As senhas, que há décadas fazem parte da rotina de quem compra pela internet ou utiliza serviços financeiros, podem estar com os dias contados. A Mastercard anunciou que pretende eliminar completamente o uso de senhas em seus sistemas de pagamento até 2030, apostando em tecnologias biométricas para tornar as transações mais rápidas e seguras.
Cartões Mastercard deixarão de usar senha em pagamentos, afirma presidente da empresa
Mastercard pretende substituir senhas por biometria até 2030. Entenda como a tecnologia deve funcionar e o que muda para consumidores.
A estratégia foi detalhada pelo presidente da Mastercard Brasil, Marcelo Tangioni, em entrevista à CNN Brasil. Segundo o executivo, a empresa trabalha para substituir senhas por métodos de autenticação baseados em características únicas de cada pessoa, como reconhecimento facial, impressão digital e biometria comportamental.
A iniciativa faz parte de um plano global da companhia para reduzir fraudes, simplificar pagamentos e melhorar a experiência dos consumidores em um cenário de crescente digitalização dos serviços financeiros.
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Por que a Mastercard quer acabar com as senhas

Segundo Marcelo Tangioni, a combinação entre segurança e praticidade é o principal objetivo da mudança.
Na avaliação da empresa, sistemas baseados apenas em senhas já apresentam limitações importantes. Além de serem esquecidas com frequência, elas podem ser roubadas, reutilizadas em diferentes serviços ou descobertas por criminosos por meio de ataques virtuais.
A proposta é substituir esse modelo por formas de autenticação que utilizam características exclusivas do próprio usuário.
De acordo com o executivo, apenas investir em segurança não basta. A tecnologia precisa oferecer uma experiência simples para que seja adotada em larga escala pelos consumidores.
Como funcionará a autenticação biométrica
O plano da Mastercard prevê diferentes formas de autenticação, permitindo que cada mercado utilize os recursos mais adequados.
Entre as principais tecnologias estão:
Reconhecimento facial
A identidade do usuário é confirmada por meio da análise do rosto utilizando a câmera do smartphone ou de outro dispositivo compatível.
Impressão digital
Já amplamente utilizada em celulares, aplicativos bancários e carteiras digitais, a leitura da digital poderá substituir definitivamente o uso de senhas durante os pagamentos.
Biometria comportamental
Essa tecnologia analisa padrões de comportamento do usuário, como:
- velocidade de digitação;
- forma de segurar o celular;
- movimentos durante a navegação;
- maneira como interage com aplicativos.
Esses dados ajudam a identificar comportamentos fora do padrão e podem indicar tentativas de fraude sem que o consumidor precise realizar novas etapas de autenticação.
O que é o Click to Pay
Uma das iniciativas que fazem parte dessa transformação é o Click to Pay, sistema que a Mastercard já começou a implementar.
A tecnologia elimina a necessidade de informar manualmente os dados do cartão em cada compra online.
Após o cadastro inicial, o consumidor consegue finalizar pagamentos de forma mais rápida, utilizando um processo de autenticação mais moderno e protegido.
Segundo a empresa, o objetivo é tornar o checkout semelhante ao funcionamento das carteiras digitais, reduzindo o tempo necessário para concluir uma compra.
Quando as senhas deixarão de existir
A meta estabelecida pela Mastercard é concluir essa transição até 2030.
Entretanto, a substituição será gradual.
A empresa informou que pretende realizar testes e adaptações nos diferentes mercados onde atua, respeitando as particularidades de cada país.
No Brasil, a implementação acompanhará o cronograma global, mas dependerá da evolução da infraestrutura tecnológica, da integração com instituições financeiras e da aceitação dos consumidores.
Até o momento, a companhia não divulgou um calendário detalhado para cada etapa da implantação.
O que muda para quem usa cartão Mastercard
No curto prazo, praticamente nada muda para os consumidores.
As senhas continuarão sendo utilizadas normalmente enquanto novas soluções são implementadas.
Ao longo dos próximos anos, a tendência é que bancos, fintechs, emissores de cartões e plataformas de comércio eletrônico passem a oferecer cada vez mais autenticações baseadas em biometria.
Na prática, isso significa que muitas compras poderão ser aprovadas apenas com o reconhecimento facial, a impressão digital ou outros mecanismos inteligentes de validação.
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Quais são as vantagens da biometria
Especialistas em segurança digital apontam diversos benefícios na substituição das senhas por autenticação biométrica.
Entre eles estão:
- redução do risco de roubo de credenciais;
- menor incidência de fraudes por phishing;
- eliminação da necessidade de memorizar diversas senhas;
- pagamentos mais rápidos;
- experiência de compra mais simples.
Além disso, métodos biométricos costumam utilizar múltiplas camadas de proteção, dificultando tentativas de fraude.
Existem desafios para essa mudança?

Sim.
Embora a biometria ofereça um alto nível de segurança, sua adoção em larga escala exige investimentos em tecnologia, infraestrutura e proteção de dados.
Outro desafio será garantir que diferentes dispositivos e instituições financeiras utilizem padrões compatíveis, permitindo uma experiência uniforme para o consumidor.
Também será fundamental assegurar o tratamento adequado dos dados biométricos, respeitando normas de privacidade, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A biometria vai substituir todas as senhas?
A proposta da Mastercard está relacionada aos seus serviços de pagamento e autenticação.
Isso não significa que todas as senhas utilizadas na internet desaparecerão automaticamente até 2030.
No entanto, o movimento acompanha uma tendência global liderada por empresas de tecnologia, instituições financeiras e organizações internacionais que buscam substituir senhas tradicionais por métodos mais seguros, como biometria e sistemas de autenticação sem senha (passwordless).
O futuro dos pagamentos digitais
O avanço da biometria representa uma das maiores mudanças nos meios de pagamento desde a popularização dos cartões com chip e das carteiras digitais.
À medida que novas tecnologias forem incorporadas ao mercado, a expectativa é que as compras se tornem cada vez mais rápidas, intuitivas e protegidas contra fraudes.
Embora a meta de eliminar as senhas até 2030 ainda dependa da evolução tecnológica e da adesão do mercado, a Mastercard reforça que esse é um compromisso global e que os próximos anos serão marcados pela expansão dos sistemas de autenticação biométrica em diversos países, incluindo o Brasil.
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