A comercialização de soja perdeu força na primeira semana de agosto no Brasil. Com pouca oscilação nas cotações domésticas, leve queda dos contratos em Chicago e alta moderada do dólar, produtores reduziram o ritmo de negócios e passaram a esperar condições mais favoráveis para voltar a vender.
O movimento ocorre depois de uma aceleração importante das vendas em julho. Segundo levantamento da Safras & Mercado, 81,9% da produção projetada para a safra 2025/26 já havia sido comercializada até 7 de agosto, acima dos 71,5% registrados no levantamento anterior, de 3 de julho.
A combinação entre preços físicos relativamente estáveis e a volatilidade dos mercados internacional e cambial dificulta a definição de uma tendência para a soja brasileira no curto prazo.
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As cotações apresentaram poucas mudanças entre as principais praças acompanhadas pela Safras & Mercado.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos passou de R$ 140 para R$ 139. Já em Cascavel (PR), o preço permaneceu em R$ 134, enquanto Rondonópolis (MT) manteve a cotação em R$ 127.
No porto de Paranaguá (PR), referência importante para a formação de preços da oleaginosa destinada à exportação, a saca continuou na faixa de R$ 145.
A estabilidade ajuda a explicar a postura mais cautelosa dos vendedores. Parte dos produtores aproveitou a valorização registrada pela soja em Chicago durante julho para antecipar negócios e, diante das cotações atuais, não vê grande estímulo para aumentar as vendas imediatamente.
Por que os produtores estão segurando a soja?
A estratégia dos produtores está relacionada principalmente à relação entre preço e expectativa.
Quando as cotações sobem, uma parcela dos agricultores aproveita a oportunidade para fixar preços e reduzir a exposição às oscilações futuras. Depois de um período de maior movimentação em julho, a ausência de uma nova valorização significativa diminuiu a disposição para novas vendas.
O comportamento também é influenciado pelo mercado internacional. A soja brasileira é afetada diretamente pelas variações dos contratos futuros em Chicago, pelo dólar e pelos prêmios de exportação.
Com esses três componentes apresentando movimentos distintos, o preço recebido pelo produtor pode mudar mesmo quando a cotação internacional não apresenta uma alteração expressiva.
Chicago recua, mas demanda chinesa limita perdas
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de soja terminaram a primeira semana de agosto em baixa.
O contrato com vencimento em novembro, um dos mais negociados, acumulou queda de 0,42% na semana e estava cotado a US$ 11,82 1/2 por bushel na manhã de sexta-feira, 7 de agosto.
Entre os fatores que pressionaram as cotações estiveram as perspectivas de chuvas nas áreas produtoras dos Estados Unidos e a queda do petróleo no mercado internacional.
Por outro lado, a demanda chinesa pela soja norte-americana ajudou a limitar o movimento de baixa. A China é um dos principais compradores mundiais da oleaginosa, e suas decisões de compra têm potencial para alterar as expectativas de oferta e demanda no mercado global.
Dólar sobe e aumenta a volatilidade dos preços
O câmbio também contribuiu para a indefinição do mercado brasileiro.
O dólar comercial acumulou alta de 0,54% na semana, chegando a R$ 5,0961 na manhã de 7 de agosto.
Para o produtor brasileiro, a cotação da moeda norte-americana é especialmente relevante porque a soja é uma commodity negociada internacionalmente. Em linhas gerais, um dólar mais valorizado tende a favorecer a formação dos preços domésticos, enquanto uma moeda americana mais fraca pode exercer pressão sobre as cotações internas.
No período analisado, entretanto, dólar e Chicago oscilaram bastante. Essa combinação tornou mais difícil identificar uma direção clara para os preços e contribuiu para a postura defensiva dos vendedores.
Comercialização da safra 2025/26 já supera 80%
Apesar da lentidão observada no início de agosto, o ritmo acumulado de comercialização da safra brasileira continua elevado.
Até 7 de agosto, 81,9% da produção projetada para a safra 2025/26 estava negociada, segundo a Safras & Mercado. Um mês antes, o percentual era de 71,5%.
Considerando uma estimativa de produção de 178,341 milhões de toneladas, o volume já comercializado chegava a aproximadamente 146,145 milhões de toneladas.
O percentual também está ligeiramente acima da média histórica. No mesmo período do ano anterior, 78,4% da produção havia sido negociada, enquanto a média dos cinco anos anteriores estava em 81,8%.
E as vendas antecipadas da próxima safra?
A comercialização antecipada da safra seguinte também avançou.
A Safras & Mercado estimava que 20,2% da produção projetada para a safra 2026/27 já havia sido comprometida até 7 de agosto. Isso correspondia a cerca de 36,307 milhões de toneladas, considerando uma produção estimada em 180,089 milhões de toneladas.
O percentual está próximo da média histórica de 20,3% para o período e acima dos 16,8% registrados na mesma época do ano anterior.
Em 3 de julho, o comprometimento antecipado era de 13,9%, indicando que uma parcela relevante das vendas futuras ocorreu durante julho.
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O que pode definir os preços da soja nas próximas semanas?
O comportamento do mercado dependerá principalmente da combinação entre quatro fatores: Chicago, dólar, demanda internacional e condições das lavouras nos Estados Unidos.
O clima norte-americano merece atenção porque agosto é um período importante para a definição do potencial produtivo da soja dos Estados Unidos. Mudanças nas expectativas de produtividade podem provocar movimentos rápidos nos contratos futuros.
A demanda chinesa também permanece como um dos principais pontos de observação. Compras mais intensas podem dar sustentação aos preços internacionais, enquanto uma redução do interesse comprador tende a aumentar a pressão sobre as cotações.
No Brasil, o câmbio continuará sendo determinante para transformar as oscilações externas em preços efetivamente recebidos pelos produtores.
Produtor deve vender agora ou esperar?
Não existe uma resposta única para todos os produtores. A decisão depende do custo de produção, da necessidade de caixa, da capacidade de armazenamento, dos compromissos já assumidos e da estratégia comercial de cada propriedade.
Para quem precisa liberar espaço ou garantir recursos para financiar a próxima etapa da produção, a venda pode fazer sentido mesmo diante de preços estáveis. Já quem possui maior capacidade de armazenamento pode optar por aguardar uma eventual melhora das condições de mercado.
A questão central é que esperar por uma cotação maior também envolve risco. Chicago pode cair, o dólar pode recuar ou os prêmios podem mudar, reduzindo o preço final recebido pelo produtor.
Por isso, a decisão comercial costuma ser mais eficiente quando considera a margem necessária para a propriedade, e não apenas a expectativa de que o mercado atingirá determinado preço.
Mercado entra em agosto com cautela

A primeira semana de agosto mostrou um mercado brasileiro de soja mais lento, depois de um julho marcado por avanço expressivo da comercialização.
Com a maior parte da safra 2025/26 já negociada, os produtores que ainda possuem soja disponível demonstram menor disposição para aceitar preços pouco diferentes dos atuais. Ao mesmo tempo, as oscilações de Chicago e do dólar impedem uma leitura clara sobre a direção das cotações.
O cenário deixa o mercado dependente dos próximos movimentos do clima nos Estados Unidos, da demanda chinesa e do comportamento do câmbio. Até que esses fatores ofereçam um sinal mais consistente, a tendência é de negócios mais seletivos e vendedores atentos a oportunidades de valorização.
Conclusão
O mercado brasileiro de soja iniciou agosto em um cenário de cautela, marcado pela estabilidade das cotações internas e pela falta de uma direção definida nos mercados internacionais. Com uma parcela expressiva da safra 2025/26 já comercializada, muitos produtores preferem aguardar novas oportunidades antes de avançar nas vendas, especialmente diante da volatilidade de Chicago e do dólar.
Nas próximas semanas, o comportamento dos preços deverá continuar ligado principalmente ao clima nas áreas produtoras dos Estados Unidos, ao ritmo das compras chinesas e às oscilações do câmbio. Para o produtor brasileiro, acompanhar esses indicadores será fundamental para avaliar o melhor momento de comercialização e evitar decisões tomadas apenas com base em movimentos pontuais do mercado.



