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Marabraz busca recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões

Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões e mantém lojas abertas. Entenda os motivos e os próximos passos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Marabraz busca recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões

A Marabraz, tradicional rede brasileira de móveis e eletrodomésticos, entrou com pedido de recuperação judicial no sábado, 15 de agosto de 2026, na Justiça de São Paulo. O processo tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e envolve um passivo de aproximadamente R$ 140,2 milhões.

O pedido reúne cinco empresas relacionadas à operação da rede. Segundo as informações apresentadas à Justiça, o objetivo é reorganizar as obrigações financeiras, preservar a atividade comercial e criar condições para que o grupo continue funcionando.

A companhia afirma que enfrenta dificuldades de liquidez, mas considera sua operação economicamente viável. Por isso, as lojas continuam abertas e as atividades comerciais não foram interrompidas.

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Imagem: Zolnierek / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

O que levou a Marabraz à recuperação judicial?

Na petição apresentada à Justiça, a empresa relaciona a crise a uma combinação de fatores financeiros, econômicos e societários.

Um dos principais pontos citados é a perda de garantias utilizadas em operações de crédito. Durante décadas, determinados imóveis comerciais, centros de distribuição e outros patrimônios ligados à família controladora serviram de suporte para a obtenção de financiamento.

Esses ativos, porém, estavam registrados em uma estrutura patrimonial separada das empresas que administram as lojas. De acordo com a Marabraz, conflitos familiares e societários acabaram comprometendo esse modelo.

Com a redução das garantias disponíveis, instituições financeiras teriam diminuído limites de crédito, encarecido operações e deixado de renovar determinadas linhas utilizadas para financiar o capital de giro.

Juros e queda do consumo também pressionaram as contas

A companhia também aponta fatores que atingiram o varejo de maneira mais ampla.

Entre eles estão o elevado custo do crédito, o aumento do endividamento, a inadimplência dos consumidores e a redução do consumo. O avanço do comércio eletrônico também alterou o comportamento dos clientes e aumentou a necessidade de investimentos em tecnologia e canais digitais.

Para uma empresa que trabalha com móveis e eletrodomésticos, a disponibilidade de crédito é particularmente importante, tanto para financiar estoques e operações quanto para facilitar as compras dos consumidores.

Nesse cenário, uma combinação de juros elevados, menor capacidade de consumo e dificuldade para obter capital de giro pode aumentar rapidamente a pressão sobre o caixa.

Quais empresas estão no pedido?

A recuperação judicial não envolve apenas a marca Marabraz. O processo inclui cinco sociedades relacionadas ao grupo:

  • Comercial de Móveis Jordanésia;
  • S.V.C. Jaraguá Comercial;
  • Comercial Móveis das Nações;
  • Comercial Zena Móveis;
  • Monta Móveis Prestadora de Serviços.

Segundo a defesa apresentada à Justiça, as empresas possuem controle comum e apresentam forte integração societária e operacional.

Outro argumento utilizado é a existência de mais de mil processos trabalhistas envolvendo mais de uma das sociedades. A empresa sustenta que tratar as companhias conjuntamente é necessário para permitir uma reorganização financeira mais eficiente.

O que muda para clientes e funcionários?

Por enquanto, o pedido de recuperação judicial não significa o fechamento das lojas.

A Marabraz informou que continua operando normalmente e que pretende preservar empregos, atender consumidores e manter suas relações comerciais durante o processo.

Para o consumidor que já comprou um produto, tem uma entrega pendente ou precisa acionar uma garantia, a recomendação é manter notas fiscais, contratos, comprovantes de pagamento e demais documentos da compra.

A recuperação judicial também não significa, por si só, que produtos deixarão de ser entregues ou que contratos serão automaticamente cancelados. Eventuais mudanças dependem das decisões judiciais e da evolução do processo.

Empresa pediu proteção contra cobranças

Na ação, o grupo solicitou medidas urgentes para evitar bloqueios e retenções de valores e suspender determinadas medidas de cobrança.

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Também foram solicitadas providências para preservar serviços essenciais ao funcionamento das lojas, como energia elétrica, água, telefonia, sistemas de tecnologia e processamento de pagamentos por cartão.

Outro pedido envolve proteção contra ações de despejo relacionadas aos imóveis utilizados pela operação.

Essas solicitações precisam ser analisadas pela Justiça e não significam que todos os pedidos tenham sido automaticamente aceitos.

O que é recuperação judicial?

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005 para permitir que empresas em dificuldade econômico-financeira tentem reorganizar suas dívidas e preservar suas atividades.

Diferentemente da falência, o objetivo inicial da recuperação é justamente evitar a interrupção da empresa e possibilitar a continuidade do negócio, desde que existam condições para sua recuperação.

Após o processamento do pedido, os credores passam a participar de um procedimento que pode resultar na apresentação e votação de um plano de recuperação. Esse plano pode estabelecer novas condições para pagamento das dívidas, conforme as regras legais e a aprovação dos credores.

Por isso, o pedido feito pela Marabraz representa o início de um processo de reestruturação, e não uma declaração de falência.

Marabraz tem mais de 60 anos de história

Notas de Real em cima de uma calculadora com um papel escrito Recuperação Judicial no topo.
Imagem: rafastockbr/shutterstock.com

A história da empresa está ligada à trajetória da família Fares no varejo brasileiro.

O negócio começou na década de 1950, quando Abdul Hamid Mohamad Fares chegou ao Brasil e trabalhou como comerciante. Em 1965, fundou a Credi-Fares, considerada o primeiro negócio de móveis da família.

Após sua morte, em 1978, os filhos assumiram a condução das atividades. A marca Marabraz foi adquirida em 1986 e posteriormente passou por um processo de expansão.

A rede chegou a operar dezenas de unidades em diferentes regiões do estado de São Paulo, consolidando-se especialmente no segmento de móveis e eletrodomésticos.

(Imagem: RNL Fotografia/Adobe Stock AdobeStock_604950007_Editorial_Use_Only.jpg )

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