Diante de uma crise envolvendo o INSS e da queda na aprovação do governo entre o público feminino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda lançar uma nova política pública voltada especialmente a dois grupos: mulheres e pessoas idosas. Batizada de Plano Nacional de Cuidados, a medida surge como resposta a críticas e escândalos recentes e promete reformular a forma como o Estado brasileiro lida com o cuidado não remunerado.
Após escândalo no INSS, Lula promete plano especial para idosos e mulheres
Governo Lula prepara plano para apoiar idosos e mulheres cuidadoras após crise no INSS. Entenda a medida.
A proposta, chamada “Brasil que Cuida”, foi elaborada pelos Ministérios das Mulheres e do Desenvolvimento Social e já está sob avaliação direta do presidente.
Leia mais: Lula chama de volta a mulher que desmantelou fraudes bilionárias do INSS no governo Bolsonaro
“Brasil que Cuida”: apoio para quem precisa e para quem cuida

O plano tem como foco central atender tanto quem necessita de cuidado diário quanto quem realiza essas atividades sem remuneração, na maioria das vezes, mulheres.
Entre as iniciativas previstas estão:
- Ampliação da jornada de creches e da educação infantil;
- Criação de centros especializados para idosos e pessoas com deficiência;
- Instalação de lavanderias coletivas, restaurantes populares, cozinhas e hortas comunitárias;
- Campanhas de valorização do trabalho de cuidado e das cuidadoras.
A proposta representa um passo importante na tentativa de transformar a realidade de famílias brasileiras que enfrentam sobrecarga com os cuidados domésticos e com dependentes, especialmente as mulheres.
Fala de Lula destaca impacto para a qualidade de vida
Ao sancionar a Lei nº 15.069, que institui a Política Nacional de Cuidados, Lula destacou o papel da iniciativa para a valorização das mulheres brasileiras:
“O que é importante é a gente dizer à opinião pública que o Estado vai cuidar dessas pessoas e vai tirar a invisibilidade tanto da pessoa que precisa de cuidado quanto das pessoas que cuidam. Esse dinheiro é investimento na qualidade de vida das pessoas que trabalharam tanto, que dedicaram tanto tempo para construir esse Brasil”, afirmou o presidente em vídeo publicado nas redes sociais.
A fala do chefe do Executivo sublinha a importância da proposta como medida de justiça social, especialmente para quem historicamente esteve à margem das políticas públicas.
Crise no INSS e rejeição entre mulheres aceleram ação

O anúncio do plano ocorre em um contexto de desgaste político para o governo. O escândalo envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS afetou diretamente aposentados e idosos, público já vulnerável e agora exposto a fraudes e irregularidades.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Ao mesmo tempo, o governo enfrentou um revés na opinião pública feminina. Segundo pesquisa da Quaest divulgada em abril, 53% das mulheres passaram a desaprovar o governo, superando os 43% que ainda o aprovam, a primeira vez desde fevereiro de 2024 que os números se inverteram.
A queda na popularidade levou inclusive à troca no comando do Ministério das Mulheres, que passou a ser liderado pela petista Márcia Lopes, numa tentativa de reconectar o Planalto com esse eleitorado essencial.
Um novo modelo de cuidado para o Brasil
O Plano Nacional de Cuidados não busca apenas responder a uma crise momentânea, mas promete instituir um novo modelo de apoio social no país. Ao reconhecer o trabalho de cuidado como parte fundamental da economia e da vida cotidiana, o governo pretende garantir mais dignidade para quem depende de assistência e para quem oferece esse apoio, muitas vezes sem nenhuma contrapartida.
Com essa medida, o Planalto espera não só restaurar a confiança de parte do eleitorado, mas também dar um passo à frente na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária.
Com informações de: Metrópoles
