O primeiro trimestre de 2025 surpreendeu positivamente investidores da Bolsa brasileira. Grandes empresas listadas na B3, como Petrobras, Itaú Unibanco, Itaúsa e Telefônica Brasil (Vivo), divulgaram lucros bilionários, altas no valor de mercado e generosas distribuições de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). Apesar do otimismo inicial, os executivos de algumas companhias já acenam para um segundo trimestre mais desafiador, impactado por juros altos e retração econômica.
Itaú, Petrobras e Vivo anunciam bilhões em dividendos após lucros expressivos no 1T25
Petrobras, Itaú, Itaúsa e Vivo anunciaram lucros expressivos e dividendos bilionários no 1T25, mas sinalizam cautela com juros altos.
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Itaú Unibanco: crescimento sólido, mas com cautela
O Itaú Unibanco foi um dos grandes destaques do trimestre, com números robustos e reação imediata do mercado. A instituição registrou crescimento de 13,2% na carteira de crédito em 12 meses e lucros que impulsionaram suas ações para R$ 32,81, representando uma alta de 36,76% no ano. Em um único dia após a divulgação dos resultados, o banco adicionou R$ 18,3 bilhões em valor de mercado.
Indicadores financeiros do Itaú no 1T25:
- Lucro líquido expressivo (valor não divulgado oficialmente)
- Dividend yield de 8%
- Preço/lucro (PL) de 8,34
- Preço/valor patrimonial (P/VP) 73% acima do valor de referência
Apesar do desempenho notável, o CEO da instituição alertou que o ritmo de expansão do crédito deve ser menor em 2025, com projeção de crescimento entre 4,5% e 8,5%, impactado por uma política monetária ainda restritiva e juros elevados. Essa previsão reforça a importância de uma gestão prudente de riscos e carteira.
Itaúsa: holding sólida, mesmo com impacto do CDI
A holding Itaúsa, controladora do Itaú e investidora em diversos setores, também apresentou um 1T25 favorável. O lucro líquido foi de R$ 3,91 bilhões, alta de 12,5% em relação ao 1T24. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegou a 17,8%, um dos mais altos do setor.
No entanto, a companhia relatou resultado financeiro negativo, pressionada pelo aumento do custo da dívida atrelada ao CDI. Ainda assim, manteve sua atratividade com:
- Dividend yield de 8,33%
- PL de 7,71
- Valorização de 23,31% das ações preferenciais ITSA4 em 2025
A Itaúsa demonstra resiliência operacional, mesmo em um cenário de juros elevados, e reforça a importância de manter diversificação e disciplina financeira.
Vivo: crescimento consistente e mais dividendos

A Telefônica Brasil (Vivo) registrou um lucro de R$ 1,05 bilhão no 1T25, representando um crescimento de 18,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho levou ao anúncio de R$ 500 milhões em JCP, com data “com” marcada para 2 de junho e pagamento previsto para 20 de agosto de 2025.
Números em destaque:
- EBITDA de R$ 5,7 bilhões (+8,1%)
- Margem EBITDA de 39,6%
- Crescimento de 22% na base de clientes de internet fibra
- Dividend yield de 3,32%, com expectativa de alta nos próximos trimestres
A operadora continua expandindo sua presença em internet de alta velocidade, com foco na qualidade de serviço e fidelização de clientes. Mesmo com um yield menor comparado a outras blue chips, a Vivo mantém sólida geração de caixa e potencial de valorização.
Petrobras: lucro robusto e disciplina de investimentos
A Petrobras reportou lucro de R$ 5,2 bilhões no 1T25, revertendo o prejuízo registrado no 4T24 e apresentando uma alta de 48,6%. A petroleira anunciou a distribuição de R$ 11,7 bilhões em proventos aos acionistas, divididos em duas parcelas:
- 20 de agosto: pagamento de JCP
- 22 de setembro: pagamento de dividendos e mais JCP
- Valor total por ação: R$ 0,91
Além disso, a empresa reduziu seu capex em 29,1%, indicando uma postura mais conservadora nos investimentos, o que foi bem recebido pelo mercado. A disciplina financeira é vista como estratégia para maximizar a geração de caixa e manter a atratividade da companhia para investidores.
Brava Energia: recorde de produção, mas sem dividendos
Em contrapartida ao bom desempenho das demais, a Brava Energia segue enfrentando dificuldades. A companhia registrou prejuízos em 2024, e suas ações acumulam uma queda de 33,5% nos últimos 12 meses. Apesar de recordes de produção e eficiência nos campos de águas rasas na Bahia, a empresa desistiu da venda de ativos e não distribuiu dividendos neste trimestre.
O mercado segue cauteloso com o papel, aguardando melhoria na estrutura de capital e recuperação consistente para retomar a confiança dos investidores.
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Panorama geral do 1T25 na B3
O desempenho das principais empresas do Ibovespa neste início de ano reforça a importância de empresas com fundamentos sólidos, capacidade de adaptação às condições macroeconômicas e compromisso com o acionista.
Principais tendências observadas:
- Dividendos e JCP expressivos, mantendo a atratividade dos papéis
- Valorização das ações de empresas resilientes, como bancos e energia
- Ajustes nas projeções de crédito e investimento, com foco na disciplina
- Cautela no segundo trimestre, em função do cenário macroeconômico
Juros e crédito: entraves à expansão no curto prazo
Mesmo com resultados fortes, CEOs e executivos de empresas como o Itaú alertaram para desaceleração no crescimento do crédito e impacto da política monetária restritiva. Com a Selic ainda elevada, o custo de capital continua alto, o que afeta o apetite por investimentos e consumo das famílias.
Empresas mais expostas ao crédito ou ao consumo interno podem sentir pressões adicionais no 2T25, exigindo ainda mais eficiência na gestão de custos e foco em inovação e produtividade.
O que esperar para o segundo trimestre?

A expectativa para os próximos resultados é de desempenho sólido, mas com desafios crescentes. Investidores devem observar:
- Possíveis revisões de guidance (projeções) pelas empresas;
- Acompanhamento da política monetária e do calendário fiscal;
- Sustentação dos dividendos diante de eventuais quedas no lucro.
A continuidade da valorização das ações dependerá do equilíbrio entre entrega de resultados operacionais e manutenção da atratividade para o investidor. As empresas que conseguirem manter a geração de caixa e distribuir proventos, mesmo em um cenário adverso, tendem a manter sua posição de destaque no Ibovespa.
Imagem: rorovoa – freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
