBC:

  • Antecipação do FGTS: média de 1,79% ao mês
  • Consignado privado: cerca de 3,79% ao mês
  • Consignado tradicional: 6,66% ao mês
  • Cartão parcelado: 9,25% ao mês
  • Crédito para negativados: até 19,95% ao mês

A diferença é relevante em um país onde, segundo dados amplamente divulgados pelo mercado de crédito, cerca de 74% do público desse perfil está com restrições no CPF.

Outro ponto destacado é que a antecipação do FGTS não compromete a renda mensal do trabalhador, pois o pagamento é garantido pelo saldo futuro do fundo — diferente do consignado, que é descontado diretamente do salário.

Quem fica sem acesso ao crédito?

Segundo dados apresentados pela ABBC:

  • 134 milhões de trabalhadores têm conta ativa com saldo no FGTS
  • 49 milhões são celetistas com carteira assinada
  • 85 milhões não teriam acesso ao consignado privado

Mesmo entre os celetistas, a taxa de aprovação é baixa. Pesquisa feita com cinco instituições apontou que, de cada 100 trabalhadores que tentaram contratar consignado privado, apenas 25 conseguiram aprovação.

Isso significa que parte significativa dos trabalhadores pode ficar sem alternativa de crédito com juros mais baixos.

Impacto econômico estimado

A ABBC e a Zetta estimam que o fim da linha pode gerar impacto negativo de R$ 35 bilhões na economia. Para efeito comparativo, a redução do imposto de renda anunciada pelo governo teria impacto estimado de R$ 32 bilhões, beneficiando cerca de 16 milhões de pessoas.

Já o saque aniversário conta com cerca de 40 milhões de trabalhadores cadastrados. Destes, 28 milhões já utilizaram a antecipação.

Outro dado relevante: apesar do crescimento dos saques — de R$ 9 bilhões em 2020 para R$ 50 bilhões até novembro de 2025 — o saldo total do FGTS subiu de R$ 424 bilhões para R$ 695 bilhões no período, segundo números divulgados pelo setor.

Governo pode rever as medidas?

Representantes da ABBC afirmam ter conversado com a Casa Civil para discutir os impactos das restrições, especialmente o piso de R$ 100 por parcela, que atingiu diretamente trabalhadores de menor renda.

Até o momento, não há sinalização oficial de revisão das regras.

O debate gira em torno de dois pontos centrais:

  1. Proteção do trabalhador contra superendividamento
  2. Manutenção do acesso a crédito mais barato para quem não tem outras opções

Vale a pena usar a antecipação do saque aniversário?

Do ponto de vista financeiro, a decisão depende do objetivo do recurso.

Pode fazer sentido quando:

  • O trabalhador tem dívida com juros acima de 2% ao mês
  • Precisa de recurso emergencial para saúde
  • Não tem acesso ao consignado

Pode não ser recomendável quando:

  • O objetivo é consumo não essencial
  • Há alternativa de crédito mais barata
  • O trabalhador depende do saldo do FGTS para eventual demissão

Antes de contratar, é fundamental comparar o Custo Efetivo Total (CET) e simular cenários.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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