Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Atenção ao teto: MEI que ultrapassar R$ 97.200 pode pagar impostos retroativos em 2026

Ultrapassar o limite do MEI pode gerar multas e tributos extras. Entenda regras, riscos e como evitar problemas fiscais.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
MEI

O crescimento do negócio costuma ser motivo de celebração para qualquer empreendedor. No entanto, para o Microempreendedor Individual (MEI), faturar além do permitido por lei pode transformar essa conquista em uma dor de cabeça tributária. O limite anual, atualmente fixado em R$ 81 mil, exige atenção constante para evitar penalidades, cobrança retroativa de impostos e até a exclusão do regime simplificado.

Criado para formalizar pequenos negócios, o MEI oferece vantagens como carga tributária reduzida, menos burocracia e acesso a benefícios previdenciários. Porém, essas facilidades vêm acompanhadas de regras claras — e ignorá-las pode gerar prejuízos financeiros relevantes.

Especialistas em contabilidade reforçam que o planejamento financeiro e o acompanhamento do faturamento são essenciais para manter a empresa regular. Dados do Portal do Empreendedor, vinculado ao Governo Federal, mostram que milhões de brasileiros optam pelo MEI justamente pela simplicidade, mas muitos acabam surpreendidos quando o negócio cresce mais rápido do que o esperado.

Leia mais:

MEI sem movimentação precisa fazer a Declaração Anual? Entenda

Qual é o limite de faturamento do MEI?

O teto anual de R$ 81 mil corresponde a uma média mensal de aproximadamente R$ 6.750, considerando empresas ativas durante os 12 meses do ano.

Como calcular o limite proporcional

Se o CNPJ foi aberto ao longo do ano, o valor permitido deve ser ajustado proporcionalmente. Veja um exemplo prático:

  • Empresa aberta em julho (6 meses de atividade)
  • Limite proporcional: R$ 6.750 x 6 = R$ 40.500

Esse cálculo evita erros comuns na declaração e ajuda o empreendedor a prever quando será necessário migrar para outro regime.

O que entra no cálculo do faturamento?

Um ponto que gera dúvidas frequentes é o conceito de faturamento bruto. A Receita Federal considera o total das vendas — sem descontar:

  • custos operacionais
  • compra de mercadorias
  • aluguel
  • salários
  • taxas

Ou seja, mesmo que o lucro seja baixo, o valor declarado deve refletir tudo o que entrou no caixa da empresa.

O que acontece se o MEI faturar até 20% acima do limite?

A legislação permite uma margem de tolerância de até 20% sobre o teto. Na prática, isso significa que o faturamento pode chegar a R$ 97.200 por ano.

Apesar de parecer uma folga confortável, esse cenário ainda exige providências.

Consequências do excesso dentro da tolerância

Quando o faturamento ultrapassa o limite, mas permanece dentro dos 20%, as medidas costumam ser menos severas:

  • O desenquadramento ocorre automaticamente a partir de 1º de janeiro do ano seguinte;
  • É obrigatório entregar a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) com o valor real faturado;
  • O sistema gera uma guia DAS complementar com os tributos sobre o excedente;
  • O empreendedor deve migrar para o regime de Microempresa (ME), geralmente dentro do Simples Nacional.

A principal vantagem é que o desenquadramento não é retroativo, reduzindo o impacto financeiro imediato.

Ainda assim, o aumento da carga tributária deve entrar no planejamento, já que a ME possui alíquotas maiores e mais obrigações acessórias.

Excesso acima de 20% muda completamente o cenário

Quando o faturamento ultrapassa R$ 97.200, a situação se torna mais delicada.

Desenquadramento retroativo

Nesse caso, a Receita Federal entende que o negócio já operava fora dos critérios do MEI durante todo o período.

As consequências incluem:

  • Desenquadramento retroativo a 1º de janeiro do ano do excesso;
  • Cobrança de impostos como se a empresa fosse microempresa desde o início;
  • Pagamento da diferença tributária;
  • Incidência de multas e juros;
  • Maior risco de autuações fiscais.

Se o excesso acontecer no primeiro ano de atividade, o reenquadramento pode valer desde a abertura do CNPJ, ampliando ainda mais os custos.

Por que procurar um contador é essencial?

Embora o MEI tenha sido criado para funcionar com menos burocracia, situações de desenquadramento exigem conhecimento técnico.

Um contador pode:

  • recalcular tributos corretamente;
  • orientar a migração para microempresa;
  • evitar pagamentos indevidos;
  • reduzir riscos de penalidades futuras.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Na prática, esse suporte costuma sair mais barato do que lidar com erros fiscais depois.

Como evitar ultrapassar o limite do MEI?

O crescimento do negócio deve ser acompanhado de gestão financeira. Algumas estratégias ajudam a manter o controle:

Monitore o faturamento mensal

Use planilhas ou sistemas de gestão para acompanhar as receitas em tempo real.

Planeje a expansão

Se o negócio estiver perto do teto, talvez seja o momento ideal para migrar voluntariamente para ME e sustentar o crescimento com segurança.

Separe finanças pessoais e empresariais

Misturar contas dificulta a visualização do faturamento real — um erro comum entre pequenos empreendedores.

Revise sua precificação

Entender margens e volume de vendas evita surpresas no fechamento do ano.

Crescer é bom — desde que seja com planejamento

Ultrapassar o limite do MEI não deve ser visto apenas como um problema. Muitas vezes, é o sinal de que a empresa evoluiu e precisa de uma estrutura tributária mais robusta.

O erro não está em crescer, mas em não se preparar para isso.

Com organização, apoio profissional e atenção às regras da Receita Federal e do Simples Nacional, o empreendedor pode transformar essa transição em um passo natural rumo à consolidação do negócio.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados