O mercado financeiro brasileiro operou com cautela nesta quarta-feira diante da expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. A reunião do Banco Central concentrou a atenção dos investidores, que ajustaram posições antes do anúncio da nova taxa básica de juros da economia.
Dólar fecha em queda a R$ 5,12 e Ibovespa recua aos 135 mil pontos
Dólar recua antes do Copom, investidores analisam Selic e balanços de Itaú, Gerdau e GPA movimentam a Bolsa brasileira.
O dólar comercial apresentou leve recuo ao longo do pregão, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou pouca variação, refletindo o equilíbrio entre fatores externos, cenário doméstico de juros e a divulgação dos resultados financeiros de grandes empresas.
Entre os destaques corporativos do dia estiveram os balanços trimestrais de companhias como Itaú Unibanco, Gerdau e Grupo Pão de Açúcar (GPA), que influenciaram o comportamento das ações negociadas na B3.
Leia mais:
Compra de ienes pelos EUA chama atenção do mercado após quase 30 anos
Dólar recua antes da decisão do Banco Central

O dólar comercial encerrou a sessão com pequena queda, negociado a R$ 5,128 para venda, uma baixa de 0,06%. O movimento ocorreu após uma abertura marcada por pressão compradora e em meio à expectativa dos investidores sobre os próximos passos da política monetária brasileira.
Na sessão anterior, a moeda norte-americana havia avançado 0,87%, acompanhando um ambiente internacional de maior cautela e ajustes nas posições dos investidores.
A proximidade da decisão do Copom costuma aumentar a volatilidade do câmbio, já que a taxa de juros influencia diretamente o fluxo de capital estrangeiro para países emergentes. Juros mais elevados tendem a tornar ativos brasileiros mais atrativos para investidores internacionais, enquanto cortes podem alterar essa dinâmica.
Além dos fatores internos, o mercado acompanha o comportamento dos juros nos Estados Unidos, as tensões geopolíticas e as expectativas para a economia global.
Petróleo permanece abaixo dos US$ 80 com expectativa sobre Oriente Médio
Os contratos futuros de petróleo continuaram negociados abaixo da marca de US$ 80 por barril, refletindo uma combinação de estoques, demanda global e expectativas sobre possíveis avanços diplomáticos no Oriente Médio.
O petróleo Brent, referência internacional utilizada como base para negociações da commodity, avançou 0,11%, chegando a US$ 79,45 por barril. O preço representou o menor fechamento desde o início de julho.
Já o petróleo WTI, referência para o mercado dos Estados Unidos, encerrou o dia em queda de 0,73%, cotado a US$ 75,22 por barril.
O mercado de energia passou a precificar um cenário de menor risco após declarações do governo norte-americano sobre conversas com o Irã. A possibilidade de redução das tensões entre os países trouxe alívio aos investidores, especialmente devido aos impactos que um eventual bloqueio no Estreito de Hormuz poderia causar.
A região é estratégica para o transporte mundial de petróleo e qualquer interrupção poderia pressionar os preços internacionais da energia, afetando inflação e custos de produção em diversos países.
Copom concentra atenção dos investidores
O principal evento econômico do dia foi a reunião do Copom, responsável por definir a taxa Selic, que influencia empréstimos, investimentos, consumo e toda a estrutura de juros do país.
A expectativa predominante entre agentes financeiros era de mais uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14% ao ano.
O possível corte representaria a continuidade de um ciclo de flexibilização monetária iniciado após um período prolongado de juros elevados para conter a inflação.
Economistas avaliam que a desaceleração dos índices de preços abriu espaço para uma política monetária menos restritiva, embora a inflação ainda permaneça acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial de inflação do Brasil, segue como principal referência para as decisões da autoridade monetária.
Inflação mais moderada melhora expectativa do mercado
A percepção de melhora no cenário inflacionário ganhou força entre investidores nas últimas semanas. Indicadores como o IPCA-15 e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) apresentaram sinais de desaceleração, contribuindo para projeções mais favoráveis.
O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com projeções de instituições financeiras, mostrou redução consecutiva nas estimativas para a inflação anual.
A mediana das previsões para o IPCA passou a indicar inflação de 5,03% no encerramento do ano, reforçando a expectativa de que o Banco Central poderia avançar com novos cortes na taxa básica de juros.
Apesar da melhora nas projeções, o mercado continua acompanhando fatores que podem pressionar os preços, como câmbio, atividade econômica, gastos públicos e cenário internacional.
Temporada de balanços movimenta ações na Bolsa
Além da decisão do Copom, os investidores acompanharam a divulgação dos resultados financeiros das empresas listadas na Bolsa brasileira.
A temporada de balanços do segundo trimestre trouxe informações sobre lucro, receita, geração de caixa e perspectivas para diferentes setores da economia.
Os números ajudam investidores a avaliar a capacidade das companhias de enfrentar um ambiente marcado por juros ainda elevados e mudanças no consumo.
Itaú Unibanco registra lucro bilionário no trimestre

O Itaú Unibanco apresentou um dos principais resultados acompanhados pelo mercado. O banco registrou lucro líquido de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 7,8% na comparação anual.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) chegou a 24,3%, indicador utilizado pelo mercado para medir a eficiência financeira das instituições.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A receita total da instituição alcançou R$ 48 bilhões no período, alta de 4,7% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela margem financeira com clientes, que avançou 5,1% no intervalo, chegando a R$ 32,6 bilhões.
Após a divulgação dos números, as ações preferenciais do Itaú registraram valorização, acompanhando avaliações positivas de analistas sobre o desempenho operacional do banco.
Gerdau amplia lucro com melhora operacional
A siderúrgica Gerdau também chamou atenção dos investidores ao divulgar crescimento expressivo no lucro trimestral.
A companhia informou lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no segundo trimestre, aumento de 69,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita líquida somou R$ 17,87 bilhões, avanço de 2% na comparação anual. Ao mesmo tempo, o custo dos produtos vendidos apresentou redução de 2,9%, ficando em aproximadamente R$ 15 bilhões.
O resultado foi interpretado positivamente pelo mercado, principalmente devido aos ganhos de eficiência operacional e ao controle de custos em um cenário desafiador para o setor industrial.
As ações da empresa avançaram durante o pregão e chegaram próximas aos maiores níveis registrados em três anos.
GPA apresenta prejuízo maior e segue processo de recuperação
O Grupo Pão de Açúcar divulgou números que continuam refletindo os desafios enfrentados pelo setor varejista.
A companhia registrou prejuízo de R$ 204 milhões no segundo trimestre, aumento de 15,9% em relação ao mesmo período anterior.
O grupo, responsável por marcas como Pão de Açúcar, Extra Mercado, Proximidade e operações digitais, aguarda a homologação judicial do seu plano de recuperação extrajudicial.
Apesar do resultado negativo, a empresa apresentou avanço no Ebitda ajustado consolidado, que chegou a R$ 450 milhões, crescimento de 7,4%.
Segundo a companhia, o desempenho foi favorecido por medidas de eficiência, redução de despesas, reorganização operacional e foco em unidades consideradas mais rentáveis.
Mesmo diante do prejuízo, as ações do GPA tiveram alta no pregão, refletindo a avaliação dos investidores sobre as medidas adotadas para recuperação financeira.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
