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Lucro do BBAS3 pode vir abaixo do esperado; entenda o cenário segundo especialistas

Analistas esperam lucro abaixo do consenso para BBAS3 no 2T25, com pressão do crédito rural e inadimplência recorde no Banco do Brasil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Banco do Brasil

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) operam em forte alta na segunda-feira (4), registrando valorização de quase 3% no início da sessão. O movimento ocorre após uma semana de queda acentuada — mais de 5% — e é interpretado pelo mercado como uma correção técnica, sem gatilhos positivos específicos. A expectativa gira agora em torno do balanço do segundo trimestre de 2025 (2T25), previsto para o dia 14 de agosto.

Apesar da recuperação pontual nos papéis, analistas alertam que o Banco do Brasil deve apresentar um dos resultados mais fracos entre os grandes bancos nesta temporada de divulgação. O principal ponto de atenção está no desempenho do crédito rural, segmento que representa aproximadamente 30% da carteira de crédito da instituição e que vem mostrando sinais claros de deterioração.

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O que o mercado espera do balanço do BBAS3 no 2T25?

Banco do Brasil
Imagem: Freepik

Goldman Sachs: projeção abaixo do consenso

O Goldman Sachs foi um dos primeiros a reduzir significativamente as projeções para o Banco do Brasil. O banco norte-americano estima lucro de R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre, o que representa uma queda de cerca de 15% em relação ao consenso de mercado. O motivo central apontado foi o risco elevado de perdas com crédito rural, com possível aumento nas provisões para devedores duvidosos.

JPMorgan: dados do BC indicam lucros em queda

Em linha semelhante, o JPMorgan analisou dados do Banco Central referentes a maio e concluiu que o lucro mensal do Banco do Brasil caiu drasticamente, de R$ 1,7 bilhão em abril para R$ 500 milhões. Caso junho repita o padrão, o trimestre poderá fechar com lucro entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3 bilhões, um desempenho significativamente inferior ao esperado pelo mercado no início do ano.

BTG Pactual: preocupações crescentes com o otimismo anterior

O BTG Pactual, que já havia revisado para baixo suas estimativas após o balanço do primeiro trimestre, voltou a reduzir os números. A nova previsão aponta lucro de R$ 5 bilhões no 2T25 e R$ 23,5 bilhões no acumulado de 2025, o que resultaria em um ROE (Retorno sobre Patrimônio) de 12,5%.

“Quanto mais analisávamos, mais preocupados ficávamos com o fato de nossas estimativas ainda parecerem excessivamente otimistas”, afirmou o banco em relatório.

Bradesco BBI: inadimplência rural atinge recorde

O Bradesco BBI seguiu a mesma linha e revisou para baixo os números do Banco do Brasil. A instituição agora espera R$ 23 bilhões de lucro para 2025 (queda de 16% em relação ao consenso) e R$ 27,4 bilhões para 2026 (13% abaixo do consenso). Para os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, o que mais preocupa é a qualidade dos ativos rurais, que atingiu níveis recordes de deterioração.

“A qualidade dos ativos rurais atingiu o nível mais baixo de todos os tempos, com 3,5% de inadimplência em 90 dias e 2,9% de inadimplência antecipada”, alertaram os analistas.

Inadimplência e provisões crescentes pressionam BBAS3

Crédito rural: o calcanhar de Aquiles do Banco do Brasil

O crédito rural, historicamente um dos pilares do Banco do Brasil, tornou-se o maior foco de atenção para investidores e analistas. Além da forte exposição — cerca de um terço da carteira total —, o segmento foi severamente afetado pelas condições climáticas adversas e volatilidade nos preços de commodities.

Esse cenário impulsiona a inadimplência, que por sua vez obriga o banco a reforçar as provisões para perdas esperadas. A consequência direta é a compressão das margens, redução de lucro e menor retorno ao acionista.

Risco de enfraquecimento estratégico

A piora na qualidade da carteira rural também levanta dúvidas sobre a capacidade de execução de garantias e pode provocar perda de clientes estratégicos do agronegócio, que historicamente mantinham relacionamento próximo com o BB. A fragilidade desse elo pode representar um impacto estrutural para o banco, não apenas conjuntural.

Expectativa do mercado para o restante de 2025

Dúvidas sobre revisão no guidance

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Diante desse contexto, cresce a possibilidade de o Banco do Brasil revisar para baixo suas metas de lucro e rentabilidade para o ano. Até o momento, o guidance oficial do banco previa lucro entre R$ 24 bilhões e R$ 28 bilhões em 2025, o que agora parece excessivamente otimista diante das projeções de bancos como BTG e Bradesco BBI.

Crescimento limitado no segundo semestre

Mesmo com um possível alívio no segundo semestre, analistas veem pouco espaço para uma reversão completa da tendência. A política de juros ainda elevada e as dificuldades no agronegócio seguem pressionando o crédito rural. Além disso, o ritmo de crescimento do consumo segue moderado, o que limita a expansão de outras linhas de crédito.

Ações BBAS3: valorização de hoje pode ser passageira?

Banco do Brasil
Imagem: Freepik e Canva

Correção técnica ou aposta no dividendo?

A alta de quase 3% registrada nesta segunda-feira pode estar ligada à perspectiva de pagamento de dividendos robustos, dado o histórico do BB em distribuir parte relevante do lucro. No entanto, muitos analistas consideram o movimento atual como uma correção técnica após a forte queda da semana passada, e não como um sinal de reversão estrutural.

Cautela é a palavra de ordem

Dada a incerteza sobre os resultados do segundo trimestre, a recomendação mais comum entre os analistas é a cautela. As ações do BBAS3 seguem baratas em múltiplos — negociando abaixo de 5 vezes o lucro esperado —, mas o risco de deterioração dos resultados pode manter os investidores afastados até a divulgação oficial dos números.

Importante: este conteúdo tem caráter estritamente informativo e não configura recomendação de compra ou venda de ativos.

Conclusão

Mesmo com a alta momentânea das ações BBAS3, o cenário para o Banco do Brasil no curto prazo inspira cautela. A deterioração no crédito rural, combinada com o aumento da inadimplência e projeções de lucro abaixo do consenso, coloca a instituição sob um holofote negativo nesta temporada de balanços. A divulgação dos resultados no dia 14 de agosto será decisiva para confirmar ou reverter as expectativas do mercado. Até lá, investidores devem manter atenção redobrada às sinalizações do setor e às atualizações dos grandes bancos de análise.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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