O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou clara nesta quarta-feira (6) sua posição firme sobre a necessidade de regulação das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, no Brasil. Em entrevista à agência Reuters, Lula afirmou que, caso essas companhias não queiram se submeter à legislação nacional, elas “podem sair do país”.
Lula cobra regulação das big techs e alerta sobre saída do Brasil
Lula defende regulação das big techs no Brasil e afirma que quem não aceitar pode deixar o país.
“Esse país é soberano, esse país tem uma Constituição, tem uma legislação. Agora, é da nossa obrigação regular o que a gente quiser regular de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro. Se não quiser regulação, que saiam do Brasil, não existe outro mecanismo. Da mesma forma que lá nos Estados Unidos uma empresa brasileira é obrigada a seguir a legislação americana”, destacou o presidente.
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Regulação como instrumento de soberania

A fala de Lula insere-se no amplo debate global sobre o poder das big techs e a influência que exercem não só sobre a economia, mas também sobre a cultura, política e sociedade. No Brasil, o governo petista tem defendido que a regulação dessas empresas é uma questão de soberania nacional e de respeito à legislação vigente.
Em julho, durante uma reunião de alto nível sobre a defesa da democracia realizada no Chile, Lula já havia reforçado a importância de regular as plataformas digitais. Na ocasião, afirmou que a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para a prática de crimes e que a regulamentação pode devolver aos governos a capacidade de proteger seus cidadãos.
“Uma regulação das plataformas digitais pode devolver a capacidade dos governos nacionais de protegerem seus cidadãos”, declarou.
Tensão com os Estados Unidos e o tarifaço
A posição de Lula ocorre em meio a tensões diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos, que recentemente impuseram uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, medida popularmente conhecida como “tarifaço”. O presidente norte-americano, Donald Trump, justificou a decisão citando, entre outros motivos, medidas judiciais e regulatórias contra big techs nos EUA.
Lula, por sua vez, considerou a justificativa “incabível” e deixou claro que o governo brasileiro não pretende negociar esses termos sob pressão política. Segundo ele, o Brasil aceita discutir apenas aspectos econômicos das tarifas impostas, vetando qualquer tentativa de politizar o tema.
“Esse tema é um dos vetados por ser considerado ‘político’ pelo governo Lula. O Brasil só aceita negociar termos econômicos das tarifas”, afirmou.
O papel do USTR e a vigilância americana
Outro elemento que permeia esse cenário é a atuação do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), órgão responsável por monitorar políticas comerciais e tarifas no exterior. Recentemente, o USTR anunciou que irá analisar possíveis medidas brasileiras que possam prejudicar empresas americanas de tecnologia.
O USTR funciona como uma espécie de Ministério do Comércio Exterior dos Estados Unidos, mas não tem equivalente direto no governo brasileiro, o que, para alguns analistas, revela um desequilíbrio nas relações comerciais.
Regulação das big techs: desafios e perspectivas
A regulação das big techs não é uma pauta exclusiva do Brasil. Em vários países, governos enfrentam o desafio de equilibrar a inovação tecnológica com a proteção dos direitos dos cidadãos, a competição justa no mercado e a segurança nacional.
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Para Lula, é imprescindível que o Brasil siga seu próprio caminho e que as regras sejam definidas “de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro”. Essa postura, embora assertiva, implica uma série de desafios práticos para o governo, como definir critérios claros de regulação, fiscalizar o cumprimento das normas e lidar com possíveis represálias internacionais.
Liberdade de expressão e combate a abusos

O presidente também destacou a importância de que a regulação não seja usada para cercear a liberdade de expressão, mas para coibir abusos e crimes cometidos sob o pretexto da internet livre.
“A liberdade de expressão não é autorização para cometer crimes”, enfatizou, reforçando a necessidade de encontrar um equilíbrio entre o livre debate público e a responsabilização por conteúdos ilegais ou prejudiciais.
O cenário político e eleitoral
A discussão sobre regulação das big techs também tem um forte componente político, especialmente com a aproximação das eleições presidenciais no Brasil. A firme posição de Lula pode mobilizar tanto apoiadores que defendem maior controle das empresas de tecnologia, quanto opositores que veem a medida como uma ameaça à liberdade econômica.
Além disso, a tensão com os Estados Unidos e o tema do tarifaço devem continuar no centro do debate, influenciando negociações futuras e o relacionamento bilateral.
Com informações de: Poder360
