Milhões de microempreendedores individuais podem ser beneficiados por uma das maiores mudanças já discutidas para o regime do MEI. O governo federal deve encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta que eleva gradualmente o limite de faturamento anual da categoria dos atuais R$ 81 mil para R$ 140 mil até 2028.
MEI pode ter novo limite de faturamento de R$ 140 mil; veja o que muda
Governo prepara proposta para elevar o limite do MEI para R$ 140 mil até 2028. Projeto também prevê contratação de até dois funcionários.
A medida atende a uma antiga reivindicação de empreendedores e parlamentares, que argumentam que o teto atual não acompanha a inflação acumulada e o crescimento dos pequenos negócios nos últimos anos.
Além do aumento do faturamento permitido, o projeto também prevê mudanças importantes nas regras de contratação de funcionários e pode abrir espaço para novos debates sobre a sustentabilidade do regime.
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O que é o MEI

O Microempreendedor Individual foi criado para formalizar trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores que atuavam na informalidade.
O modelo oferece uma série de vantagens, como:
- Emissão de notas fiscais;
- Acesso a benefícios previdenciários;
- Contribuição simplificada;
- Menor burocracia tributária;
- Possibilidade de contratar funcionário.
Atualmente, o MEI é uma das principais portas de entrada para a formalização de pequenos negócios no Brasil.
Segundo dados do governo federal, o país possui milhões de microempreendedores registrados em diferentes setores da economia, incluindo comércio, serviços e atividades artesanais.
Como ficará o novo limite de faturamento
A proposta em discussão prevê uma elevação gradual do teto anual permitido para o MEI.
Limite atual
Hoje, o microempreendedor individual pode faturar até:
- R$ 81 mil por ano;
- Média de R$ 6.750 por mês.
Quem ultrapassa esse valor pode ser desenquadrado do regime e migrar para outra categoria empresarial.
Proposta para os próximos anos
O texto que deverá ser enviado ao Congresso prevê:
- R$ 110 mil de faturamento anual em 2027;
- R$ 140 mil de faturamento anual em 2028.
Na prática, isso representaria um aumento superior a 70% em relação ao limite atual.
Caso aprovada, a mudança permitirá que empreendedores ampliem suas operações sem a necessidade imediata de migrar para regimes tributários mais complexos.
Por que o governo decidiu apoiar a mudança
Durante anos, a equipe econômica demonstrou resistência à ampliação do teto do MEI por causa dos impactos sobre a arrecadação pública e a Previdência Social.
No entanto, as negociações realizadas entre o governo e o Congresso Nacional abriram espaço para um acordo político em torno do tema.
A proposta passou a ser discutida dentro de um pacote mais amplo de negociações envolvendo pautas trabalhistas e econômicas.
Além disso, parlamentares argumentam que o limite atual está defasado e já não representa a realidade de muitos pequenos negócios brasileiros.
Contratação de dois funcionários pode ser autorizada
Outra mudança relevante prevista no projeto é a ampliação do número de empregados que podem ser contratados pelo MEI.
Regra atual
Hoje, o microempreendedor individual pode contratar apenas:
- Um funcionário registrado.
O que pode mudar
A nova proposta prevê autorização para:
- Contratação de até dois empregados.
A medida é vista como uma forma de estimular a geração de empregos formais e permitir o crescimento gradual dos pequenos negócios.
Empreendedores que enfrentam aumento de demanda frequentemente relatam dificuldades para expandir suas atividades devido às limitações impostas pelo regime atual.
O impacto para quem já é MEI
Se a proposta for aprovada, milhares de empreendedores poderão continuar enquadrados no regime mesmo com aumento de receita.
Exemplo prático
Imagine um profissional que atualmente fatura cerca de R$ 9 mil por mês.
Com o teto atual de R$ 81 mil anuais, ele corre risco de ultrapassar o limite permitido.
Com um teto de R$ 110 mil ou R$ 140 mil, esse empreendedor teria mais margem para crescer sem precisar migrar para categorias com tributação mais elevada.
Isso pode beneficiar:
- Prestadores de serviços;
- Profissionais da área digital;
- Pequenos comerciantes;
- Vendedores online;
- Trabalhadores autônomos formalizados.
Governo avalia mudanças na contribuição previdenciária
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Uma das preocupações envolvendo a ampliação do limite do MEI é o impacto sobre as contas públicas.
Por isso, especialistas e integrantes do governo discutem alternativas para manter a sustentabilidade do sistema.
Entre as propostas avaliadas estão:
- Aumento gradual das contribuições de quem faturar mais;
- Novas faixas de contribuição;
- Ajustes previdenciários para compensar perdas de arrecadação.
Uma das ideias em debate prevê:
- Contribuição de 7,5% para quem faturar acima de determinado limite;
- Contribuição de 11% para faixas mais elevadas de receita.
Até o momento, porém, não há definição oficial sobre essas mudanças.
O que acontece com o Simples Nacional
Durante as negociações, deputados também defenderam alterações nas faixas de faturamento do Simples Nacional.
No entanto, integrantes da equipe econômica avaliam que o impacto fiscal seria muito elevado.
Estimativas apresentadas nas discussões apontam que mudanças amplas no Simples poderiam gerar custos superiores a R$ 50 bilhões para os cofres públicos.
Por esse motivo, a prioridade atual está concentrada exclusivamente no regime do MEI.
Quando as novas regras podem entrar em vigor
O projeto ainda precisa ser enviado oficialmente ao Congresso Nacional.
Depois disso, o texto passará por:
- Comissões temáticas;
- Câmara dos Deputados;
- Senado Federal;
- Sanção presidencial.
A expectativa de lideranças parlamentares é concluir a análise inicial antes do recesso legislativo, previsto para julho.
Entretanto, mudanças podem ocorrer durante a tramitação.
O que o empreendedor deve fazer agora

Por enquanto, nenhuma regra foi alterada.
O limite oficial do MEI continua sendo de R$ 81 mil por ano e permanece válida a autorização para apenas um empregado.
Mesmo assim, a proposta representa um avanço importante para milhões de pequenos empreendedores que aguardam há anos uma atualização dos limites do regime.
Se aprovada, a mudança poderá ampliar a capacidade de crescimento dos negócios, estimular contratações e reduzir o risco de desenquadramento de empreendedores que já operam próximos ao teto atual.
A discussão agora entra em uma fase decisiva no Congresso e deve ser acompanhada de perto por quem atua como MEI ou pretende formalizar um pequeno negócio nos próximos anos.
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