No Brasil, onde o empreendedorismo pulsa como alternativa de renda, independência e realização profissional, o modelo de franquias é visto como um caminho seguro e rentável. Ao mesmo tempo, o regime de Microempreendedor Individual (MEI) tem ganhado cada vez mais espaço por facilitar a formalização de pequenos negócios.
Afinal, quem é MEI pode abrir franquia? Entenda
Descubra se MEI pode abrir franquia, quais são os limites legais e como empreender com marcas conhecidas de forma segura e dentro da lei.
Diante disso, surge uma dúvida comum entre os empreendedores iniciantes: afinal, um MEI pode abrir uma franquia? Essa pergunta não tem uma resposta direta e exige uma análise criteriosa das regras do regime tributário e das particularidades do modelo de franquias.
Neste artigo, vamos esclarecer tudo o que você precisa saber antes de dar esse importante passo no mundo dos negócios.
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Entendendo o sistema de franquias no Brasil

O que é uma franquia?
A franquia é um modelo de negócio baseado na concessão do direito de uso de uma marca, processos operacionais, produtos ou serviços, mediante pagamento de taxas e sob condições contratuais.
Em outras palavras, o franqueado adquire a autorização de utilizar o modelo já consolidado de uma empresa — o franqueador — e, em troca, paga valores como:
- Taxa de franquia inicial;
- Royalties mensais sobre o faturamento;
- Taxas de marketing (opcional, dependendo da franquia).
O sistema de franquias é regido pela Lei nº 13.966/2019, que estabelece direitos e deveres de ambas as partes, inclusive a obrigatoriedade de fornecer a Circular de Oferta de Franquia (COF), que detalha aspectos financeiros e jurídicos do negócio.
Por que abrir uma franquia?
Investir em uma franquia é uma forma de começar um negócio com respaldo de uma marca já consolidada e com métodos testados, reduzindo os riscos do empreendedor.
Principais vantagens:
- Suporte operacional e de marketing;
- Treinamentos e acompanhamento do franqueador;
- Menor tempo de retorno sobre o investimento;
- Possibilidade de operar em áreas pouco exploradas.
O que é ser MEI e quais os limites do regime?
Criado pela Lei Complementar nº 128/2008, o MEI tem o objetivo de formalizar profissionais autônomos e pequenos empresários. Trata-se do regime mais simplificado do Simples Nacional e oferece isenção de impostos federais, como IRPJ, PIS, Cofins, IPI e CSLL.
Requisitos para ser MEI:
- Faturar até R$ 81 mil por ano (média de R$ 6.750 por mês);
- Ter apenas um funcionário registrado com salário mínimo ou piso da categoria;
- Não ser sócio ou titular de outra empresa;
- Exercer atividade prevista na lista de ocupações permitidas ao MEI, atualizada periodicamente pelo governo.
Vantagens do MEI:
- Baixa carga tributária (custo fixo mensal);
- Facilidade na emissão de notas fiscais;
- Acesso a benefícios previdenciários;
- Direito a CNPJ e conta PJ.
Porém, são justamente essas limitações que influenciam a viabilidade de abrir uma franquia como MEI.
Afinal, MEI pode abrir franquia?
Tecnicamente, sim — mas com restrições
A legislação não proíbe expressamente que um MEI se torne franqueado. Contudo, diversos fatores tornam essa possibilidade limitada na prática.
O que precisa ser avaliado:
1. Atividade permitida
Nem todas as franquias exercem atividades previstas na lista de ocupações aceitas pelo MEI. Por exemplo, serviços médicos, escolas, clínicas de estética e diversas franquias alimentícias não estão na lista.
2. Faturamento da franquia
O limite de R$ 81 mil por ano pode ser rapidamente ultrapassado em uma franquia, mesmo que de pequeno porte. Isso exige que o empreendedor migre para o regime de Microempresa (ME), com limite de R$ 360 mil/ano.
3. Quantidade de funcionários
Muitas franquias demandam mais de um funcionário para operar corretamente. Como o MEI só pode contratar um colaborador, essa limitação pode inviabilizar a operação.
4. Exigência contratual da franqueadora
Algumas marcas não permitem que o franqueado seja MEI, exigindo, por contrato, que o franqueado se formalize como ME ou EPP (Empresa de Pequeno Porte), para garantir maior solidez jurídica e financeira.
Em quais situações o MEI pode ser franqueado?

Apesar das dificuldades, há exceções. Em alguns nichos, é possível sim abrir uma franquia como MEI, desde que:
- A atividade esteja listada como permitida;
- O faturamento mensal fique dentro do limite;
- O contrato da franquia permita o regime MEI.
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Exemplos de microfranquias compatíveis com o MEI:
- Produção de salgados ou doces artesanais;
- Manicure e pedicure domiciliar;
- Representação de produtos de cosméticos;
- Serviços de marketing digital ou social media;
- Consultoria de imagem e moda;
- Vendas porta a porta ou e-commerce.
Estas franquias geralmente funcionam em casa ou de forma itinerante, com baixo custo operacional e sem necessidade de equipe extensa.
Microfranquias: alternativa ideal para quem é MEI
As microfranquias são franquias com investimento inicial de até R$ 15 mil a R$ 30 mil, e muitas delas funcionam no modelo home-based, exigindo pouco capital de giro e operação simplificada.
Elas costumam ser ideais para:
- Quem está começando e quer testar o modelo de negócio;
- Profissionais autônomos que já atuam com o serviço e querem profissionalizar a operação;
- Aposentados ou pessoas em transição de carreira.
Quando é hora de sair do MEI?

Se a franquia começa a crescer, é natural que o empreendedor ultrapasse os limites do MEI. Isso não é um problema — pelo contrário, indica sucesso do negócio.
O que fazer ao atingir o teto:
- Migrar para ME (Microempresa) no Simples Nacional;
- Recolher os tributos proporcionais à nova faixa de faturamento;
- Atualizar o cadastro na Junta Comercial e na Receita Federal.
Esse processo de migração é simples e pode ser feito com apoio de um contador. Muitas franqueadoras inclusive oferecem suporte contábil para ajudar na formalização adequada.
Passo a passo para abrir uma franquia sendo MEI
- Escolha uma franquia compatível com sua área de interesse e seu porte financeiro;
- Verifique se a atividade da franquia é permitida na lista de ocupações do MEI;
- Solicite a COF (Circular de Oferta de Franquia) para entender os custos, exigências e estrutura necessária;
- Avalie o potencial de faturamento — se for superior a R$ 81 mil/ano, já inicie como ME;
- Consulte um contador para validar seu enquadramento tributário;
- Formalize o contrato e inicie as operações.
Conclusão: é possível, mas com cuidado e planejamento
O Microempreendedor Individual pode sim abrir uma franquia, desde que o modelo de negócio se encaixe nas limitações legais e tributárias do regime. No entanto, essa possibilidade está restrita a casos bem específicos, principalmente em microfranquias com operação enxuta.
Para quem deseja investir em uma franquia mais robusta, com alto potencial de retorno, o ideal é migrar para ME, mesmo que o negócio esteja apenas começando. Isso evita complicações fiscais, garante maior segurança jurídica e abre espaço para o crescimento saudável da operação.
O importante é planejar com cuidado, conversar com a franqueadora e contar com orientação especializada. Empreender com responsabilidade é o primeiro passo para o sucesso.
Imagem: Canva – Freepik
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