Os mercados financeiros iniciam a semana sob influência de uma mudança no cenário geopolítico envolvendo Estados Unidos e Irã. A possibilidade de avanço nas negociações para reduzir tensões no Oriente Médio trouxe maior apetite ao risco entre investidores e pressionou os preços internacionais do petróleo.
Ibovespa sobe com maior apetite ao risco após trégua entre EUA e Irã
Investidores acompanham queda do petróleo, cenário político brasileiro e desempenho das bolsas globais nesta abertura de mercado.
O movimento ocorre após declarações do presidente norte-americano Donald Trump indicando que uma ação militar contra o Irã teria sido suspensa para priorizar tratativas diplomáticas relacionadas à retomada do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz.
A região tem papel estratégico para a economia mundial, já que concentra uma das principais rotas de transporte de petróleo. Qualquer ameaça de bloqueio ou interrupção no local costuma gerar preocupação nos mercados devido ao risco de aumento dos custos de energia e impacto sobre a inflação global.
Com a redução dos receios de uma escalada militar, investidores passaram a precificar um ambiente menos pressionado para commodities energéticas. Autoridades iranianas também sinalizaram que conversas para ampliar a circulação marítima na região apresentam evolução, reforçando a percepção de uma possível solução negociada.
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Petróleo recua com menor temor de interrupção no abastecimento
A reação mais imediata ocorreu no mercado de petróleo. As cotações internacionais registraram queda diante da expectativa de que uma crise mais grave no Oriente Médio possa ser evitada.
O petróleo Brent, referência internacional negociada em Londres, recuou 4,57%, cotado a US$ 83,91 por barril. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 5,72%, chegando a US$ 79,82 por barril.
A redução nos preços da commodity tende a ser observada com atenção por países importadores de energia, como o Brasil, pois pode influenciar custos de combustíveis, transporte e cadeias produtivas.
Apesar da queda momentânea, analistas costumam destacar que o mercado de petróleo continua sensível a novas informações vindas do Oriente Médio. Mudanças no ambiente diplomático ou militar podem provocar movimentos rápidos nos preços.
Mercado brasileiro monitora política e indicadores econômicos
No Brasil, os investidores acompanham uma combinação de fatores internos e externos. Entre os principais pontos de atenção está o cenário político para as eleições presidenciais de 2026, além da divulgação de indicadores econômicos relevantes.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada recentemente apontou um cenário de disputa equilibrada em uma simulação de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o levantamento, Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 45%. O resultado representa uma alteração em relação à pesquisa anterior, na qual Lula tinha 47% e o senador aparecia com 44%.
Apesar de pesquisas eleitorais não determinarem resultados futuros, o mercado financeiro costuma acompanhar esses levantamentos porque expectativas sobre política econômica, responsabilidade fiscal e ambiente regulatório podem influenciar decisões de investidores.
Ibovespa encerra semana positiva e dólar mantém trajetória de queda

O principal índice da Bolsa brasileira terminou o último pregão em alta. O Ibovespa (IBOV) avançou 0,47%, encerrando o dia aos 177.999 pontos.
Com esse desempenho, o índice acumulou valorização de 2,27% na semana. No mês de julho, o saldo também foi positivo, com alta acumulada de 3,47%.
O desempenho da bolsa brasileira foi favorecido por fatores externos, incluindo o maior apetite por ativos de risco, além da percepção de melhora em alguns mercados internacionais.
No câmbio, o dólar à vista encerrou negociado a R$ 5,0704, com alta diária de 0,18%. Mesmo com o avanço pontual, a moeda norte-americana acumulou queda de 0,21% na semana e desvalorização de 1,79% em julho.
A movimentação do dólar continua sendo acompanhada por empresas e investidores devido ao impacto sobre inflação, importações, dívida externa e decisões de política monetária.
ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos acompanha movimento positivo
O iShares MSCI Brazil (EWZ), um dos principais fundos de índice ligados ao mercado brasileiro negociados em Nova York, avançava 0,63%, cotado a US$ 36,88.
O desempenho do ETF costuma refletir a percepção internacional sobre ativos brasileiros, incluindo empresas listadas na Bolsa, expectativas econômicas e fluxo estrangeiro de investimentos.
Bolsas internacionais têm desempenho misto antes de novos dados econômicos
Os mercados globais operam em direções diferentes nesta abertura de semana. Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão sem uma tendência única, enquanto os mercados europeus apresentam predominância de alta.
No Japão, o índice Nikkei fechou com queda de 1,02%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,48%, enquanto a bolsa de Xangai registrou baixa de 0,59%.
Na Europa, o cenário é mais positivo. O índice DAX, da Alemanha, subia 1,47%, enquanto o CAC 40, da França, avançava 1,27%. O FTSE 100, de Londres, apresentava leve queda de 0,03%.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros indicavam abertura positiva em Wall Street. O Nasdaq futuro avançava 1,23%, o S&P 500 futuro subia 0,51% e o Dow Jones futuro tinha alta de 0,53%.
O comportamento dos índices americanos segue condicionado aos dados econômicos e às expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve em relação aos juros.
Agenda econômica concentra atenção de investidores
A programação econômica do dia reúne indicadores importantes para avaliar o ritmo da economia global e brasileira.
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Na Europa, os investidores acompanham os índices de atividade industrial (PMI) da zona do euro e do Reino Unido. Esses dados ajudam a medir o desempenho da indústria e as perspectivas de crescimento econômico.
No Brasil, o mercado aguarda o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne projeções de economistas para inflação, juros, câmbio e crescimento econômico.
Também está previsto o PMI Industrial brasileiro, indicador utilizado para acompanhar a atividade do setor produtivo.
Nos Estados Unidos, o PMI Industrial será divulgado como uma referência importante para avaliar a força da maior economia do mundo.
Compromissos de autoridades brasileiras entram no radar
A agenda institucional também chama atenção do mercado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reuniões previstas com integrantes do governo, incluindo encontros com representantes da área jurídica, Casa Civil e Saúde.
Entre os compromissos está uma reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de representantes da área médica.
Já o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, possui agenda interna, enquanto o secretário especial da Fazenda, Dario Durigan, participa de reuniões com representantes do sistema financeiro.
A atuação de autoridades econômicas é acompanhada pelos investidores principalmente em momentos de discussão sobre juros, inflação e política fiscal.
Ouro sobe e criptomoedas operam em queda

No mercado de metais, o ouro apresentou leve valorização. O ativo avançava 0,14%, negociado a US$ 4.113,45 por onça-troy.
O ouro costuma ser procurado em momentos de incerteza internacional, funcionando como uma alternativa de proteção para investidores.
Já o mercado de criptomoedas registrava movimento negativo. O Bitcoin (BTC) recuava 1,5%, cotado a US$ 62.624,29, enquanto o Ethereum (ETH) caía 1,9%, negociado a US$ 1.843,37.
O segmento continua sensível ao comportamento dos juros globais, ao apetite por risco e às expectativas regulatórias em diferentes países.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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