Em um contexto internacional de incertezas e protecionismo crescente, Brasil e México dão novos passos para fortalecer sua parceria econômica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, para alinhar estratégias que estimulem o comércio bilateral e reforcem os laços entre as duas maiores economias da América Latina.
Brasil e México: Lula quer aprofundar parceria econômica e comercial
Lula quer fortalecer laços comerciais com o México; Alckmin fará visita com empresários em agosto
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Lula defende ampliação de acordos bilaterais

Durante o diálogo com Sheinbaum, Lula destacou a urgência de aprofundar as relações econômicas entre os dois países, sugerindo a abertura de negociações para um novo acordo comercial. A proposta visa facilitar o intercâmbio de produtos e serviços, promovendo o desenvolvimento mútuo em um cenário global cada vez mais competitivo e instável.
O Planalto ressaltou que a intenção é modernizar os termos do atual acordo entre Brasil e México, tornando-o mais abrangente e adaptado às novas demandas do mercado internacional.
Alckmin lidera missão empresarial ao México
Como desdobramento imediato da conversa presidencial, o vice-presidente Geraldo Alckmin, também titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), liderará uma missão oficial ao México nos dias 27 e 28 de agosto.
A viagem contará com uma comitiva de empresários brasileiros de setores estratégicos, como farmacêutico, agropecuário, aeroespacial, biocombustíveis e inovação tecnológica. A presença do setor produtivo será essencial para firmar parcerias e identificar novas oportunidades de cooperação industrial e comercial.
Setores estratégicos entram em foco
A reaproximação entre os dois países prioriza segmentos considerados vitais para o futuro econômico da região. A indústria farmacêutica, o agronegócio, as energias renováveis (com destaque para o etanol e o biodiesel), o setor aeroespacial, além de áreas ligadas à educação e à inovação tecnológica, estão entre os principais pontos da agenda bilateral.
O objetivo é criar uma agenda sólida de desenvolvimento regional baseada em complementariedades econômicas e tecnológicas, rompendo com a dependência de grandes economias fora do eixo latino-americano.
Pressões externas aceleram a cooperação regional
O avanço da agenda Brasil-México também ocorre em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos. O governo norte-americano, liderado por Donald Trump, anunciou recentemente um novo conjunto de tarifas de importação sobre produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto. O México, tradicional parceiro dos EUA no comércio exterior, também foi alvo de medidas semelhantes, com a imposição de tarifas de até 30% sobre seus produtos exportados ao território norte-americano.
Essas ações geraram preocupação nos países afetados e impulsionaram a busca por alternativas comerciais. A aproximação entre Brasil e México, nesse contexto, é vista como uma reação estratégica para reduzir a vulnerabilidade frente a decisões unilaterais de grandes potências.
Alckmin assume protagonismo nas negociações comerciais
Nos últimos meses, Geraldo Alckmin tem se destacado como o principal interlocutor brasileiro em negociações internacionais. Além da interlocução com o governo mexicano, o vice-presidente tem liderado conversas com autoridades e empresários norte-americanos para discutir alternativas às tarifas unilaterais impostas por Washington.
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Sua missão à Cidade do México reforça o papel do Brasil como articulador regional e visa criar uma rede de cooperação que beneficie os dois lados da fronteira latino-americana.
América Latina como alternativa econômica

O estreitamento de laços entre Brasil e México também sinaliza uma tentativa de construir alternativas dentro da própria América Latina para driblar instabilidades externas. O fortalecimento de cadeias produtivas regionais, o estímulo a acordos bilaterais e a redução da dependência de mercados como o norte-americano e o europeu fazem parte da estratégia.
Nesse sentido, os governos de Lula e Sheinbaum pretendem liderar uma agenda latino-americana que valorize a integração regional como ferramenta de crescimento sustentável.
Expectativas para a visita de agosto
A expectativa do governo brasileiro é que a visita de Alckmin resulte em novos protocolos de intenções, acordos comerciais setoriais e ações práticas para remover barreiras ao comércio. A presença de empresários poderá facilitar investimentos cruzados e ampliar o leque de produtos exportados e importados entre os dois países.
Ainda não há confirmação de encontros com a presidente mexicana durante a visita, mas a participação de representantes de alto escalão do governo local está prevista.
Com informações de: Agência Brasil
