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Afinal, quem é MEI pode abrir franquia? Entenda

Descubra se MEI pode abrir franquia, quais são os limites legais e como empreender com marcas conhecidas de forma segura e dentro da lei.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Afinal, quem é MEI pode abrir franquia? Entenda

No Brasil, onde o empreendedorismo pulsa como alternativa de renda, independência e realização profissional, o modelo de franquias é visto como um caminho seguro e rentável. Ao mesmo tempo, o regime de Microempreendedor Individual (MEI) tem ganhado cada vez mais espaço por facilitar a formalização de pequenos negócios.

Diante disso, surge uma dúvida comum entre os empreendedores iniciantes: afinal, um MEI pode abrir uma franquia? Essa pergunta não tem uma resposta direta e exige uma análise criteriosa das regras do regime tributário e das particularidades do modelo de franquias.

Neste artigo, vamos esclarecer tudo o que você precisa saber antes de dar esse importante passo no mundo dos negócios.

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Entendendo o sistema de franquias no Brasil

mei franquias
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O que é uma franquia?

A franquia é um modelo de negócio baseado na concessão do direito de uso de uma marca, processos operacionais, produtos ou serviços, mediante pagamento de taxas e sob condições contratuais.

Em outras palavras, o franqueado adquire a autorização de utilizar o modelo já consolidado de uma empresa — o franqueador — e, em troca, paga valores como:

  • Taxa de franquia inicial;
  • Royalties mensais sobre o faturamento;
  • Taxas de marketing (opcional, dependendo da franquia).

O sistema de franquias é regido pela Lei nº 13.966/2019, que estabelece direitos e deveres de ambas as partes, inclusive a obrigatoriedade de fornecer a Circular de Oferta de Franquia (COF), que detalha aspectos financeiros e jurídicos do negócio.

Por que abrir uma franquia?

Investir em uma franquia é uma forma de começar um negócio com respaldo de uma marca já consolidada e com métodos testados, reduzindo os riscos do empreendedor.

Principais vantagens:

  • Suporte operacional e de marketing;
  • Treinamentos e acompanhamento do franqueador;
  • Menor tempo de retorno sobre o investimento;
  • Possibilidade de operar em áreas pouco exploradas.

O que é ser MEI e quais os limites do regime?

Criado pela Lei Complementar nº 128/2008, o MEI tem o objetivo de formalizar profissionais autônomos e pequenos empresários. Trata-se do regime mais simplificado do Simples Nacional e oferece isenção de impostos federais, como IRPJ, PIS, Cofins, IPI e CSLL.

Requisitos para ser MEI:

  • Faturar até R$ 81 mil por ano (média de R$ 6.750 por mês);
  • Ter apenas um funcionário registrado com salário mínimo ou piso da categoria;
  • Não ser sócio ou titular de outra empresa;
  • Exercer atividade prevista na lista de ocupações permitidas ao MEI, atualizada periodicamente pelo governo.

Vantagens do MEI:

  • Baixa carga tributária (custo fixo mensal);
  • Facilidade na emissão de notas fiscais;
  • Acesso a benefícios previdenciários;
  • Direito a CNPJ e conta PJ.

Porém, são justamente essas limitações que influenciam a viabilidade de abrir uma franquia como MEI.


Afinal, MEI pode abrir franquia?

Tecnicamente, sim — mas com restrições

A legislação não proíbe expressamente que um MEI se torne franqueado. Contudo, diversos fatores tornam essa possibilidade limitada na prática.

O que precisa ser avaliado:

1. Atividade permitida

Nem todas as franquias exercem atividades previstas na lista de ocupações aceitas pelo MEI. Por exemplo, serviços médicos, escolas, clínicas de estética e diversas franquias alimentícias não estão na lista.

2. Faturamento da franquia

O limite de R$ 81 mil por ano pode ser rapidamente ultrapassado em uma franquia, mesmo que de pequeno porte. Isso exige que o empreendedor migre para o regime de Microempresa (ME), com limite de R$ 360 mil/ano.

3. Quantidade de funcionários

Muitas franquias demandam mais de um funcionário para operar corretamente. Como o MEI só pode contratar um colaborador, essa limitação pode inviabilizar a operação.

4. Exigência contratual da franqueadora

Algumas marcas não permitem que o franqueado seja MEI, exigindo, por contrato, que o franqueado se formalize como ME ou EPP (Empresa de Pequeno Porte), para garantir maior solidez jurídica e financeira.


Em quais situações o MEI pode ser franqueado?

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Imagem: Freepik e Canva

Apesar das dificuldades, há exceções. Em alguns nichos, é possível sim abrir uma franquia como MEI, desde que:

  • A atividade esteja listada como permitida;
  • O faturamento mensal fique dentro do limite;
  • O contrato da franquia permita o regime MEI.

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Exemplos de microfranquias compatíveis com o MEI:

  • Produção de salgados ou doces artesanais;
  • Manicure e pedicure domiciliar;
  • Representação de produtos de cosméticos;
  • Serviços de marketing digital ou social media;
  • Consultoria de imagem e moda;
  • Vendas porta a porta ou e-commerce.

Estas franquias geralmente funcionam em casa ou de forma itinerante, com baixo custo operacional e sem necessidade de equipe extensa.


Microfranquias: alternativa ideal para quem é MEI

As microfranquias são franquias com investimento inicial de até R$ 15 mil a R$ 30 mil, e muitas delas funcionam no modelo home-based, exigindo pouco capital de giro e operação simplificada.

Elas costumam ser ideais para:

  • Quem está começando e quer testar o modelo de negócio;
  • Profissionais autônomos que já atuam com o serviço e querem profissionalizar a operação;
  • Aposentados ou pessoas em transição de carreira.

Quando é hora de sair do MEI?

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Se a franquia começa a crescer, é natural que o empreendedor ultrapasse os limites do MEI. Isso não é um problema — pelo contrário, indica sucesso do negócio.

O que fazer ao atingir o teto:

  • Migrar para ME (Microempresa) no Simples Nacional;
  • Recolher os tributos proporcionais à nova faixa de faturamento;
  • Atualizar o cadastro na Junta Comercial e na Receita Federal.

Esse processo de migração é simples e pode ser feito com apoio de um contador. Muitas franqueadoras inclusive oferecem suporte contábil para ajudar na formalização adequada.


Passo a passo para abrir uma franquia sendo MEI

  1. Escolha uma franquia compatível com sua área de interesse e seu porte financeiro;
  2. Verifique se a atividade da franquia é permitida na lista de ocupações do MEI;
  3. Solicite a COF (Circular de Oferta de Franquia) para entender os custos, exigências e estrutura necessária;
  4. Avalie o potencial de faturamento — se for superior a R$ 81 mil/ano, já inicie como ME;
  5. Consulte um contador para validar seu enquadramento tributário;
  6. Formalize o contrato e inicie as operações.

Conclusão: é possível, mas com cuidado e planejamento

O Microempreendedor Individual pode sim abrir uma franquia, desde que o modelo de negócio se encaixe nas limitações legais e tributárias do regime. No entanto, essa possibilidade está restrita a casos bem específicos, principalmente em microfranquias com operação enxuta.

Para quem deseja investir em uma franquia mais robusta, com alto potencial de retorno, o ideal é migrar para ME, mesmo que o negócio esteja apenas começando. Isso evita complicações fiscais, garante maior segurança jurídica e abre espaço para o crescimento saudável da operação.

O importante é planejar com cuidado, conversar com a franqueadora e contar com orientação especializada. Empreender com responsabilidade é o primeiro passo para o sucesso.

Imagem: Canva – Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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